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OBOÉ

Última modificação : Sexta, 27 Fevereiro 2015 18:00


 

Instrumento de sopro | Madeiras

 

PRECURSORES DO OBOÉ:

IDADE MÉDIA

Charamela – um primitivo “pré-oboé”

Museta – uma quase “pré-gaita de fole”

Cornamusa – a imediata precursora da gaita de fole

Bombarda – um “proto-histórico” oboé medieval, que existiu até por volta do início do século XVIII

Dulcina – também conhecida por dulciana, docina, dulzena, dulçaína, docaína – tipo de oboé primitivo que se usou na Europa entre os séculos XIV e XVII.

 

É na passagem do século XVII para o XVIII que o oboé propriamente dito começa a surgir na Europa, a partir da França, e ainda como um instrumento cheio de rudimentariedades e imperfeições. Segundo consta, o oboé decorre de uma transformação da primitiva charamela, na corte francesa, por volta de 1657 – oboé barroco. O início da atuação desse instrumento se tem como ocorrido nesse mesmo ano, na ópera L´Amour Malade, de Lully.

 

Em meados do século XVIII, o instrumento ganhou algumas modificações, mas foi no século XIX que o oboé ganhou a configuração atual. O oboé tem hoje um tubo de 57 cm, normalmente feito de ébano. Sua extensão é de duas oitavas e uma sexta, entre Si bemol 2 e Sol 5.

 

Trata-se de um instrumento com algumas notórias dificuldades de manejo, em decorrência de que, sendo mínima a quantidade de ar expirado que deve passar entre as lâminas de sua palheta dupla, o oboísta precisa expelir o ar que não utilizará antes de fazer nova inspiração.

 

Cabe lembrar que graças à penetrabilidade auditiva e à precisão quase senoidal de seu som, o oboé é o instrumento responsável pela afinação da orquestra, através da emissão do seu perfeito Lá 3 – Lá do segundo espaço do pentagrama na clave de Sol.

 

É quase um consenso que a vida de um oboísta é muito mais difícil que a dos demais instrumentistas, pois ele passa horas na preparação de uma palheta ideal. O oboé requer que o músico seja não somente um artista com sons, mas também um artista na mini escultura, assim como um bom conhecedor de engenharia mecânica, física e aerodinâmica. É inviável depender de outra pessoa para fazer as palhetas, pois seu som e esforço são individuais e o equilíbrio entre esses itens é fundamental para a criação musical do oboísta. Como a palheta é muito delicada, não há máquina capaz de fazer uma palheta de oboé até o final. Oboístas profissionais pegam um tubo de bambu seco, de diâmetro e qualidade específicos, e seguem um caminho tortuoso entre máquinas de goivar a cana – retirando a goma do interior da cana -, moldando e raspando-a com facas afiadíssimas, terminando em um instrumento em si capaz de expressar música em toda sua beleza.

 

CURIOSIDADE

Oboé vem do nome francês haut bois, que significa “alto (*) de madeira”, devido ao seu registro agudo. Embora a pronúncia atual de haut bois se assemelhe a oboá, até o século XVII a pronúncia era oboé. Como o instrumento já havia se espalhado pelo mundo quando esta mudança ocorreu, o nome permaneceu assim em português e em algumas outras línguas. Pela mesma razão, em algumas línguas o instrumento é chamado de oboá.


(*) A palavra “alto” significa, neste contexto, a segunda voz aguda do quarteto vocal clássico – soprano/alto/tenor/baixo – e, por analogia, o segundo instrumento agudo do quarteto de cordas – violino/alto/violoncelo/contrabaixo – bem como, o segundo instrumento agudo do quarteto de saxofones – sax-soprano/sax-alto/sax-tenor/sax-barítono.

 

 

Etimologia.  O esp. oboe (com alternância de oboé), já documentado em meados do século XVIII, port. oboé (com alternância de óboe), também do século XVIII, é empréstimo erudito ao fr. hautbois, este composto de haut, "alto", e bois, "madeira", na época em que esta última palavra ainda era pronunciada em francês como boé ou bwé. O fr. hautbois, sob grafia diferente, documenta-se em 1500. Enquanto o inglês mantém a forma aproximada do francês, pois é hautboy, o it. oboè, o al. oboe e hoboe adaptam-na mais ou menos como o fizeram o espanhol e o português.

 

História. Deve-se aos orientais a forma primitiva do instrumento, pois foi e ainda é conhecido dos persas, chineses e árabes. Divulga-se no Ocidente a partir do final do século XIV, generaliza-se durante todo o século XVI e designa então os tipos agudos de uma família de charamelas. Em 1655, aparece já empregada por Lully, nos conjuntos de acompanhamento de ópera e balé.

 

Descrição. O oboé moderno é um instrumento de madeira e palheta dupla, com um tubo cônico que mede 65 cm de comprimento. Os melhores são feitos de ébano. Possui 16 chaves e sua tessitura vai do si2 ao sol5. É considerado um instrumento em dó, de timbre anasalado, cuja técnica permite escalas e arpejos com facilidade. É geralmente fabricado em três partes separadas, além do tudel, onde se ajustam as palhetas duplas. Antes dos aperfeiçoamentos pelos quais veio passando através dos séculos, usava aberturas duplas, como nas flautas doces. Foram abolidas no final do século XVII e substituídas por duas chaves para o dó3 e o mi bemol3. Em 1727, foram acrescentadas mais duas chaves para o sol sustenido3 e o lá sustenido3. No início do século XIX, já se empregavam as chaves de oitavas.

 

O oboé moderno tem um dedilhado semelhante ao da flauta e do fagote. Muitos aperfeiçoamentos se baseiam nos que Boehm empregou para a flauta transversa. Deve também sua maior clareza sonora aos melhoramentos feitos nas paletas duplas. Sua música é escrita na clave de sol. O oboé é hoje um dos instrumentos mais importantes da orquestra, fazendo o papel de baixo contínuo. J.S.Bach o empregava muito para acompanhamento de árias de contralto. W.A.Mozart também compôs vários concertos para esse instrumento.

 

Oboé de caça. É um tipo obsoleto do oboé contralto e tem a mesma extensão do corne inglês, que o substituiu definitivamente. Johann Sebastian Bach usou-o no Weihnachtsoratorium e nas Paixões segundo São Mateus e segundo São João.

 

Oboé pastoril (ing. shepherd´s pipe; fr. musette).Era um instrumento de palheta dupla que às vezes combinava com uma bolsa de ar, como na gaita de foles. Constituía uma família, como as violas e as flautas doces.

 

No século XIII, foi empregado pelo rei Afonso X o Sábio (1221-1284), nas famosas Cantigas en loor de Sancta Maria. Certas províncias francesas o conservaram com a denominação de musetta, o que não deve ser confundido com as gaitas de foles do mesmo nome, mas compreendido como uma designação geral para pequenos oboés sem chaves ou charamelas em sol (às vezes em lá bemol), que no século XVII, eram muito apreciados nos círculos aristocráticos. Depois da segunda metade do século XVII, as musetas receberam chaves cromáticas.


 

Vídeo:

 

http://youtu.be/DhygJyCvYeA


 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional