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Os mais famosos compositores da linha do tempo

VIOLÃO

Última modificação : Sexta, 09 Maio 2014 18:16



De provável origem asiática, o violão (guitarra ou guitarra espanhola) foi introduzido na Espanha durante a Idade Média e, por volta do século XVI, já era conhecido em toda a Europa.

  

O violão é o instrumento para onde convergem todos os estilos musicais brasileiros. É o mais importante ponto de contato (talvez o único) entre nosso universo popular e a música clássica.

  

Uma curiosidade lingüística: nosso idioma é o único em que o instrumento é designado com palavra de origem latina (viola e violão provém do dialeto provençal). Nas demais línguas o étimo é grego (khitara – daí descendem tanto a cítara como a guitarra).

  

Ancas largas, cintura fina, o violão tem origem antiga e imprecisa. Sua longa evolução deixou pelo caminho inúmeras variantes, inclusive algumas que resultaram em instrumentos que sobrevivem na música popular de muitos países, como a guitarra portuguesa ou nossa viola caipira.

  

O violão que conhecemos hoje, de seis cordas, surgiu no final do século XVIII. Nesse período o instrumento ganhou a sexta corda (a mais grave) e vários detalhes. Eis os mais importantes: tarrachas mecânicas com rosca-sem-fim (em substituição às cravelhas), trastes [1] fixos feitos de metal (os antigos eram simples pedaços de corda amarrados em torno do braço); boca de ressonância (em substituição às elaboradas rosetas de antigamente) e cavalete mais alto.

  

Naquela ocasião aconteceu, também, uma importante modificação interna do violão. Com o acréscimo da corda mais grave, foi necessária a ampliação da caixa de ressonância e, por consequência, um reforço estrutural. Fixadas à face interna do tampo do instrumento há diversas barras de madeira cumprindo esse papel. Tal como a barra harmônica do violino, as do violão são também responsáveis pela propagação da vibração pelo tampo, proporcionando uma sonoridade mais rica e homogênea.

  

Outra alteração importante ocorrida na virada do século XVIII envolve a maneira como a música para violão é escrita. Até então usava-se apenas tablaturas, que são representações gráficas das cordas e casas do instrumento, sem muitos detalhes. A partir do século XIX o violão passa a se valer de partituras. De uma certa maneira, as tablaturas sobrevivem hoje no universo da música popular, na forma das cifras que são vendidas em bancas de jornal.

  

Aquelas modificações todas enriqueceram o leque de recursos do violão, trazendo-o ao universo da música de concerto. A presença do instrumento no ambiente sinfônico, entretanto, ainda permaneceu esporádica. Na ópera são comuns as serenatas acompanhadas pelo violão, como no início de “O Barbeiro de Sevilha”.

  

Já no século XX, graças principalmente ao estímulo de virtuoses como Andrés Segovia e Narciso Yepes, o violão passou a receber a atenção de compositores de todos os estilos – não necessariamente violonistas. Assim surgiram obras de relevo das mãos de Boulez, de Falla, Villa-Lobos, Poulenc, Frank Martin, Henze, Krenek, Millhaud, Mignone, Britten e muitos outros.

 

No Brasil o peso do violão é ainda maior quando se percebe que o instrumento é a porta de entrada de muitos artistas ao mundo da música. Não são raros os casos de violonistas que depois passam para outros instrumentos, obtendo notáveis resultados.  


Existe também o violão de 7 cordas, genuinamente brasileiro ao menos no modo de tocar, criado pelo violonista Tute, consistindo da adição de uma corda mais grave ao violão tradicional. Originalmente, essa corda era de um violoncelo afinada em dó e necessitava de uma dedeira no polegar. Mais tardecomeçou-se a usar uma corda ainda mais grave, afinada em si, feita como as demais cordas graves (bordões) do violão. Assim, um bordão com essa nota em corda solta [2] facilitaria bastante a montagem de acordes e o desenvolvimento de frases no baixo.


Há ainda o violão de 12 cordas que tem as mesmas cordas do tradicional violão de seis, só que agrupadas de duas em duas, tornando mais difícil a afinação. De baixo para cima, quando tocadas soltas, as cordas são: Mi (E), Si (B), Sol (G), Ré (D), Lá (A) e Mi (E).  

Fonte do artigo: Sessão “Semibreves”, por Flavio Florence – Revista Concerto Outubro de 2006  
                            

[1] Trastes são aqueles 19 filetes presos ao braço do violão, entre os quais o músico posiciona os dedos da mão esquerda.


[2] Corda solta – nos instrumentos de corda, uma corda que vibra livremente em toda a sua extensão sonora, isto é sem ser presa. Nos instrumentos de corda não trasteados, existe uma diferença na altura do som de uma mesma nota quando produzida por uma corda solta, em oposição à uma presa.



Vídeo:

http://youtu.be/Cjg15I-XxCQ