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FLAUTA DOCE

Última modificação : Segunda, 12 Agosto 2013 15:52



Etimologia. O vocabulário flauta é comum a várias línguas românicas ocidentais, mas é de étimo incerto, provavelmente occitânico, da língua de Oc. Em sua formação, crê-se que hajam intervindo fatores onomatopaicos, juntamente com um derivado do lat. flare, "soprar". De um occitânico antigo flautar, "tocar flauta", é que derivaria o substantivo deverbal flauta, que se teria estendido aos demais falares românticos por influência da lírica trovadoresca. Em espanhol parece documentar-se no século XIII, com maior segurança no século XIV, quando aparece em português. O fr. flûte documenta-se no século XII. O it. flauto é do século XIII.

 

Descrição. É um instrumento tubular, de madeira ou de metal, cujo som é produzido pelo sopro humano numa embocadura, sem emprego de palhetas ou bocais. Há dois tipos principais: as flautas doces e as flautas transversas ou travessas.

 

FLAUTA DOCE

É também chamada de flauta de ponta, em it. flauto diritto, flauto dolce ou flauto a becco; fr, flûte à bec ou flûte droite; ing. recorder ou fipple flute; al. Blockflöte; esp. flauta de pico. O termo recorder diferencia-se das outras denominações da flauta doce, porque vem do inglês antigo - record ou warble - que quer dizer "trinado" ou "canto de canários".

 

O som nesse tipo de flauta é produzido pelo sopro numa embocadura de canal muito estreito que o conduz a uma abertura talhada em bisel, na espessura do tubo. Do corte em bisel resultam dois "lábios", um superior e outro inferior. O ar, antes de atingir os "lábios", atravessa uma cavidade ou câmara, que faz parte da "cabeça" da flauta e que dá a impressão exterior de um "bloco" ou "bulbo", de onde provém seu nome em al. Blockflöte e em ing. fipple. Ao contrário da flauta transversa, a intensidade do som não pode ser regulada pelo executante. Disso resulta uma emissão regular e constante, mas de difícil variedade de dinâmica.

 

As flautas doces são geralmente fabricadas de madeira duras: no Brasil está sendo empregada a imbuia. Seu uso é conhecido na Europa a partir do século XI. É tocada no sentido do comprimento. Tem oito orifícios, um dos quais fica logo abaixo da "cabeça", na parte inferior do instrumento, e é destinado ao polegar da mão esquerda, para produzir principalmente sons oitavados. Nas flautas maiores, a começar pela de dó tenor, aplicam-se chaves para facilitar o dedilhado, já que, com o aumento do comprimento do tubo da flauta, a mão não poderia abarcar tal dimensão.

 

O uso das chaves começou na Holanda, em 1413. A partir do século XVI, foram fixadas suas exatas tessituras, havendo os seguintes tipos de flautas doces: sopranino em fá, soprano em dó, contralto em fá, tenor em dó, baixo em fá e contrabaixo em dó. Nas duas últimas, emprega-se o tudel, peça tubular de metal que se encaixa na cabeça do instrumento, para conduzir o sopro do executante, cujos lábios se adaptam à boquilha que reveste a extremidade do tudel.

 

As flautas doces tem certos orifícios com dupla perfuração, para permitir a cromatização. Na Alemanha e na Inglaterra, obtêm-se flautas de dupla perfuração no primeiro orifício a partir da campana - parte inferior do instrumento, em forma globular ou de pera ou simplesmente torneada, sempre sobressaindo do tubo que forma o seu corpo. A extensão normal das flautas doces é de duas oitavas e mais duas a quatro notas, segundo a qualidade de perfeição do instrumento.

 

Seu auge foi entre os séculos XVI e XVIII, na Europa, quando começou a decair em virtude do aparecimento de instrumentos de sopro com maior extensão e melhor afinação. Seu ressurgimento se deve a Arnold Dolmetsch (1858-1940), que produziu todos os tipos mencionados e fixou para os compositores as suas diferentes tessituras: soprano, dó4 a ré6; contralto, fá3 a sol5; tenor, dó3 a ré5 e baixo fá2 a fá4. Entre os compositores antigos, J.S.Loeillet, G.Ph.Telemann, Henry Purcell, Haendel, Benedetto Marcello, Vivaldi, entre outros, escreveram obras para flauta doce, e especialmente J.S.Bach, cujas sonatas para flauta doce e cravo a mais famosa é a em Mi bemol maior.

 

Depois da fundação da Dolmetsch Foundation, em 1928, por Arnold Dolmetsch, cuja finalidade era reunir os interessados em instrumentos antigos, começou a surgir novo incremento da composição para esses instrumentos, sendo a literatura do século XX bastante rica.



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Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional