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Os mais famosos compositores da linha do tempo

MOZART, WOLFGANG AMADEUS (1756-1791)

Última modificação : Sexta, 13 Dezembro 2013 16:18


AUSTRÍACO – ERA CLÁSSICA – 655 OBRAS 

 

Provavelmente o mais prodigioso músico de todos os tempos, as primeiras turnês de Mozart pela Europa não apenas o tornaram famoso, como o familiarizaram com diversos estilos musicais que ele sintetizou em suas próprias obras cosmopolitas. Único na história da música pela excelência em todas as formas e gêneros e dono de espantosa fluência produtiva, foi o primeiro compositor importante a tentar se firmar como músico independente.

 

Vida. Compositor austríaco, Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em Salzburg a 27 de janeiro de 1756 e morreu em Viena a 6 de dezembro de 1791. Desde os três anos de idade revelou excepcional aptidão musical, estudando o cravo com seu pai, Leopold Mozart, também músico. Aos seis anos, Mozart já compunha. O pai levou-o então em várias viagens, a fim de exibir o prodígio, primeiro à corte imperial de Viena, depois a diversas cidades européias e finalmente a Paris. Em Londres, demoraram-se um ano e meio, e ali conheceu Johann Christian Bach, que exercia influência sobre as suas obras juvenis.

 

Aos 11 anos Mozart já compunha óperas. Aos 16 já tinha composto 135 obras em todos os gêneros. Entre 1769 e 1773 viajou por toda a Itália, e algumas de suas óperas foram representadas em Milão. Voltou em 1773 à Áustria, e em Viena esteve sob a influência de Haydn, a quem dedicou, mais tarde, seis quartetos. Em Salzburg, suas relações com o tirânico arcebispo Colloredo tornaram-se tensas. Viajou a Paris, em 1778.

 

É dessa época o seu amor, depois rejeitado, por Aloysia Weber, que conhecera em Munique. Em 1779, quando retornou a Salzburg, assumiu o posto de organista da corte, mas em 1781 veio o rompimento definitivo com Colloredo, aristocrata soberbo que o tratava como a um criado.

 

Em 1781 Mozart se estabelece em Viena e no ano seguinte casa-se com Constanze Weber, irmã de Aloysia. Nesses dez últimos anos de vida compôs as suas maiores obras para o palco e parte importante de sua música instrumental. Mas viveu em dificuldades e só em 1787 lhe foi concedida, pelo imperador José II, uma pensão anual como compositor da corte, Kammermusikus, posto ocupado antes por Gluck. Sua ópera Don Giovanni obteve êxito em Praga, mas não em Viena, graças à má vontade do diretor da Ópera, Salieri. Mozart atravessou freqüentes dificuldades em seus anos finais e terminou sepultado em vala comum.

 

Caracterização. Mozart costuma ser citado como um elo da cadeia do Classicismo vienense, entre Haydn e Beethoven. A classificação, embora cômoda, não corresponde à verdadeira posição do compositor. Mozart não foi o continuador de Haydn nem o antecipador de Beethoven. O que não quer dizer que em sua obra não houvesse os germes de uma evolução. Ao contrário de Haydn, que utilizou o folclore austríaco, húngaro e eslavo, Mozart foi italianizante: usou a linguagem do seu tempo, sua obra está impregnada do estilo da época.

 

Mas na manipulação desse estilo algo impessoal foi mestre inconfundível. Seu poderoso senso arquitetônico elaborou estruturas perfeitas, coerentes, tanto na música instrumental como na dramática, na coordenação das árias. Foi, pela disciplina formal, um clássico. Mas muito se discute se não foi pelo espírito, um pré-romântico. Pois está hoje desfeita a imagem de um Mozart rococó, brilhante e preciosista. Se algo existe desse Mozart, é em sua música feita de encomenda. Outro Mozart subsiste, mais complexo e soturno, em parte da música de câmara e nas suas grandes óperas.

 

A ópera de Mozart. Compositor essencialmente vocal foi na ópera que se realizou de modo mais completo o gênio de Mozart. As primeiras óperas datam ainda da adolescência do mestre. Ao todo realizou 23 óperas, destacando-se seis, todas elas do último período de sua vida. A primeira é Idomeneo, re di Creta (1781), influenciada por Gluck; os coros solenes e o brilho da orquestra dão a obra o caráter de espetáculo majestoso. Diferente é Die Entführung aus dem Serail (1782; O Rapto do serralho), comédia brilhante, com algumas imperfeições de conjunto, mas com números de destaque: a música de Mozart supera as falhas da estrutura dramática. Essas falhas desaparecem em Le Nozze di Fígaro (1786; As Bodas/Núpcias de Fígaro), que marca o início de sua colaboração com o grande libretista Lorenzo Da Ponte. Nela, a música exprime com perfeição os caracteres e não elimina totalmente a tendência revolucionária.

 

Don Giovanni (1787: Il dissoluto punito, ossia Il Don Giovanni) talvez seja a maior dessas obras primas. A obra leva o subtítulo de dramma giocoso, que talvez exprima a intenção do libretista Da Ponte. Mas é a ópera mais complexa de Mozart. A mais ambígua, porque resume, nos seus acentos trágicos, eróticos e burlescos, a própria existência humana. Na sua aparente heterogeneidade, a obra guarda perfeita coerência entre música e construção dramática. Em Così fan tutte (1790; Assim fazem todas), também em colaboração com Da Ponte, o tom é deliberadamente artificial: retrato de uma época frívola, ironicamente expressa na própria música, em perfeita união com o texto.

 

Após a comédia de equívocos de Cosi fan tutte, surge a ópera mais heterogênea de Mozart, Die Zauberflöte (1791; A Flauta mágica). Das incoerências do libreto, Mozart tirou uma obra de grande riqueza, numa síntese de estilos: ópera séria, comédia musical popular, tragédia filosófica e drama sentimental. A música que acompanha essa trama complicada é também a síntese do seu universo musical.

 

Música sacra. Mozart realizou-se sobre tudo na música dramática profana. Tinha escrito, por obrigação profissional na corte eclesiástica, grande variedade de peças litúrgicas, mas não foi espírito religioso. Suas missas, como a famosa Missa da Coroação, em Dó maior, K. 317 (1779), não têm a gravidade exigida pelo gênero. A exceção seria a missa em dó menor K. 427 (1783), deixada incompleta. Também incompleto ficou o Réquiem, K. 626 (1791), de conteúdo mais dramático do que litúrgico, obra-prima final escrita às vésperas de sua morte.

 

Música sinfônica. Mozart escreveu ao todo 52 sinfonias. Como foram escritas em épocas diversas, pode-se, através delas, ter-se uma idéia de sua evolução estilística, no aproveitamento inventivo das melodias e no aperfeiçoamento da elaboração construtiva. As obras- primas são naturalmente da fase final e revelam, em sua plenitude, a sabedoria arquitetônica de Mozart: a Sinfonia nº 35 (Linz), em Dó maior, K. 425 (1783), a Sinfonia nº 38 (Praga), em Ré maior, K. 504 (1786), a Sinfonia nº 39 em Si bemol maior, K. 543 (1788), a Sinfonia nº 40 em sol menor, K. 550 (1788) e a Sinfonia nº 41 (Júpiter), em Dó maior, K. 551 (1788). São todas, obras freqüentes no repertório de concertos, testemunhos da inventividade e energia de Mozart.

 

Concertos para piano e orquestra. Parte importante na obra de Mozart é a dos concertos para orquestra. A forma do concerto ainda estava indefinida em meados do século XVIII, não havendo distinção nítida entre a forma concertante e a música para orquestra de câmara. Foi Carl Philipp Emanuel Bach o primeiro a desenvolver o contraste entre instrumento solo e orquestra.

 

Os concertos de Mozart para piano e orquestra contribuíram decisivamente para a formação do gênero, desenvolvendo-o em escala mais ampla.

 

É famoso o Concerto em Ré maior (Coroação), K. 537 (1788). As obras mais perfeitas que deixou no gênero são, contudo, o Concerto em ré menor, K. 466 (1785), o Concerto em Mi bemol maior, K. 482 (1785), o Concerto em Lá maior, K. 488 (1786), o Concerto em dó menor, K. 491 (1786) e o Concerto em Si bemol maior, K. 595 (1791). Citação à parte merece o Concerto em Lá maior para clarinete e orquestra, K. 622 (1791), pela sua extraordinária invenção melódica. Devem ser mencionadas, por fim, as obras para piano solo de Mozart, que percorre a escala do estilo gracioso e rococó da Sonata em Lá maior, K. 331 (1778), até a mais forte intensidade da Sonata em Dó maior K. 457 (1784), que antecipa Beethoven.

 

Música de câmara. Finalmente, é na música de câmara que se revela a maior complexidade do espírito de Mozart, a zona de sombra entre uma intensa energia e uma melancolia profunda, que desmente a imagem do Mozart rococó, brilhante, mas superficial. Essa imagem ainda pode persistir na popularíssima Eine Kleine Nachtmusik, K. 525 (1787; Um Pequeno sarau noturno). Não será o mesmo quanto ao sutil e complexo Divertimento para o trio de cordas em Mi bemol maior, K. 563 (1788), que desmentindo seu título, não pode ser colocado na simples categoria de ‘divertimento’ musical.

 

As mais importantes obras camerísticas de Mozart são da sua maturidade, ou melhor, dos anos finais de sua vida. Lugar importante deve ser reservado à Sonata para violino e piano em Lá maior, K. 526 (1787), e também para o melancólico Trio para clarinete, piano e viola em Mi bemol maior, K. 498 (1786). São obras de grande riqueza e equilíbrio estrutural o Quinteto para piano e instrumentos de sopro em Mi bemol maior, K 452 (1784), o Quarteto para piano e cordas em sol menor, K. 478 (1785), os Quintetos para cordas em sol menor, K. 516 (1787), e em Si bemol maior, K. 614 (1791), e o Quinteto para clarinete e cordas em Lá maior, K. 581 (1789).

 

O resultado mais perfeito da música camerística de Mozart encontra-se nos seis quartetos dedicados a Haydn. São obras que, ao lado do experimentalismo formal que transparece em algumas, revelam uma complexa interioridade espiritual. São os Quartetos em Sol maior, K. 387 (1782), em ré menor, K. 421 (1783), e em Si bemol maior, K. 428 (1783), em Lá maior, k. 464 (1784), em Dó maior (Dissonâncias), K. 465 (1785), e em Si bemol maior (A Caça), K. 458 (1784). No quarteto Dissonâncias, de tonalidade indeterminada, Mozart realizou sua mais ousada experiência harmônica.

 

Catálogo das obras de Mozart. As obras de Mozart são identificadas pela letra K., seguida de um número que designa a ordem cronológica das composições. O "K." vem do nome de Ludwig Von Köchel, que organizou um catálogo das obras de Mozart, publicado em 1862 sob o título de Chronologisch-thematisches Verzeichnis sämtlicher Tonwerke W.A. Mozart (Registro cronológico-temático de todas as obras musicais de W.A. Mozart). Em alemão a sigla é KV, isto é, Köchel-Verzeichnis. Uma revisão definitiva desse catálogo foi elaborada por Alfred Einstein, em 1937.

 

 


Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional

 

 


Catálogo das obras. Mozart começou a catalogar as suas obras somente a partir de 9 de fevereiro de 1784, sendo que as 450 obras anteriores a essa data ficaram não catalogadas.

 

Em 1851, o botânico, mineralogista e biógrafo musical Ludwig Köchel (1800-1877), decidiu compilar a obra completa de Mozart. É daí a letra K  que aparece junto de suas obras – ou KV em alemão, que significa Köchel Verzeichnis, catálogo Köchel. Entre 1851 e 1862 ele pesquisou e catalogou as obras de Mozart em ordem cronológica, da mais antiga para a mais recente, sendo K.1 um minueto para cravo – a primeira obra que se tem notícias, e K.626 o Réquiem – obra inacabada.


Em 1862 foi publicado o Chronologisch-thematisches Verzeichnis sämtlicher Tonwerke W.A.Mozart – Registro cronológico-temático de todas as obras musicais de W.A.Mozart, com 551 páginas. Esse catálogo inclui os compassos iniciais de cada obra, o tão conhecido “incipit”. Köchel tentou ordenar as peças em ordem cronológica, mas as escritas antes de 1784 foram numeradas aleatoriamente.

 

Outras edições desse catálogo foram organizadas por Alfred Einstein (1937) e por Franz Giegling, Gerd Sievers e Alexander Weinmann (1964), incluindo várias correções.

 

A numeração de Köchel possibilita termos uma idéia da época em que Mozart escreveu uma determinada peça. Por exemplo, para Kn > 100, divida o “n” por 25 e adicione 10, o que dará a idade estimada quando Mozart escreveu essa peça. Se adicionarmos 1756, teremos uma idéia do ano.

 

Vale notar que pouquíssimas obras de Mozart foram publicadas durante a vida do compositor; daí a maior parte delas ter um número Köchel, mas não um número de opus.

 

Curiosidades. Mozart foi batizado um dia após o seu nascimento na catedral de São Ruperto, com o nome latino de Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart. Ele passou a vida mudando o seu nome, como também a forma como era chamado pelos outros. Os dois primeiros nomes de batismo recordam que o seu dia de nascimento, 27 de janeiro, era o dia de São Crisóstomo. “Wolgangus” era o nome do seu avô materno e “Theophilus” era o nome de seu padrinho. Mozart continuou, mais tarde, a fazer modificações no seu nome, em especial o nome do meio, “Theophilus” (Teófilo) que significa, em grego “Amigo de Deus”. Só em raras ocasiões usou a versão latina desse nome “Amadeus”, que hoje tornou-se a mais comum. Ele preferia a versão francesa “Amadè ou Amadé”. Usou também as formas italiana “Amadeo” e a alemã “Gottlieb”.  Amadeus” foi adicionado ao seu nome após sua viagem à Itália. É a versão italiana para Theophilus.