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Os mais famosos compositores da linha do tempo

Sinfonia

Última modificação : Quarta, 31 Julho 2013 16:04


 

Etimologia. O eruditismo port. it. sinfonia, respectivamente do século XVIII e do século XVI, esp. sinfonía, de 1739, fr. symphonie, do século XIV, ing. symphony, c. 1440, al. Symphonie, do século XVI, é o lat. symphonia, do gr. symphonía, "concordância de sons, combinação agradável de sons musicais", do gr. sýmphõnos, "que ressoa ao mesmo tempo", do gr. sýn, "de acordo com", e gr. phonê, "som".

 

O sentido de "tipo de instrumento musical", que aparece em francês e inglês no século XII-XIII, já se documenta em latim, mas é raro em grego. Dentre as acepções que o vocábulo teve desde a Antiguidade, as mais significativas são tratadas a seguir.

 

Antecedentes. O termo sinfonia designa inicialmente peças de música instrumental que serviam no século XVII como prelúdio ou introdução a obras de canto. Chamam-se, nesse sentido, sinfonias os prelúdios das cantatas de Bach, mas também as aberturas da forma francesa da ópera, criada por Lully. A chamada abertura francesa é mesmo precursora imediata da sinfonia moderna: como esta, começava com um movimento rápido, continuando com um movimento lento. Obras intermediárias entre a abertura francesa e a sinfonia moderna são as sinfonias do italiano Giovanni Battista Sammartini (1700-1775).

 

Mannheim e Viena. A sinfonia moderna caracteriza-se pela autonomia: já não é prelúdio ou introdução, mas obra independente, executada por uma orquestra de cordas e de instrumentos de sopro; geralmente em quatro movimentos, dos quais o primeiro é construído como forma-sonata: a sinfonia moderna é uma grande sonata para orquestra. Esse gênero musical foi criado por volta de 1750, pela então famosa orquestra de Mannheim, sob a direção de Johann Stamitz (1717-1757). Eis a tese de Hugo Riemann, que foi, porém, combatida pelo musicólogo austríaco Guido Adler: pois as primeiras sinfonias modernas são as dos compositores Georg Monn (1717-1750) e Christoph Wagenseil (1715-1777), em Viena, cujas obras pioneiras datam de c. 1740.

 

A discussão entre os defensores da origem em Mannheim e os adeptos da origem em Viena terminou por um compromisso: as primeiras sinfonias são, realmente, as daqueles dois compositores vienenses; mas vienenses - ou, em geral, austríacos - também foram os músicos que, emigrando para Mannheim, constituíram ali a orquestra que aperfeiçoou a nova forma. Esta só encontrou a feição definitiva, outra vez, na Áustria, onde Joseph Haydn escreveu sua primeira sinfonia em 1759, cultivando o gênero até chegar à perfeição das 12 sinfonias chamadas "de Londres".

 

Sinfonia clássica e romântica. Depois de Haydn dedicou Mozart seu gênio à composição de 41 sinfonias. Mas as obras-primas maduras do gênero são as de Beethoven: na Sinfonia nº 3 - Eroica (1803) - revelou todas as possibilidades dramáticas da sinfonia; nas grandes obras nº 5 e nº 7 deu modelos insuperáveis do gênero; e na Sinfonia nº 9, sempre experimentando, introduziu no último movimento o coro. A influência de Beethoven foi avassaladora: a sinfonia torna-se o gênero musical dominante do século XIX, com os românticos Schubert, Mendelssohn e Schumann, e com o classicista pós-romântico Brahms. A sinfonia também conquistou os demais países da Europa: são especialmente notáveis as do francês César Franck, dos russos Borodin e Tchaikovsky, do tcheco Antonín Dvorák. Na segunda metade do século XIX e começo do século XX, todo compositor que se prezava, tinha de escrever sinfonias à maneira beethoviniana.

 

Bruckner e Mahler. Um novo estilo sinfônico, oposto ao de Brahms, foi introduzido por Anton Bruckner: são as obras profundamente religiosas, espécie de missas sem canto; o rigoroso desenvolvimento temático é substituído pela justaposição de blocos sonoros. Bruckner não teve nem podia ter sucessores. Mas seu discípulo Gustav Mahler deu um passo lógico mais adiante: reintroduziu o canto na sinfonia; a de nº 8 transformou-se, enfim, totalmente em cantata com acompanhamento de maciça orquestra wagneriana.

 

Sinfonia de programa. Em vez de seguir esse desenvolvimento da forma sinfônica, grande parte dos compositores da segunda metade do século XIX preferiu o exemplo de Hector Berlioz, cuja Symphonie fantastique (1830) ilustra musicalmente um elaborado programa literário. Depois das experiências, nem sempre felizes, de Liszt, a sinfonia de programa foi retomada por Richard Strauss, que aboliu os últimos vestígios de desenvolvimento temático - ainda reconhecíveis naquela obra de Berlioz - para subordinar a música sinfônica inteiramente aos seus programas de inspiração literária e filosófica.

 

Modernos. Saindo da moda a sinfonia de programa ou poema sinfônico, as possibilidades do gênero sinfonia pareciam exaustas, e Sibelius já foi exaltado - ou desprezado - como "o último sinfonista". A Sinfonia clássica em Ré Maior (1917) de Prokofiev parecia um epitáfio humorístico da forma de Haydn. Mas o gênero ressuscitou na Sinfonia em Mi bemol Maior (1940) de Paul Hindemith, na Sinfonia em três movimentos (1945) de Stravinski e, sobretudo, na Sinfonia litúrgica (1946) e Sinfonia di tre re (1950) de Arthur Honegger; e as sinfonias de Schostakovitch conquistaram o público dentro e fora da Rússia.

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional