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INSTRUMENTOS MUSICAIS | HISTÓRIA

Última modificação : Terça, 01 Dezembro 2015 16:13



Conceituação. Instrumentos de música são todos os objetos que, pela intervenção de um executante, produzem sons de altura e timbre determinados ou ruídos em sucessões rítmicas. A matéria-prima do universo musical – o som – exige ser comunicada. Mas os instrumentos não toleram o pensamento puro: levam-no a se realizar, isto é, a se ultrapassar. Cria-se uma dependência recíproca entre matéria e material musicais. Figura mediadora, o executante liberta a idéia sonora que foi criada para o instrumento. Sua validade reside na adequação aos objetivos da arte sonora: prova-se até que ponto o instrumento permite expressar a linguagem musical para qual foi eleito.

 

Vida e morte dos instrumentos. Essas invenções materiais, correspondendo às necessidades dos músicos, desenvolveram-se dialeticamente, ora fecundando a criação, com seus recursos materiais, ora sofrendo modificações e aperfeiçoamentos para atender as novas exigências. Sua história demonstra cruzamentos férteis, em que o encontro de dois ou mais tipos origina formas de maiores possibilidades técnicas e expressivas. Se alguns são o resultado de longa evolução, outros desaparecem por completo. É possível acompanhar a trajetória – a ‘vida’ e a ‘morte’ – de um instrumento.

 

O alaúde é o exemplo de um lento desenvolvimento, de um apogeu no qual suas possibilidades correspondiam plenamente à música da época (Renascimento), e um processo de esquecimento e abandono; quanto à ampliação dos horizontes sonoros mobilizou novos veículos de expressão. O piano parece apresentar uma trajetória semelhante, e a crise da música contemporânea se deve, em parte, aos sintomas de exaustão dos instrumentos tradicionais.

 

Nos povos primitivos fundem-se a criação e a interpretação: o pensamento musical se manifesta imediatamente no instrumento pela ação do executante. A música ocidental interpôs a essa relação os sistemas de notação que, fixando-a, afastava a gênese da comunicação. Hoje, o aparecimento dos instrumentos eletrônicos permite uma reintegração do poder criativo da música. Neles novamente se realiza o ato criador: a obra está livre das limitações tradicionais e o músico volta a ter plenos poderes sobre o universo sonoro. Uma conquista da técnica abre novos horizontes enquanto que, paradoxalmente, repete as condições mais primitivas da música: volta-se a criar com o instrumento e não para ele, o que Boris de Schoezer chamou de “criação ex-nihilo”.

 

Fontes arqueológicas. Os achados mais antigos remontam ao Paleolítico superior; grande variedade de instrumentos da Antiguidade emergem das escavações feitas no Oriente Médio e na Ásia.

 

Fontes iconográficas. Como a música se ligou, em tempos antigos, às atividades mágicas e religiosas, foi ela objeto de representação iconográfica. Na pintura, na escultura, na cerâmica e na ourivesaria são inúmeras as cenas que representam dançarinos e instrumentistas. Da pintura rupestre e dos baixos-relevos da Antiguidade, a organologia recolhe informações preciosas sobre os instrumentos e sua forma de execução.

 

Fontes literárias. A literatura também fornece dados importantes. O Antigo Testamento, textos egípcios, gregos e romanos referem-se aos instrumentos; e certas designações correspondem só remotamente às espécies hoje conhecidas de instrumentos. Assim traduzir por ‘flauta’ o aulos grego e a tíbia romana (trata-se de um instrumento dotado de palheta) induz à evocação do doce som da flauta que é hoje familiar, mas não ao tipo de oboé estridente a que realmente se assemelhava. Dificuldades similares são propostas pelos tratados chineses, indianos e árabes.

 

O predomínio do canto na música medieval relegou as descrições dos instrumentos a uma posição secundária. Somente com a ascensão da música instrumental, a partir do Renascimento, é que surgiram os primeiros tratados de sólida informação.

 

Problemas acústicos. O empirismo e a intuição, na manipulação de corpos sonoros, precederam as pesquisas científicas sobre problemas acústicos. As formas básicas foram fixadas antes que os físicos gregos se preocupassem com a elaboração de leis a respeito dos sons. As propriedades do comprimento das cordas ou dos tubos acham-se presentes na fatura primitiva: uma sabedoria obscura a presidia a ponto de ter marcado, indelevelmente, os instrumentos que hoje são familiares.

 

A fixação das escalas. A reconstituição do passado musical deve muito aos estudos organológicos: o canto, não submetido à notação durante muito tempo e por seu caráter instável no que se refere aos intervalos, não podia fornecer informações sobre as escalas musicais. Mas uma primitiva flauta de Pan já apresenta a sucessão de sons fixos – com intervalos determinados -, que são à base dos sistemas de escalas musicais.

 

Origens dos instrumentos. A origem dos instrumentos musicais é problema complexo. O pensamento primitivo e as velhas culturas souberam responder com simplicidade: o instrumento é outorgado pelos deuses porque a música tem origem divina. Somente a divindade poderia dar ao homem aquilo com que se faz a música. Assim, a flauta se deve a Pan, a kilhára a Apolo e a harpa a Narada. Os chineses viam a natureza - o vôo do pássaro, o bambu que se inclina ao vento- a gênese do cheng e do k´in. A explicação racional fundamenta-se nos movimentos do corpo humano, nos objetos destinados às atividades cotidianas, lúdicas e guerreiras, e aos rituais mágico-religiosos.

 

Origens mágico-religiosas. Os rituais primitivos associaram ao canto e à dança o poder que os sons, produzidos materialmente, exerciam sobre as forças cósmicas e o desconhecido. James George Frazer (1854-1941) indaga se a música, nesse estágio, se propunha a atrair ou a expulsar os espíritos malignos; de uma forma ou de outra ela se manifestava, lançando mão dos materiais existentes, com finalidades mágicas e religiosas.

 

Os primitivos australianos atribuem a criação do mundo ao som de um tambor. No Islãm, as longas trombetas tocadas em quatro direções sucessivas asseguravam a posse dos quatro pontos cardiais, o domínio do espaço. Os instrumentos musicais foram, portanto, em parte criados para enfrentar os desafios cósmicos.

 

O cristianismo percebeu esse poder dos instrumentos e logo procurou bani-los do culto onde reinava somente a voz. Apenas os sinos e campainhas (que acentuam momentos máximos da liturgia) e o órgão foram aceitos. Durante muitos séculos calaram-se os instrumentos na vida religiosa; só não estavam esquecidos no pensamento místico.

 

Evolução dos instrumentos. Devem-se a Curt Sachs (1881-1959) as bases do conhecimento atual sobre essa matéria. O som atua poderosamente sobre o psiquismo humano; só num estágio cultural mais elevado o fenômeno atinge uma dimensão estética e obedece a princípios mais racionalizados. A princípio lançou-se mão daquilo que a natureza oferecia para a confecção de corpos sonoros. Depois, tudo que a técnica havia conquistado começa a ser explorado como corpo sonoro.

 

No Paleolítico superior, instrumentos de pedra e de osso aparecem como formas rudimentares de matracas, apitos e trompas. Já no Neolítico, peles estendidas sobre cavidades dão origem aos tambores com sons de altura determinada. Há flautas de osso e de bambu que produzem várias notas, por meio de orifícios, ou então combinadas, como flauta de Pan. Percute-se em lâminas de madeira ou em pedras: o mais antigo litofone data desse período.

 

A grande linhagem dos instrumentos de cordas friccionadas ou dedilhadas procede do arco musical. Já no terceiro milênio a.C. conhecem-se liras sumérias e sabe-se da presença de harpas e alaúdes no Egito.

 

Classificação geral dos instrumentos. Os instrumentos, considerados como uma classe, apresentam como primeiro atributo distintivo o timbre, que pode ser acusticamente explicado, mas que é, sobretudo, de evidência empírica. Pelo timbre se distingue um instrumento de outro e, mais subjetivamente, pela percepção de seus recursos expressivos. Para estabelecer um princípio de distinção dentro da classe é mais válido adotar o critério da maneira de produção do som; esse corresponde ao universo da música ocidental e permite incluir os instrumentos de outras culturas. O musicólogo inglês Robert Donnington defende esse sistema, considerando-o menos artificial. Apela para o sentido mais prático da arte sonora. O piano é instrumento de cordas; a força dos martelos não o transforma em instrumento de percussão. Partindo desses critérios, tem-se a seguinte classificação, que se apresenta com a mais satisfatória:

 

Ordem dos instrumentos de corda. As cordas sofrem vibrações longitudinais. São feitas de tripa, metal, seda, nylon etc., presas pelas extremidades, geralmente sobre uma cavidade ou um tampo de madeira. De seu comprimento e espessura depende a altura do som. As vibrações são ampliadas e os harmônicos variam segundo a estrutura do instrumento.

 

Subordem dos instrumentos de cordas friccionados: a) por meio de um arco (família dos violinos, violas, violoncelos, contrabaixos); b) por uma roda (antiga viola de roda).

 

Subordem dos instrumentos de cordas picadas: a) pelos dedos ou com auxílio de um plectro (família dos alaúdes, das guitarras, das citerns e das harpas); b) por meio de um mecanismo (família dos cravos e das espinetas).

 

Subordem dos instrumentos de cordas percutidas: a) por meio de martelos (família dos clavicórdios e dos pianos). Algumas famílias dos instrumentos de cordas são providas de teclado (cravo, piano etc.).

 

Ordem dos instrumentos de sopro. Neles se opera a vibração de uma coluna de ar contida num tubo, excitada pelas turbulências que resultam do sopro. Do tamanho e da temperatura da coluna de ar depende a altura do som; a configuração tubo influencia a formação dos harmônicos.

 

Subordem dos instrumentos de sopro direto: com embocadura na extremidade superior, sem bisel, ou com embocadura lateral (família das flautas).

 

Subordem dos instrumentos de sopro com palheta, cilíndricos ou cônicos: a) a palheta livre (família das gaitas de boca); b) palheta simples (família dos clarinetes e dos saxofones); c) palheta dupla (família dos oboés, dos fagotes e das gaitas de foles).

 

Subordem dos instrumentos soprados com os lábios: a) com bocal natural (família das trompas de caça, das cornetas e clarins de sinal); b) cromáticos, dotados de vara (família dos trombones); c) dotados de pistões (família dos cornetins, dos trompetes, das trompas cromáticas e das tubas).

 

Subordem dos instrumentos de sopro, tocados por meio de um teclado: família dos órgãos e dos harmônios.

 

Ordem dos instrumentos de percussão. Sofrem vibrações transversais numa membrana estendida sobre uma cavidade ressonante ou em corpos sólidos, mais ou menos elásticos. Têm um comportamento acústico complexo e emitem sons de altura mais ou menos nitidamente determináveis.

 

Subordem dos instrumentos de percussão de membrana: a) com sons determinados (família dos tímpanos); b) com sons indeterminados (família dos tambores, bombos e pandeiros).

 

Subordem dos instrumentos de percussão sólidos: entre esses há uma grande variedade, constituindo a maioria dos instrumentos primitivos; podem ser de metal, madeira, vidro, cerâmica etc. Destacam-se as famílias dos triângulos, xilofones, marimbas, pratos, castanholas.

 

Subordem dos instrumentos de percussão com cavidade percutidos internamente: família dos sinos, dos gongos, dos chocalhos etc.

 

Subordem dos instrumentos de percussão dotados de teclados: são híbridos, permitem maior agilidade e a execução de sons simultâneos (família dos carrilhões, dos celestas e Glockenspiel). No que se refere aos instrumentos de percussão, o presente sistema classificatório encontra sérias dificuldades, que foram melhor superadas pelas classificações de Sachs e de Schaeffner.

 

Ordem dos instrumentos eletrônicos: o princípio de funcionamento é um processo de vibrações transversais em um ou mais alto-falantes, alimentados por corrente elétrica periodicamente flutuante. Essa corrente é manipulada pela manipulação de oscilações partindo de válvulas termiônicas ou por circuitos eletrostáticos. Em resumo a eletricidade produz o som. Essa ordem se encontra em estágio de desenvolvimento, o que dificulta uma subdivisão em subordens e famílias.

 

Subordem dos instrumentos eletrofônicos melódicos: requerem um único circuito para alimentar o alto-falante. Introduzindo séries harmônicas suficientes para obter boa qualidade de timbre, o circuito precisa combinar taxas de oscilação, proporcionadas às freqüências que se deseja obter. Por meio de um condensador variável a altura pode ser graduada, mas só é possível usar um som de cada vez.

 

Subordem dos instrumentos eletrofônicos de teclado: devem possuir tantos circuitos completos quanto as notas incluídas.  Cada circuito se presta a uma manipulação que permite alterar o volume e o timbre do som. Entre esses se encontram os órgãos elétricos e as ondas Martenot.

 

Comércio

 

Classificação. Os instrumentos de música, segundo classificação para o comércio internacional, subdividem-se em:

1) instrumentos de teclado: a) pianos; c) acordeões; d) harmônicas; e) harmônios; f) órgãos, exclusive eletrônicos; g) pertences e acessórios para órgãos e outros instrumentos de teclado;

2) instrumentos de corda: a) bandolins; b) cavaquinho; c) guitarras; d) harpas; e) violinos; f) violões; g) violoncelos; h) cordas para instrumentos musicais (inclusive pianos); i) instrumentos de corda não especificados;

3) instrumentos de sopro: a) clarinetes; b) flautas, flautins e semelhantes; c) gaitas; d) instrumentos de sopro não especificados;

4) instrumentos de percussão: a) pandeiros; b) tambores e semelhantes; c) instrumentos de percussão não especificados;

5) instrumentos musicais eletromagnéticos, eletrônicos e semelhantes: a) toca-fitas; b) aparelhos registradores e reprodutores de imagem e som em televisão por processo magnético.

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional