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FLAUTA TRANSVERSA OU TRAVESSA

Última modificação : Segunda, 05 Agosto 2013 16:25


 

Etimologia. O vocabulário flauta é comum a várias línguas românicas ocidentais, mas é de étimo incerto, provavelmente occitânico, da língua de Oc. Em sua formação, crê-se que hajam intervindo fatores onomatopaicos, juntamente com um derivado do lat. flare, "soprar". De um occitânico antigo flautar, "tocar flauta", é que derivaria o substantivo deverbal flauta, que se teria estendido aos demais falares românticos por influência da lírica trovadoresca. Em espanhol parece documentar-se no século XIII, com maior segurança no século XIV, quando aparece em português. O fr. flûte documenta-se no século XII. O it. flauto é do século XIII.

 

Descrição. É um instrumento tubular, de madeira ou de metal, cujo som é produzido pelo sopro humano numa embocadura, sem emprego de palhetas ou bocais. Há dois tipos principais: as flautas doces e as flautas transversas ou travessas.

 

 

FLAUTA TRANSVERSA OU TRAVESSA

É também denominada flauta alemã, fr. flûte ou flûte tranversière; al. Flöte ou Queflöte; it. flauto ou flauto traverso; ing. flute; esp. flauta.

 

É um instrumento de sopro lateral - daí a denominação transversa, empregada sobretudo até o século XVIII - constituído por um tubo cilíndrico de 67 cm de comprimento e 19 mm de diâmetro. O executante aproxima os lábios da aresta de uma embocadura talhada na cabeça do instrumento, forma com eles fina coluna de ar, à qual imprime certa velocidade, conduzindo-a para a aresta do lado oposto, pondo assim em vibração o ar contido no tubo. Essa corrente de ar possui pontos de maior vibração que se chamam ventres e de vibração nula que se chamam nós.

 

A flauta se divide atualmente em três partes destacáveis: cabeça ou bocal, corpo e pé. A cabeça é a parte mais importante no que tange à afinação. Sua extremidade superior, perto do orifício da embocadura, é fechada por um tampão de metal a que se dá o nome de chapéu. Esse dispositivo móvel, cuja invenção é atribuída a J.J.Quantz (1697-1773), é guarnecido internamente por uma rolha de cortiça presa por um parafuso. Sua finalidade é manter rigorosamente o equilíbrio da afinação. A embocadura varia de acordo com os fabricantes. As melhores flautas de Theobald Boehm (1794-1881) tem o orifício da embocadura em forma de retângulo alongado. São conhecidas como "flautas cilíndricas com cabeça parabólica".

 

No corpo ou tubo cilíndrico se encontra a maioria das chaves, anéis ou teclas, que constituem as partes mecânicas. A contar da extremidade que encaixa na cabeça, esse tubo tem 13 furos ou orifícios tonais, que variam de tamanho, tornando-se mais separados à medida que se afastam da embocadura. São circulados por um anel, chamado chaminé, que pode ser estampado ou soldado no instrumento. Os orifícios tonais tem por função aumentar ou diminuir o comprimento da coluna de ar no interior do tubo, e são obturados por um mecanismo constituído de chaves e teclas (Böhm). A parte interna das chaves é acolchoada de feltro revestido de uma pele muito fina chamada boldruche. A esse acolchoamento dá-se o nome de "sapatilha". Conforme a tessitura da flauta, o pé tem três ou mais orifícios, também empregando teclas ou chaves sapatilhadas.

 

As flautas modernas vão geralmente do dó3 ao dó6, havendo contudo as que atingem o si2 e o mi6, mas que exigem o alongamento do tubo. Além da flauta em dó, também chamada de orquestra ou de concerto, existem outras mais graves em si bemol, lá, sol e fá, que possuem o mesmo mecanismo e são tocadas de maneira idêntica à da flauta em dó. A flauta em si bemol, empregada em bandas militares compostas de pífaros e tambores, é intermediária entre a flauta em dó e a em sol. A flauta em sol, ou flauta d´amor ou contralto, é de sonoridade grave. Embora não possa ser utilizada em passagens virtuosísticas, foi empregada por Ravel em sua sinfonia coreográfica Daphnis et Chloé (Dafne e Cloé); por Stravinski em Le Sacre du printemps (A Sagração da primavera). A flauta em fá, uma quinta justa inferior da flauta em dó, e a flauta contrabaixo, uma oitava inferior da flauta em dó, completam a família das flautas transversas.

 

Há mais de um século fabricam-se as flautas transversas de metal, normalmente prata, mas na orquestra fazem parte do grupo das madeiras, porque a natureza do tubo não modificou seu timbre.


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Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional