ConcertinoPortal de pesquisa da música clássica

Os mais famosos compositores da linha do tempo

SCHÖNBERG, ARNOLD FRANZ WALTER (1874-1951)

Última modificação : Sexta, 11 Julho 2014 15:48



AUSTRÍACO – SEGUNDA ESCOLA VIENENSE – 213 OBRAS 


 

Schoenberg foi provavelmente o compositor do século XX que mais suscitou incompreensão e controvérsia. Continua sendo um paradoxo: sua música rompeu com o passado embora ele se julgasse parte da tradição da música alemã e a despeito do seu abandono da tonalidade como passo inevitável do progresso musical. Também foi um grande professor autodidata. Sua música pode parecer inacessível, mas ele também fez arranjos para valsas de Strauss.



Vida. Shoënberg nasceu em Viena no dia 13 de setembro de 1874 e morreu em Los Angeles no dia 13 de julho de 1951. Desde 1892 dedicou-se exclusivamente ao estudo da música, compondo os primeiros Lieder em 1897. Passou a ganhar a vida, em Berlim, como orquestrador de operetas. Retornando a Viena, desenvolveu intensa atividade pedagógica. Suas composições foram recebidas com escândalos. Fundou uma associação de execuções musicais privadas, especializada em música moderna. Em 1925 foi nomeado sucessor de Busoni na Akademie der Künste (Academia de Artes) de Berlim, sendo demitido em 1933, com a ascensão do nazismo. Partindo para Paris, reconverteu-se ao judaísmo por solidariedade aos judeus perseguidos. Seguiu, depois, para os Estados Unidos, onde foi nomeado, em 1936, professor da University of Califórnia, em Los Angeles. 


Caracterização. O nome de Schöenberg evoca, ao mesmo tempo, a continuidade e a ruptura musical. Inventor de um novo sistema musical – o dodecafonismo ou música serial – rompeu com o sistema tonal tradicional, herdado de Bach e Rameau. Suspendendo as funções tonais, tinha chegado ao atonalismo, que é o termo de sua primeira etapa. 


Sua etapa final, construtiva, é a música serial, em que a obra se elabora segundo uma série em que estão representados, sem nenhuma hierarquia, os 12 sons da escala cromática. Foi uma evolução sistemática, que partiu do hipercromatismo de Wagner, em “Tristão e Isolda”, para chegar à dissolução tonal – atonalismo – e, depois dessa, à construção do seu próprio sistema. Por isso, por ter desenvolvido até o último limite as conquistas pós-românticas, Schöenberg merece ser considerado também o continuador de uma tradição. Schöenberg teve que se defender contra uma permanente objeção ao sistema serial: esse seria um entrave à liberdade criadora. Mas durante toda a sua carreira nunca transigiu. Em suas obras finais alguns viram a tentativa de conciliação entre o seu método e o sistema tonal clássico. Mas seu retorno, passível de discussão no plano estético, seria compreensível em outro plano – o da expressão pessoal. 


Obra. Depois de uma produção inicial no estilo romântico, Schöenberg desenvolveu uma linguagem musical completamente nova. Obras como a Sinfonia de Câmara nº1 e o Quarteto de Cordas nº2, levaram a dissonância a patamares jamais imaginados. O último movimento do Quarteto nº2 cita apropriadamente o poeta alemão Stefan Georg: “Sinto o ar de outros planetas”. As Três peças para piano, opus 11, confirmam esse novo estranho planeta: são efetivamente atonais e expressionistas. Essa atonalidade livre liberava Schöenberg de compor num tom específico e melodias tradicionais foram substituídas por atitudes expressivas e alturas e dinâmicas radicais. Mais tarde reduziu a música a uma forma que reflete o neoclassicismo da época. 


Na fase final, nos Estados Unidos, Schöenberg tentou o que muitos julgavam inviável: a síntese entre a música serial e a tonalidade clássica. Desconcertou aos que o julgavam intransigente, reconhecendo que a necessidade de expressão, e não a pesquisa metódica, determinava o ato criador. 




Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional