ConcertinoPortal de pesquisa da música clássica

Os mais famosos compositores da linha do tempo

HARPA

Última modificação : Segunda, 26 Janeiro 2015 17:25



A harpa é um instrumento de história gloriosa, sempre no centro das atenções do mundo musical. Basta dizer que foi o instrumento do Rei Davi, e que Nero ateou fogo em Roma enquanto dedilhava sua harpa . É o instrumento nacional da Irlanda (observe a lata da cerveja Guinness) e está presente, de uma forma ou de outra, na música folclórica de praticamente todos os continentes.


Entretanto, por dois séculos (o XVII e o XVIII) a harpa perdeu a primazia, vindo a recuperá-la somente na metade do século XIX.  A explicação está na teoria musical. Justamente nesse período houve uma grande expansão da linguagem, de modo que as notas naturais da escala já não eram mais suficientes, e as alteradas (bemóis e sustenidos) tornaram-se indispensáveis. Nessa passagem a harpa ficou para trás.

 

Houve várias tentativas de dotar a harpa de recursos cromáticos (a possibilidade de tocar tanto as notas naturais como as alteradas). A mais óbvia consiste em construir harpas com uma corda para cada nota, mas este instrumento mostrou-se pouco prático. Uma evolução importante apareceu no sudeste alemão no final do século XVII. Consistia em acoplar pequenos ganchos a algumas cordas, próximos à cravelha. Uma vez acionado, o gancho subia a afinação da respectiva corda em um semitom. O sistema, entretanto, tinha uma grande desvantagem: os ganchos eram acionados com a mão, o que obviamente obrigava o harpista a tocar com uma só mão enquanto os manipulava.


Foi o construtor bávaro Jakob Hochbrucker quem teve a idéia de acionar os ganchos com os pés, por meio de um mecanismo bastante complexo. Isto representou um grande avanço, mas ainda não o suficiente para devolver à harpa seu lugar de destaque, pois o sistema de Hochbrucker dava conta dos sustenidos, mas ainda faltavam os bemóis. De qualquer modo, a harpa a pedais tornou-se bastante popular, especialmente depois que Maria Antonieta, que era harpista, chegou à França em 1770. Nesse período a França tornou-se grande construtora de harpas.

 

Um artesão francês – Sébastien Érard – foi o responsável pelos passos seguintes. Primeiro ele aperfeiçoou os ganchos, substituindo-os por discos giratórios e pinos, e a caixa de ressonância; depois fixou todo o mecanismo numa sólida estrutura metálica, como a do piano. Em 1810 Érard patenteou o sistema de pedais de dupla ação. Por esse sistema, cada pedal tinha três posições: bemol, natural e sustenido. E assim, a harpa foi finalmente libertada da era diatônica chegando ao cromatismo.O instrumento é bastante pesado e requer uma notável resistência física do executante que usa somente oito dedos para tocá-la – os harpistas não usam os dedos mínimos. 



Vídeo