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Os mais famosos compositores da linha do tempo

SHOSTAKOVICH, DMITRI (1906-1975)

Última modificação : Sexta, 24 Julho 2015 17:09



RUSSO - MÚSICA MODERNA - RÚSSIA E URSS - 110 OBRAS

 

Ao lado de Britten, Shostakovich foi o compositor mais popular de meados do século XX. Suas 15 sinfonias são reconhecidas como as maiores desde as de Mahler, e seus 15 quartetos de cordas os mais relevantes desde os de Bartók. Mas foi figura polêmica: os modernistas desacreditaram como reacionário, ou lacaio do regime soviético, e recentes tentativas de encontrar mensagens anti-stalinistas em sua música provocaram um debate feroz.



Vida. Nasceu em São Petersburgo, em 25 de setembro de 1906 (conforme o calendário antigo: 12 de setembro) e faleceu em Moscou, em 09 de agosto de 1975.

Embora tenha frequentemente trabalhado para o próprio governo soviético e seus líderes, como Josef Stalin, que o comissionaram por muitas vezes para escrever obras celebratórias, conseguiu criticar como poucos, utilizando-se apenas de sua música, a opressão stalinista e a atmosfera de terror que reinava na União Soviética. Exatamente por isso sofreu diversas tentativas de censura, mas continuou lutando pela independência da criação artística até o fim de sua vida.
 
Aos nove anos começou o aprendizado de piano com sua mãe que era pianista. Em 1919 ingressou no Conservatório de São Petersburgo (então Petrogrado), onde estudou piano com Leonid Nikolayev e composição com Maximillian Steinberg. Os estudos de piano prolongaram-se até 1923 e os de composição até 1925. Em 1926, sua Sinfonia nº1, peça de formatura da classe de composição, é bem recebida. Recebeu menção honrosa em piano no prestigiado Concurso Chopin de Varsóvia na edição de 1927. Escreveu trilhas sonoras para filmes e chegou a trabalhar no teatro com Meyerhold.
 
Recebeu vários prêmios: em 1954, de Artista do Povo da URSS e de Membro Honorário da Real Academia Sueca de Composição; em 1956, a Medalha da Ordem de Lênin, além do Prêmio Lênin de Composição em 1958 e 1966, e no mesmo ano de 1958 o título de Doutor honoris causa pela Universidade de Oxford e pela Universidade de Dublin, em 1968. Em 1966 a medalha de ouro da Real Sociedade Filarmônica de Londres. Em 1948 viajou para os Estados Unidos como delegado soviético na Conferência Mundial da Paz e pode observar o sucesso que suas obras tinham no exterior, principalmente sua Sinfonia nº5.
 
Sua música costuma ser bastante envolvente, com forte uso de temas militares, comuns à época em que viveu (comunismo, Segunda Guerra Mundial, entre outros). Além disso, ao compor quinze sinfonias, foi um dos maiores sinfonistas do século XX. Também escreveu uma suíte para orquestra de jazz, dois concertos para piano e orquestra, concertos para violino e violoncelo e diversos quartetos de cordas, além de duas óperas e obras para piano solo.
 
A censura soviética. No final da década de 1920 o clima cultural da União Soviética caracterizava-se por uma relativa liberdade. No campo musical isso significava a possibilidade de conhecer as obras de músicos que, como Stravinsky ou Schönberg, estavam fazendo experiências muito importantes na linguagem musical. Por exemplo, Bartók e Hindemith conseguiram visitar a URSS e apresentar suas próprias obras.
 
Shostakovitch absorveu essas várias influências e integrou-as nas suas composições. Como resultado, compôs em 1928 a ópera “O Nariz”, que motivou uma forte crítica por parte da Associação Proletária de Compositores Russos, que a qualificou de burguesa.
 
Desta forma os anos seguintes foram marcados pelo instável equilíbrio que Shostakovitch manteve entre as exigências da sua própria inspiração e das próprias autoridades culturais de seu país. Incapaz de obedecer completamente às exigências do regime, o músico procurou integrar as sucessivas críticas provocadas por suas composições.
 
Em 1932 o jornal Pravda opinou sobre uma nova ópera, intitulada “Lady MacBeth”, do Distrito de Mzensk. As suas óperas criadas até aquela data, somadas à sua
Sinfonia nº 4, foram censuradas e proibidas de serem apresentadas publicamente até 1937.
 
Durante a Segunda Guerra Mundial houve um abrandamento da censura e o compositor pode sentir uma brisa cultural na União Soviética. Após o fim da guerra as críticas foram retomadas e o compositor sofreu nova censura por sua Sinfonia nº 8 ”Stalingrado”. As críticas levaram o compositor a restringir suas aparições públicas até a morte do ditador Josef Stalin, em 1953.
 
 
Fonte: Wikipédia