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ÓRGÃO

Última modificação : Quarta, 30 Março 2016 15:21



Conceituação. Instrumento musical de sopro, de grandes proporções, composto de tubos que variam em número e altura, e que o organista faz soar por meio de um ou mais teclados manuais e um teclado de pedais ou pedaleira.

 

História e descrição. Com o nascimento da polifonia vocal, entre os séculos X e XI, o órgão tornou-se o instrumento principal da música sacra. As pequenas formas medievais evoluíram até o grande órgão das tribunas de igrejas e catedrais, já com função de instrumento solista.

 

Atualmente, consta o órgão de uma consola fixa ou móvel e do corpo sonoro onde se encontram os tubos e os someiros. A tubagem é a característica principal do instrumento. A cada tubo corresponde uma nota só, mas eles se agrupam em séries, chamadas registros ou jogos, que produzem sons idênticos quanto ao timbre, mas de alturas diferentes. O som é tanto mais grave quanto maior for o comprimento do tubo. A altura do tubo que produz o som mais grave determina a classificação, na escala sonora, do registro a que ele pertence: um 32 pés (cerca de 10m), um 16 pés, um 8 pés, um 4 pés, significa que o tubo maior desse registro mede 32, 16, 8 ou 4 pés de altura. Um 8 pés reproduz a nota na altura em que ela está escrita , um 16 pés, uma oitava abaixo. Os tubos que constituem um registro ficam juntos, de modo que todo o grupo possa ser controlado pelo organista. Num tubo distinguem-se o pé, a boca e o corpo sonoro.

 

Há três classes de jogos ou registros: os de fundo, também chamados de boca ou flautados, os de mistura e os de palheta. Cada jogo é uma unidade: existem órgãos de vinte, trinta, quarenta ou até mais de cem jogos.

 

Os jogos de fundo – principais flautas, gambás, bordões - nos quais o som é produzido pela vibração do ar no interior do tubo, agrupam tubos abertos ou fechados, feitos de madeira ou metal (liga de estanho e chumbo). Estes são de perfuração cilíndrica, achatados junto à boca, com uma ou duas exceções – o do Gemshorn (trompa dos Alpes), por exemplo, que é cônico. Os de madeira, retangulares, quadrados ou triangulares, não devem apresentar nós, nem sequer falhas ou rachas, e suas paredes devem ter a espessura suficiente para evitar a ressonância da madeira. Os jogos de fundo vão de 32 pés a 3/8 de polegada de altura e variam consideravelmente de diâmetro em relação à altura: os de diâmetro mais largo produzem sons mais cheios, e vice-versa. Um tubo fechado em sua parte superior soa quase que uma oitava abaixo de um tubo aberto, e seu timbre torna-se misterioso e sombrio (bordões).

 

Os jogos de mistura possuem vários tubos de metal (dois a sete, ou mesmo dez) para cada nota, destinados a enriquecer o som fundamental dos jogos de fundo com seus primeiros harmônicos. Os jogos de mistura simples (terça, nasardo) dão só um harmônico; os compostos (cheio do órgão, corneta) chegam às vezes até oito harmônicos. Não se deve confundir o cheio do órgão, registro de mistura composto, com seu homônimo ou ‘órgão pleno’, que é uma mistura sonora que agrupa todos os manuais acoplados, os jogos de fundo principais e os jogos de mistura.

 

Os jogos de palheta, com tubos de metal ou de madeira, geralmente abertos, e uma lingüeta metálica que vibra no interior do pé do tubo, dão ao órgão sonoridade brilhante (trompete, bombarda, clarim etc.) ou mais individualizada (cromorno, oboé, voz humana etc.).

 

Os someiros, grandes caixas de madeira para as quais o ar é enviado sob pressão, têm dupla função: sustentar os tubos e abrigar em seu interior uma aparelhagem destinada a distribuir o ar para a tubagem. Cada teclado manual comporta um someiro, que não pode conter mais de nove registros.

 

Na consola, colocada fora do corpo sonoro do instrumento, encontram-se os teclados manuais, a pedaleira, os puxadores ou botões e outros acessórios usados para obter a imensa variedade de timbres e a grandeza sonora, características do órgão.

 

O órgão da catedral de Megdeburg (fim do século XI) tinha um teclado de 16 notas. No séc.XII, o número de teclas foi aumentando, e cada uma recebeu posteriormente o acréscimo de dois ou três tubos, que soavam à quinta e à oitava do som fundamental. A primeira notícia de um teclado cromático – fá dó mi e sol (o si já existia no órgão de Winchester, do século X) – é o do órgão de Halberstadt, fabricado em 1361, já com três manuais que aliviavam o efeito constante e forte do cheio do órgão. Durante o século XV, as teclas foram várias vezes reduzidas de tamanho, mais ainda se distinguiam por meio de letras que correspondiam às notas, uso que foi abandonado pouco depois dessa época. Conseqüentemente, o teclado aumentou. No fim do século XV, os manuais já tinham uma extensão de quatro oitavas. Do século XV ao século XX, o número de teclas de cada manual passa de 35 e 42 a 56 e 61, abrangendo cinco oitavas – dó1 ao dó6.

 

Nos séculos XVII e XVIII, surgem mais dois manuais. No século XIX, os organeiros se interessam sobretudo pela adoção das alavancas pneumáticas, que permitem o acoplamento dos manuais e tornam o teclado mais leve.

 

Modernamente, a maioria dos órgãos tem cinco manuais: grande órgão, recitativo, positivo, solo, eco ou bombarda. Cada um desses teclados, possuindo um ou mais someiros independentes, é realmente um órgão em si, com timbre e utilidade específicos.

 

Por cima do último teclado, peças de marfim, como as de um jogo de dominó, permitem, quando acionadas, a interação entre os manuais e a pedaleira ou entre um manual e outro. Dessa forma, o organista substitui pela diferença dos timbres a impossibilidade, no órgão, da dinâmica expressiva. Por baixo de cada teclado há pistões que não controlam dos registros individuais desse teclado, mas grupos de registros; o organista movimenta esses pistões com o polegar, podendo anular, sem mexer os puxadores, qualquer combinação de registros que tenha escolhido.

 

Os puxadores ou botões, de cada lado dos manuais, são a única parte visível do complexo mecanismo dos jogos ou registros e, por essa razão, também impropriamente chamados registros. Cada um deles, quando movimentado pelo organista, aciona a válvula que, dentro do someiro, fecha ou abre a entrada de ar no respectivo tubo. Na face externa de cada puxador estão escritos o nome do registro e sua altura em pés: bordão 16 pés, clarinete 8 pés etc. Data do início do século XV a invenção da pedaleira, teclado de madeira, colocado na parte inferior da consola e acionado pelos pés do instrumentista. Durante muito tempo, não ultrapassou a oitava, consistiu apenas de notas diatônicas e limitou-se a sustentar as notas longas da partitura ou encarregar-se das notas graves do manual principal. Mas acrescentaram-se, depois, as quatro notas cromáticas. A extensão atual é de 32 notas ou duas oitavas e meia – dó-1 ao sol-2.

 

O toque organístico. Um certo domínio da técnica pianística, a mesma precisão e independência dos dedos, o controle rítmico, os bons princípios do dedilhado, o fraseado inteligente, são indispensáveis para quem vai dedicar-se ao estudo do órgão. Do contraste essencial entre os dois instrumentos – um de percussão e outro de sopro – surgem, porém diferenças importantes em relação ao ataque das notas repetidas (exagerado, no órgão), aos andamentos (mais lentos no órgão que no piano), à capacidade de sustentação das notas (pequena nos pianos), à dinâmica (subjetiva no órgão e no piano, dependendo do grau de força com que a tecla é abaixada).

 

Repertório organístico. A música de órgão sempre obedece às leis da horizontalidade, como sustentáculo da polifonia vocal ou substituindo uma de suas vozes. No século XVI, quando o movimento polifônico passa do mundo vocal para o instrumental, é o órgão o único instrumento capaz de reproduzir a extrema complexidade a que havia chegado a polifonia vocal. Nos séculos XVI e XVII, chega ao apogeu o repertório de órgão. Girolamo Frescobaldi fundou a tradição, mantida pelos alemães Froberger Johann Jakob (1616-1667) e Johann Pachelbel (1653-1706). Dietrich Buxtehude certamente influenciou a obra organística de Johann Sebastian Bach, que nela resumiu cinco séculos de pesquisas no campo da polifonia, esgotando todas as possibilidades da escrita horizontal, em corais contrapontísticos, sonatas, prelúdios, tocatas, fugas, fantasias. A obra organística de Bach é, ela só, o maior repertório do instrumento. Depois, vale mencionar os concertos para órgão de Haendel.

 

No século XIX, época de música sinfônica, também se escreveu sinfonicamente para órgão. Liszt fez o começo, seguindo-se vários outros compositores, dos quais o último – talvez o maior – é Max Reger. Também foi o século XIX o tempo dos grandes organistas: Anton Bruckner (1824-1896), Charles Widor (1844-1937), entre outros.

 

A arte do órgão foi renovada, no século XX, pelo eminente teólogo Albert Schweitzer (1875-1964): além de organista extraordinário, o maior intérprete das obras de Bach, reabilitou os grandes órgãos dos séculos XVII e XVIII, intervindo ativamente em sua reconstrução. Charles Tournemire (1870-1939) voltou em suas composições para o instrumento ao estilo barroco. E Olivier Messiaen (1908) é o primeiro que escreve para o órgão no estilo da música moderna.


Vídeos:


http://youtu.be/YFhf5BcvIaU


Other grand organs



http://youtu.be/WuodTiBjG3M 

Concerto do XX Encontro Nacional de Organistas, dia 13/07/11, às 19:30 h, na Igreja Bom Jesus, curitiba, PR.
Entrevistados: Detleff Steffenhagen, Miriam Carpinetti, Helma Haller e ouvintes.
Reportagem: Lilo Barros. Imagens: Sandro Graciano. Edição: Silvia Cordeiro. Reportagem para o jornal da ÓTV, em Curitiba.



  

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional