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Os mais famosos compositores da linha do tempo

VERDI, GIUSEPPE (1813-1901)

Última modificação : Terça, 26 Julho 2016 15:18



ITALIANO – ÓPERA ROMÂNTICA – 42 OBRAS

 

Verdi compôs óperas ao longo de toda a sua vida. Desenvolveu sua arte a partir de influências de Rossini, Bellini e Donizetti, passou pelo uso das formas da grand opéra francesa escritas para Paris e, finalmente, chegou à criação de grandes obras-primas shakespearianas, Otello e Falstaff, nas quais esboçavam-se algumas das inovações de Wagner na forma lírica. Sua originalidade e fecundidade não tem paralelo. 

 

Vida. Compositor italiano, Giuseppe Fortunino Francesco Verdi nasceu em Roncoli, perto de Busseto (Parma), a 10 de outubro de 1813 e morreu em Milão a 27 de janeiro de 1901. De família humilde, o menino aprendeu a tocar órgão. O comerciante Barezzi possibilitou-lhe o estudo da música em Milão, e Verdi casou-se com a jovem Margherita, filha do mecenas. Mas em 1840 morreram seus dois filhos e, logo depois, a esposa. Recomeçando a vida, o compositor teve grades êxitos com as óperas Nabuco (1842) e I Lombardi Allá prima crociata (1842; Os Lombardos na primeira cruzada). O sucesso nacional e internacional de Rigoletto (1851), Il Trovatore (1853) e La Traviata (1853) tornou Verdi o mais famoso compositor italiano da época.

 

Aos sucessos internacionais correspondia a glória nacional; a música de Verdi acompanhou a transformação da península italiana em estado independente, livre e unitário. Para a abertura do canal de Suez foi encomendada a Verdi a ópera Aida (1871), seu maior triunfo. No seu testamento, o octogenário deixou sua grande fortuna a uma fundação para ajudar jovens músicos pobres.

 

Primeira fase. Durante muitos anos, as óperas de Verdi só foram representadas na Itália. Mas por volta de 1920 surgiu, sobretudo na Alemanha, uma “renascença de Verdi”, que descobriu, naquelas obras, notáveis belezas musicais: Ernani (1844), libreto tirado do Hernani de Victor Hugo; MacBeth (1847), com libreto tirado de Shakespeare; I Masnadieri (1847; Os Bandoleiros) e Luisa Miller (1849), com libretos segundo dramas de Schiller. Nessas obras Verdi já é o maior representante italiano do Romantismo musical.

 

Ópera popular. Rigoletto (1851), Il trovatore (1853) e La Traviata (1853) foram os maiores sucessos de Verdi e são até hoje as óperas mais representadas no mundo inteiro, a verdadeira base do repertório. A crítica reagiu contra essa extraordinária popularidade, considerando as três obras como vulgares, inspiradas por falso romantismo. A censura da vulgaridade não percebe a extraordinária riqueza da invenção melódica, e a censura do pseudo-romantismo não percebe os elementos realistas; no palco da ópera, até então povoado apenas por grandes figuras mitológicas e históricas, aparece em Rigoletto um corcunda e em La Traviata uma prostituta. O quarteto no último ato de Rigoletto e o prelúdio instrumental do último ato de La Traviata são trechos magistrais de música absoluta.

 

Mas, antes de tudo, o romantismo das óperas de Verdi não é trivial. Os libretos, nos quais o compositor sempre colaborou, revelam até ao espectador menos musical os ideais de Verdi, não menos elevados que os de um Wagner: a fé na capacidade redentora do amor, a simpatia pelos humilhados e ofendidos, o protesto contra a injustiça do mundo; e é inegável a tragicidade dos grandes finais.

 

Transição. Todas essas qualidades também se encontram nas obras de transição para a última fase de Verdi: nas óperas fortemente melodramáticas Un ballo in maschera (1859; Um Baile à fantasia) e La Forza Del destino (1862), na sombria “grande ópera” histórica Don Carlo (1867) e sobretudo na grandiosa Aida (1871), que devido ao seu acompanhamento orquestral mais elaborado, já costuma ser considerada como começo da última fase.

 

Última fase. Na verdade, a última fase da velhice de Verdi, começa com o Requiem (1874), escrito para o primeiro aniversário da morte do grande romancista Manzoni. O Requiem foi, na época, criticado por ser mais música teatral e operística, do que música sacra; hoje ninguém contesta a essa música meio apaixonada e meio mística o lugar ao lado do Requiem em alemão de Brahms. Depois de longa pausa Verdi escreveu o Otello (1887), a mais dramática e a mais trágica das suas óperas, e enfim deu o octagenário sua primeira ópera cômica,  Falstaff (1893), cuja humorística fuga final é o resumo de sua grande sabedoria da arte e da vida. As últimas obras de Verdi são as quatro nobres pezzi sacri (peças sacras): Ave Maria (1889), Stabat Mater (1898), Laudi (1898) e Te Deum (1898).

 

A posteridade. O enorme sucesso popular que acompanhou toda vida de Verdi persiste até hoje. Mas mudou a atitude, inicialmente hostil, da exigente crítica musical graças, sobretudo, aos esforços de Toscanini, do musicólogo inglês Francis Toye e do romancista austríaco Franz Werfel.

 

 


Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional