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Os mais famosos compositores da linha do tempo

GOMES, ANTONIO CARLOS (1836 – 1896)

Última modificação : Segunda, 19 Outubro 2015 16:09



ERA ROMÂNTICA

BRASIL

 

Vida. Compositor brasileiro, Antonio Carlos Gomes nasceu em Campinas, São Paulo, a 11 de julho de 1836 e morreu em Belém do Pará a 16 de setembro de 1896. Estudou música em Campinas com o pai e teve sucesso em São Paulo com o Hino Acadêmico e com a modinha Quem sabe? (1859). Continuou os estudos no Conservatório do Rio de Janeiro, onde foram representadas suas primeiras óperas: A Noite do castelo (1861) e Joana de Flandres (1863). Com uma bolsa do conservatório estudou em Milão (1864) com Lauro Rossi, diplomando-se em 1866. Em Milão obteve grande sucesso com a ópera Il Guarany (1870), com libreto em língua italiana.

 

O sucesso das suas óperas continuou no Brasil: no Rio, São Paulo e Salvador. Voltou à Itália, com bolsa de D.Pedro II, que perdeu pela proclamação da república. É ostracizado pelos novos governantes. A ópera Condor (1891) e a obra coral Colombo (1892), escrita para o quarto centenário da descoberta da América, não obtém sucesso. O compositor encontra-se em grave dificuldade financeira, da qual o salva o governo do Pará, nomeando-o (1895) diretor do conservatório em Belém. Já muito doente, não chegou a empossar-se nesse cargo.

 

Modinhas. A parte mais autenticamente nacional das obras de Carlos Gomes talvez seja suas modinhas, escritas ao gosto do romantismo do II Reinado. Citam-se os títulos: Suspiros d´alma, As Baianas, Mamãe disse, Foi meu amor um consolo, Bela ninfa de minh´alma, Conselhos, Uma Paixão amorosa e a já citada Quem sabe? (“Tão longe, de mim distante”). Também são distantes do nosso gosto essas melodias, que guardam, porém, o encanto como que murcho de um passado romântico da mentalidade brasileira.

 

Óperas. Romântico, Carlos Gomes também o é em sua música de teatro. Mas o único romantismo teatral de que, pelo ambiente da mocidade e pela formação na Itália, teve conhecimento, foi o das óperas da segunda fase de G.Verdi. Nesse estilo escreveu Il Guarany (1870), com libreto tirado do romance homônimo de José de Alencar (O Guarani), obra estreada com grande sucesso no Teatro alla Scala de Milão e, logo depois, no Rio de Janeiro. É uma das melhores óperas entre as muitas dos discípulos de Verdi. Mantém-se no repertório, e a protofonia também é frequentemente executada nos concertos.

 

A melhor ópera de Carlos Gomes é, no entanto, Fosca (1873), na qual se nota o emprego do Leitmotiv, embora sem qualquer intenção de adotar o estilo de Wagner. Salvatore Rosa (1874) e Maria Tudor (1879) são óperas verdianas, algo convencionais. A tentativa ambiciosa de criar uma ópera autenticamente nacional, Lo Schiavo (1889 – O Escravo), só teve meio sucesso, por causa do libreto, mas contém a melhor música que o compositor chegou a escrever.

 

Os libretos de todas as óperas de Carlos Gomes são redigidos em italiano. Foi o costume da época, contribuindo para a música de Carlos Gomes parecer mais italiana que brasileira. Contudo, Il Guarany e Lo Schiavo são as melhores óperas do repertório nacional e Carlos Gomes foi, durante muito tempo, considerado como espécie de compositor oficial do Brasil. Mudou, porém, o gosto, e os modernistas de 1922 condenaram decididamente essa música italianizante. Mas o público ficou fiel à sua preferência e, mais tarde, o próprio Mário de Andrade fez a tentativa de provar a qualidade de Carlos Gomes, embora apoiando-se mais no espírito dos libretos do que nas partituras.

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional