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Os mais famosos compositores da linha do tempo

FALLA, MANUEL MARIA DE (1876-1946)

Última modificação : Sexta, 29 Abril 2016 15:06


 

ESPANHA - ESCOLA NACIONALISTA  ESPANHOLA E LATINA - 25 OBRAS

 

Maior compositor espanhol desde a idade de ouro de Cristóbal de Morales e Tomás Luis de Victoria, de Falla pegou o estilo romântico espanhol pictórico forjado por Albéniz e Granados e instilou-o com o modernismo de Debussy e Stravinsky. Nas últimas obras, abandonou o mundo sonoro impressionista e grandioso de seus balés para criar uma autêntica forma espanhola de neoclacissismo.


 

Vida. Compositor e pianista espanhol, Manuel Maria de Falla nasceu em Cádiz a 23 de novembro de 1876 e morreu em Alta Gracia, Argentina, a 14 de novembro de 1946. Iniciou os estudos de música orientado pela mãe, que era pianista. Com ela apresentou-se pela primeira vez em público, tocando um arranjo para quatro mãos do oratório de Haydn As Sete palavras do Cristo na Cruz. Essa obra - que, um século antes, o mestre alemão tinha escrito para a igreja de San Francisco de Cádiz - exerceu marcante influência na vida de de Falla. Ao ouvi-la durante as cerimônias da Semana Santa, decidiu dedicar-se à música, abandonando a inclinação inicial para a literatura.

 

De 1901 a 1904, residindo em Madrid, de Falla estudou composição com Felipe Pedrell. Foi esse notável musicólogo quem lhe despertou o interesse pela música nacional da Espanha. O nacionalismo espanhol de de Falla reflete-se em sua primeira ópera: La Vida breve (1905) - "uma desesperação de amor em dois atos". Embora deixando transparecer influência estrangeira - a orquestração é bem wagneriana - o quadro geral é de autêntico colorido hispânico.

 

Projeção. Com La Vida breve (1905; estreada em Nice, em 1913), de Falla venceu um concurso instituído pela Real Academia de Bellas-Artes de San Fernando, em Madrid. Foi como pianista que passou a ganhar a vida em Paris (1907), onde se tornou amigo de Debussy e Ravel, e onde conheceu Albéniz. Conheceu também a música russa, sobretudo a de Mussorgsky. A permanência de de Falla em Paris teve resultados importantíssimos para o desenvolvimento do seu estilo. Quando retornou a Madrid (1914), esses resultados se fizeram sentir através dos bailados El Amor brujo (1915) - cuja Dança ritual do fogo tomou conta das salas de concerto - e El Sombrero de tres picos (1919; O Tricórnio).

 

Em que pese o caráter primitivo, "barbaramente" andaluz, dos dois bailados, neles não há nenhuma utilização direta de motivos folclóricos. Influenciada pelo Impressionismo, a expressão nacionalista de de Falla já evoluíra para um estilo isento de referências literalmente folclóricas. Daí terem-no apontado como "o mais europeu de todos os espanhóis e o mais espanhol de todos os europeus". A obra que melhor exprime essa realidade é Noches en los jardins de España (1915), escrita sob forma de concerto para piano e orquestra. Em seus três movimentos, a linguagem impressionista aparece envolvendo os velhos cantares da Andaluzia. Estes se fazem ouvir como no fundo de um cenário exótico, algo extraordinário.

 

Ao escrever essas obras, de Falla estava a meio caminho de um terreno cada vez mais limpo de localismos. Alcançou-o quando compôs o Concerto para cravo e cinco instrumentos (1926). Plasmada na evocação formal e harmônica do período anterior ao Classicismo vienense, essa obra é de caráter universal, ascética na expressão.

 

As tempestades políticas na Espanha levaram de Falla a refugiar-se na Argentina (1939). A ascese, despontada no Concerto para cravo, torna-se misticismo profundo, que lhe acompanha a vida no retiro em Alta Gracia. Voltou a ouvir as Sete palavras de Cristo na cruz.

 

Outras obras. Óperas; El Retablo de maese Pedro (1923), baseado num entremés de Cervantes; Fuego fatuo, baseada em temas de Chopin - inabacada; Concerto para cravo e cinco instrumentos - flauta, oboé, clarinete, violino e violoncelo (1926); Atlântida, poema para coros e orquestra, sobre versos do poeta catalão Verdaguer, obra que de Falla deixou inacabada e foi concluída por seu discípulo Ernesto  Halffter; peças para canto e para guitarra.

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional