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Dança na Religião

Última modificação : Sexta, 15 Janeiro 2016 18:03



A dança está indissoluvelmente relacionada com os ritos sagrados, seja nas festividades agrícolas, seja nas de passagem de um ano a outro, coincidindo ou não com o convencional ‘ano novo’. Está presente, praticamente, em todas as religiões, havendo mesmo quem lhe encontre a origem na própria religião.

 

Os clássicos gregos e latinos dão testemunho da importância da dança nas festividades religiosas. Como se pode ver em Pausânias e Luciano, não há mistério sem dança. Na mitologia grega há deuses cujos nomes lembram as cerimônias coreográficas a eles associadas, como Deméter Kidaria. Foram as ruidosas danças dos curetas,em Creta, que, a pedido da ninfa Amaltéia, salvaram o recém-nascido Zeus de ser descoberto e devorado pelo insaciável  Cronos.

 

Há duas atribuições quanto à invenção da dança pírrica (Pirros ou Pírricos ou a própria Atena), com que se comemoravam as vitórias dos guerreiros, e que os próprios deuses dançaram depois de vencer os titãs.

 

Na Índia, segundo documentos do séc. XI, a dança é parte integrante do culto hinduísta. Aliás, é da própria natureza dos deuses a permanente atividade coreográfica. Os sivaítas representam a ação de Deus no universo como uma dança constante. As artes plásticas hindus testemunham abundantemente essa relação indissolúvel entre a dança e a religião. As cinco funções da divindade (evolução, manutenção, involução [do mundo], condenação misericordiosa à sansara, ou metempsicose, e assimilação das almas) são representadas pelo ritmo da dança, a melhor maneira de exprimir as regulares intervenções divinas na vida dos homens. No Japão, os ritos xintoístas não prescindem das dançarinas sagradas, em geral filhas de sacerdotes.

 

Entre os cristãos da alta Idade Média difundiu-se o costume de dançar, sob a direção do bispo, nas igrejas e nos túmulos dos mártires, costume que foi proibido pelo Concílio de 692. Mas a liturgia de Paris manteve muito tempo a rubrica: ”Le Chanoine ballera au premier psaume” (O Sacerdote dançará ao primeiro salmo). Ainda no séc. XVIII, na França, os sacerdotes executavam passos de dança nos dias santos.

 

Poucas são as referências à dança nas Escrituras Sagradas. Algumas delas são alusivas a costumes de povos pagãos vizinhos a Israel (Êx. 33,19 e 18,26). Entretanto, alguns exemplos são eloqüentes quanto ao papel desse elemento no culto a Deus na Bíblia hebraica. Comemorando a passagem do mar Vermelho, Miriam, irmã de Arão e profetisa, dançou e cantou ao som do tamboril (Êx. 15,20-21). Em Silo, celebravam-se solenidades religiosas anuais em que a dança tinha lugar de relevo (Jz. 21,19 ss.). Comemorando festivamente o transporte da Arca para Jerusalém, o rei Davi, cingindo o éfode (sobrepeliz dos sacerdotes hebreus), bailou ao som da trombeta pelas ruas da cidade. Censurando pela filha de Saul por ter “sem pejo” o rei dançando “como qualquer vadio”, Davi respondeu: “Perante o Senhor, que me escolheu como chefe do povo... perante o Senhor me alegrei” (2 Sam 6,14 ss.). O texto original dos dois últimos poemas do livro dos Salmos (149,3 e 150,4) menciona a dança entre os meios de louvor a Deus “... Louvai-o com adufe e dança...”.

 

Na Idade Média, a dança se associa a um estranho fenômeno, misto de fanatismo desenfreado e de misticismo patológico, que nos sécs. XIII e XIV perturbou a vida de inúmeras cidades na Alemanha, Países Baixos e França. Iniciando-se em 1374 no baixo Reno, rapidamente se espalhou por toda parte, arrastando principalmente os jovens a um frenesi louco de danças intermináveis, acompanhadas de gritos e convulsões que os padres combatiam com exorcismos, especialmente sob a invocação de São Vito. Fenômenos análogos ocorreram noutros lugares e ainda em tempos recentes, como nos E.U.A. com shakers (tremedores), comunidade protestante oriunda de uma seita francesa do séc. XVII que emigrou para a Inglaterra e depois para os E.U.A. Os shakers acreditavam que pela “agitação do corpo” recebiam a graça da profecia.

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional