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Balé no Brasil

Última modificação : Sexta, 15 Julho 2016 14:48



Inicia-se com a vinda de Maria Olenewa, em 1927, para o Rio de Janeiro. Bailarina russa, posteriormente naturalizada brasileira, Olenewa trabalhou nas companhias de Ana Pavlova e de Leonide Massine; de 1922 a 1924 assumiu a direção do teatro Colón em Buenos Aires. No mesmo ano de sua chegada ao Brasil, fundou a Escola de Danças Clássicas do Teatro Municipal, que seria o principal centro de formação para nossos bailarinos. A finalidade dessa escola era preparar um corpo de balé nacional e, em 1938, alcançou esse objetivo com a formação do primeiro corpo de baile oficial do Teatro Municipal. Maria Olenewa elaborou ainda vários recitais, coreografias e remontagens de famosos bailados, como O Lago dos Cisnes.

 

Com a chegada de Vaslav Veltchek, em 1939, oriundo de Praga, o balé no Brasil ganhou novo impulso. Participou como primeiro bailarino e coreógrafo do Teatro Nacional da Iugoslávia e do Opéra-Comique de Paris, e freqüentou o curso de dança moderna na escola de Mary Wigman. Iniciou seu trabalho no Brasil como coreógrafo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em São Paulo organizou a escola de bailados da prefeitura em 1940. Participou mais tarde da fundação do Ballet do IV Centenário, companhia formada por ocasião dos festejos comemorativos do centenário da cidade, que teve Aurel Miloss como coreógrafo contratado. No Rio de Janeiro fundou o Conjunto Coreógrafo Brasileiro, mantido pela União das Operárias de Jesus, que iria realizar grande trabalho de divulgação e formação de bailarinos. Elaborou várias coreografias baseadas no folclore brasileiro, que estudou intensamente, tais como Uirapuru, com música de Villa-Lobos, e Festa da roça, com música de José Siqueira.

 

Tatiana Leskova é outro nome que se destaca pelo incentivo e desenvolvimento que deu ao balé no Brasil. Trabalhou com Fokine, Lifar e no Ballet Russo Du Colonel de Basil. Chegou ao Brasil em 1945, convidada como bailarina para temporada no Teatro Municipal, onde permaneceu como mestre de balé e coreógrafa, desenvolvendo o repertório do corpo de baile e preparando novos valores. Juntamente com o coreógrafo Igor Schewezoff, participou da formação do Balé da Juventude, fundado em 1946 pela Federação Atlética Estudantil e dirigido por Sansão Castelo Branco, organização que se impôs ao público pelo valor de suas apresentações e pela colaboração ao movimento de renovação do balé no Brasil.

 

Eugênia Feodorova chegou ao Brasil em 1955 no duplo papel de mestre de balé e coreógrafa do corpo de baile do Teatro Municipal. De formação soviética, sua exigência no trabalho impôs disciplina e, como decorrência, obteve homogeneidade e coordenação nas apresentações do conjunto. Foi ainda sob a direção de Feodorova que o corpo de baile do Teatro Municipal iniciou a difusão de sua arte através de tournées.

 

O balé contemporâneo desenvolveu-se com Nina Verchinina, ex-membro do Ballet Russe Du Colonel de Basil, que veio acrescentar ao repertório do Teatro Municipal várias coreografias de sua autoria. A nova escola foi por ela difundida através de aulas, composição de temas para balés e apresentações por todo o Brasil e América Latina, com sua companhia particular. Há, mais, Berta Rosanova, Sandra Dieken, David Dupré, Dennis Gray, Artur Ferreira e vários outros nomes com lugar de destaque pela contribuição que tiveram, quer como bailarinos, quer como coreógrafos e divulgadores. Márcia Haydée, Beatriz Consuelo, Ivonne Weyer e Eleonora Oliosi são bailarinas brasileiras que se destacam em grandes companhias no exterior.

 

Técnica. A técnica acadêmica, conforme é conhecida hoje, é uma técnica russa, resultante da fusão dos estilos italianos e francês no séc. XIX. As duas escolas evoluíram paralelamente, desenvolvendo características próprias. A primeira desenvolveu-se acrobaticamente, caracterizando-se pelo allegro, movimentos vivos angulosos, com certa rigidez. Os braços estendidos vigorosamente, a velocidade, a técnica, o virtuosismo são suas principais características. Na segunda: a graça, a leveza, os movimentos arredondados, braços leves, o adágio.

 

Dessas duas escolas resultou uma fusão ideal na Rússia no séc. XIX: a graça de uma e o virtuosismo da outra, aliados ao temperamento emotivo do povo russo. Os principais mensageiros da Europa na Rússia foram Pierina Legnani (escola francesa) e Enrico Cecchetti (escola italiana). Os bailarinos russos puderam fazer uma síntese, tirando de cada um o que havia de melhor,corrigindo imperfeições e criando uma técnica nova.

 

Na formação completa dos bailarinos, além do balé, existem outras matérias que são incluídas nos currículos das grandes escolas internacionais, como mímica, danças folclóricas, improvisação, teoria musical, chegando mesmo algumas a fazer com que os alunos estudem um instrumento musical. As principais, hoje, estão localizadas na U.R.S.S., Inglaterra, França e E.U.A.



  

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional