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Os mais famosos compositores da linha do tempo

BORODIN, ALEKSANDR PORFIREVITCH (1833-1887)

Última modificação : Segunda, 16 Fevereiro 2015 17:33


 

RUSSO - ESCOLA NACIONALISTA RUSSA - C.21 OBRAS

 

Membro do Grupo dos Cinco, Borodin talvez tenha sido o nacionalista russo mais abertamente romântico, produzindo uma música intensamente carregada de cores orquestrais e corais. Essencialmente um "compositor de domingo", com uma carreira de químico, deixou obra pequena mas bem acabada. Sua Sinfonia nº2 mostra inigualável domínio da técnica, e Príncipe Igor permanece um marco da ópera russa.

 

Vida. Borodin nasceu em  São Petersburgo, em 12 de novembro de 1833, e morreu na mesma cidade, em 27 de fevereiro de 1887. Filho ilegítimo do príncipe Imeretinsky, da Geórgia, dividiu sua vida entre a música e as atividades de professor e pesquisador de química na Academia Médico Cirúrgica. Como cientista, chegou a ser conhecido internacionalmente, tendo escrito cerca de vinte estudos sobre química orgânica.

 

Ainda muito jovem iniciou estudos de flauta, piano e violoncelo como professor particular. Depois de formado, conheceu Mussorgsky e passou a dedicar-se com mais intensidade à música. Em 1862, de volta de uma viagem de estudos de três anos na Europa ocidental, trava contato com Balakirev, cuja amizade irá dar novo impulso à sua atividade de compositor.

 

Produção. Considerado por muitos como o mais original compositor do Grupo dos Cinco, "grupo poderoso" - expressão do nacionalismo russo que, além de Mussorgsky e Balakirev, incluía ainda Cui e Dargomichki -, Borodin deixou uma obra pequena,mas de importância. Como a dos demais membros do grupo, sua música caracteriza-se pelo deliberado abandono das tradições da música ocidental, na busca de uma linguagem eminentemente russa. Frequentemente, porém, resvala para o exotismo oriental não muito autêntico.

 

Sua obra mais conhecida é a ópera Kniaz´Igor (Príncipe Igor), com um prólogo e quatro atos. Borodin começou a escrevê-la em 1869. Inúmeras vezes interrompida e recomeçada, ao morrer faltavam-lhe ainda a abertura e a orquestração. Tendo ouvido o autor interpretar a abertura ao piano, Glazunov transcreveu-a, encarregando-se ainda, juntamente com Rimsky-Korsakov, da orquestração. Em 04 de novembro de 1890 a ópera foi representada pela primeira vez em São Petersburgo com sucesso. O tom geral é grandioso, com passagens de ternura e bom humor. Falta-lhe, porém, uma certa coerência dramática. Brilhantes são as danças polovetsianas, frequentemente executadas em concertos.

 

Borodin é também é conhecido pela Sinfonia nº 2 em si menor (1869-1876), executada pela primeira vez em 1877, uma das mais belas sinfonias da música russa, e pelo Quarteto para cordas nº1 em Lá Maior (1875-1879), notável peça de música de câmara em que se destaca um noturno. Dignas de menção são ainda a Sinfonia nº1 em Mi bemol Maior, em cuja composição levou cinco anos (1862-1867), a Petit suite (1878-1885), oito peças para piano, e o poema sinfônico Stepskie Asie Centrelie (1880; As Estepes da Ásia Central), dedicado a Liszt, o grande divulgador de sua obra na Europa Ocidental.

 

Outras obras. Borodin compôs ainda Paráfrases (1878), 24 variações para piano escritas em colaboração com Rimsky-Korsakov, Liadov e Cui, um Scherzo em lá menor para orquestra (1887), um segundo quarteto para cordas e uma terceira sinfonia, que deixou inacabada, além de diversas melodias ligeiras.

 

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional