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PIANO

Última modificação : Sexta, 12 Setembro 2014 18:07



Antecedentes. O termo piano, abreviação de pianoforte ou fortepiano, foi o primeiro instrumento de cordas percutíveis e teclado, capaz de matizes do piano ao forte. Alguns tratados históricos atribuem sua origem ao monocórdio de Pitágoras, outros à sambuca da Grécia antiga. Durante as cruzadas encontra-se esse instrumento na Alemanha, sob a denominação de Sambjut e, posteriormente, saltério. Iluminuras e esculturas antigas representam o saltério como um instrumento cujas cordas se dividem em grupos de três, supondo-se afinadas em uníssono como o piano atual. O saltério foi o verdadeiro precursor de todas as variedades de instrumentos de corda e teclado – espineta, virginal, clavicórdio, cravo. Considera-se o clavicórdio como o antecessor do piano moderno, não só por serem suas cordas percutíveis, e não pinçadas – como as do cravo – pertencendo, portanto a uma família diferente da espineta e do cravo, senão por sua sensibilidade ao toque e possibilidade de obter sons ligados e cheios de matizes, apesar de tênues.

 

Origem do piano moderno. A história do piano cita Bartolomeo Cristofori (c.1653-1731), fabricante de cravos e conservador da coleção de instrumentos do grão duque Ferdinando II Médici, como o inventor, em 1709, de um instrumento primitivamente designado por gravicembalo col piano e forte e, mais tarde, por pianoforte ou apenas piano. Em 1711, o “cravo de martelos” de Cristofori teve os saltadores e plectros de pena de ave substituídos por pequenos martelos articulados, que percutiam a corda, deixando-a vibrar livremente. O escape simples e os abafadores, utilizados por Cristofori, inspiraram, depois, as melhorias da Erard. Quase na mesma época, o francês Marius – 1716 – o alemão Christoph Gottlieb Schröter – 1717 – e, sobretudo, Gottfried Silbermann, que fabricou a partir de 1728 os primeiros hammerklaviere – pianos de martelos – e seu sobrinho Johann Silbermann (1727-1799), contribuem para a evolução e divulgação do pianoforte. 

 

A popularidade do instrumento firmou-se depois do primeiro concerto público dado por Johann Christian Bach (1735-1782), em Londres no ano de 1768. A literatura pianística, propriamente dita, começou com em 1780 com as sonatas de Muzio Clementi (1752-1832), virtuose do instrumento e sócio - entre 1796 e 1802 - de F.W.Collard,  proprietário da manufatura Clementi-Collard, em Londres. Na Alemanha, Johannes Andréas Stein (1728-1792) introduz na mecânica dos pianos de Silbermann o escape, os abafadores e os pedais, e apresenta seu instrumento a Mozart, em 1777. Os trabalhos de Stein foram continuados por Andréas Streicher (1761-1833) que, a pedido de Beethoven, deu ao piano uma construção mais resistente e uma sonoridade mais brilhante, e por Johann Baptist Streicher. 


Na Inglaterra, além da manufatura de Clementi-Collard, os principais fabricantes de piano foram o suíço Burkhard Tschudi (1702-1773), associado ao escocês John Broadwood (1732-1812). Mas o verdadeiro fundador da indústria inglesa de pianos foi o alemão Johannes Zumpe, no século XVIII, criador do piano quadrado. Na França, a fabricação de pianos surge com Sébastien Erard (1752-1831) e adquire uma certa individualidade. A evolução do piano quadrado de Silbermann para o piano clássico de Erard se fez através de várias tentativas extravagantes: o piano piramidal, o piano girafa, o piano órgão e o semi cravo. É ainda num piano quadrado que, em 1792, a Marseillaise foi executada pela primeira vez, e é para o hammerklavier que Beethoven escreveu sua grande Sonata nº29, Opus 106 (“Hammerklavier”, 1817-1818). 


Em 1809, Ignaz Pleyel (1757-1831), discípulo de J.Haydn, também abriu uma famosa manufatura de pianos em Paris. Da concorrência entre Erard e Pleyel nasceu a criação, por Erard, do duplo escape, que iria transformar a fatura dos pianos, a literatura pianística e o toque dos executantes. A Henri Pape devem-se o cruzamento das cordas e os martelos feltrados. Se Beethoven já solicitava do instrumento possibilidades sonoras que o ultrapassavam, os românticos iriam exigir muito mais. Durante o século XIX, a indústria de pianos procura satisfazer compositores e intérpretes, desde Broadwood, em 1808, que aplica pela primeira vez reforços metálicos. 

 

A arte do pianista. Para a execução de Das Wohltemperierte Klavier – O Cravo bem temperado – de Johann Sebastian Bach, tornou-se necessário o emprego de todos os dedos. Carl Philipp Emanuel Bach codificou os princípios do novo dedilhado, preparando, assim, para a técnica de J.Haydn e W.A.Mozart, que cobrem o período de transição entre o cravo e o piano. Com L.V.Beethoven surgem outras inovações na escrita pianística: os “baixos d´Alberti”, em oitavas com notas dobradas, passagens em oitavas nos andamentos rápidos, passagens em acordes, saltos freqüentes e acordes de dimensões inusitadas. Beethoven exprimiu idéias que parecem ultrapassar os limites do piano de sua época. Na obra chopiniana surge, pela primeira vez, o piano livre de influências orquestrais. F.F.Chopin escreveu música essencialmente pianística, imprópria para qualquer transcrição. É, talvez, em toda a história da música, a mais perfeita interpenetração do pensamento musical e dos recursos instrumentais à sua disposição. Os 24 Estudos de Chopin representam verdadeira súmula da técnica pianística, que atingiu seu ponto culminante com Franz Liszt. 


A arte de Liszt encarna o piano moderno e cria um sinfonismo puramente pianístico. A técnica é enriquecida pelo emprego de temas expostos em acordes de três ou quatro sons, frequentemente dobrados nas duas mãos, efeitos de trêmulos nos baixos, passagens que abrangem extensões até então não usadas. Claude Debussy e os modernos inovaram mais num sentido estético. Sobretudo o uso do pedal veio obedecer a princípios diferentes. 

 

A base da técnica pianística é uma só. Os princípios nos quais se baseia são bem conhecidos: força, elasticidade, independência dos dedos, flexibilidade do pulso, liberdade e disciplina dos movimentos do antebraço e braço, posição correta dos dedos, mão, braço e corpo, isto é, aquela que possibilita o correto desempenho da ação muscular e permite o máximo rendimento com o mínimo esforço.


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Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional