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Os mais famosos compositores da linha do tempo

Cantores castrati, Os

Última modificação : Sexta, 06 Maio 2016 14:56


 

Acredita-se que, em geral, os estilos de canto ocidental moderno remontam apenas ao final do século XVI. Inicialmente é provável que a voz masculina aguda fosse preferida pela sua grande potência, em vista de um tórax mais avantajado que o das mulher. O surgimento da ópera e as restrições impostas às vozes femininas, influenciaram a arte do canto e a procura de vozes não só adequadas de soprano, mas sobretudo potentes. Isso era encontrado nos cantores pre-púberes masculinos que, infelizmente, logo perdiam seu dom e "engrossavam" a voz ao atingirem a puberdade.

 

Como resultado da expulsão das mulheres dos palcos e coros, decretada pela Igreja, surgiram no século XVIII, os "castrati" (castrati, pl; castrato, sing), que eram cantores castrados antes da puberdade para preservarem o registro de soprano ou contralto da voz. Apoiada em pulmões masculinos, essa voz era ágil e penetrante.

 

Os castrati foram usados pela Igreja Católica durante mais de 300 anos e ocuparam uma posição dominante na ópera dos séculos XVII e XVIII, tendo sido fundamentais no desenvolvimento e popularização da ópera italiana (Monteverdi dava preferência ao uso de castrati em suas obras).

 

A voz castrato atendia à necessidade dos compositores da Contra Reforma de vozes agudas e expressivas na música de igreja, e os castrati foram então utilizados nos três séculos seguintes. Na ópera, sopranos e castrati tornaram-se os cantores mais valorizados no período barroco, com sua eloquência insuperável no estilo novo e fluente do bel canto e, em alguns casos, o resultado dessa operação tornou possível uma voz de assombrosa irrealidade de tom e perfeição técnica. Para muitas dessas vítimas desse sofisticado barbarismo, o resultado foi uma carreira em obscuridade provincial perdida, enquanto outros tiveram um sucesso de superstar hollywoodiano.

 

Os castrati na história

A prática de castração de jovens cantores (ou castratismo) existia desde o início do Império Bizantino, em Constantinopla em torno de 400 d.C., a imperatriz bizantina Élia Eudóxia tinha um coro cujo mestre era um eunuco, que pode ter estabelecido o uso de castrati em coros bizantinos. Por volta do século IX, cantores eunucos eram bem conhecidos (pelo menos na Basílica de Santa Sofia), e permaneceu assim até o saque de Constantinopla pelas forças ocidentais da Quarta Cruzada em 1204, a partir de então, a prática de cantores eunucos desapareceu.

 

Somente no século XVI na Itália, os castrati reapareceram, devido à necessidade de vozes agudas nos coros das igrejas. No fim da década de 1550, o duque de Ferrara tinha castrati no coro da sua capela. Está documentada a sua existência no coro da igreja de Munique a partir de 1574 e no coro da Capela Sistina a partir de 1599. Na bula papal Cum pro nostri temporali munere de 1589, o papa Sisto V aprovou formalmente o recrutamento de castrati para o coro da Basílica de S. Pedro.

 

Na ópera, esta prática atingiu o seu auge nos séculos XVII e XVIII. O papel do herói era muitas vezes escrito para castrato, como por exemplo nas óperas de Handel. Nos dias de hoje, esses papéis são frequentemente desempenhados por cantoras ou por contratenores. Todavia, a parte composta para castrato de algumas óperas barrocas é de execução tão complexa e difícil que é quase impossível cantá-la.

 

Muitos rapazes que eram alvo da castração eram crianças órfãs ou abandonadas. Algumas famílias pobres, incapazes de criar a sua prole numerosa, entregavam um filho para ser castrado. Em Nápoles, recebiam a sua instrução em conservatórios pertencentes à Igreja, onde lecionavam músicos de renome. Algumas fontes referem que muitas barbearias napolitanas tinham à entrada um dístico com a indicação "Qui si castrano ragazzi" (Aqui castram-se rapazes).

 

Em 1870, a prática da castração destinada a este fim foi proibida na Itália, último país onde ainda era efetuada. Em 1902, o papa Leão XIII proibiu definitivamente a utilização de castrati nos coros das igrejas. O último castrato a abandonar o coro da Capela Sistina foi Alessandro Moreschi, em 1913.

 

Na segunda metade do século XVIII, a chegada do verismo na ópera fez com que a popularidade dos castrati entrasse em declínio. Com o tempo, porém, esses papéis foram transferidos aos contratenores e, algumas vezes, às sopranos.

 

Verismo

O Verismo é uma corrente literária italiana surgida entre 1875 e 1895, a partir das obras de escritores e poetas que constituíram um escola baseada num conjunto de princípios realistas.

 

Os nomes fundadores do manifesto verista são Giovanni Verga e Luigi Capuana. O Verismo nasce sob a influência direta do positivismo, com absoluta fé na razão e na ciência, no método experimental e nos instrumentos infalíveis da pesquisa que se desenvolve e prospera da década de 1830 até aos finais do século XIX. O Verismo inspira-se também na literatura do naturalismo, movimento difundido na França, na segunda metade do século XIX.

 

O estilo também se manifesta na ópera italiana, a partir de 1890 com a Cavalleria Rusticana de Pietro Mascagni, até o Impressionismo. É marcado pelo realismo – por vezes sórdido ou violento – das descrições da vida quotidiana, especialmente das classes sociais mais baixas, rejeitando os temas históricos, míticos e grandiosos do Romantismo. Há quem considere que a ópera precursora do Verismo foi Carmen, de Georges Bizet (1875).

 

O filme "Farinelli"

O mais famoso castrato do século XVIII é Carlo Broschi (1705-1782), conhecido por Farinelli, o qual foi tema o filme Farinelli il Castrato, de Gérard Corbiau (1994).

 

Castrado aos sete anos de idade, Farinelli cantou a partir dos anos 1720 em óperas, incluindo várias de seu professor, o famoso Nicolau Porpora, e da maioria dos compositores de sua época. No auge de sua forma vocal, cantou em Londres e foi altamente louvado pela sua agilidade, pureza tímbrica e bela sonoridade e teria sido capaz de sustentar uma nota por mais de um minuto sem respirar.

 

Farinelli alcançava 3.4 oitavas, do Lá2 até o Ré6  - tessitura usual: Lá3 ao Fá5 - e, dizem, tinha a capacidade de sustentar 150 notas em um só fôlego. Para fazer o filme, foi necessário juntar a interpretação de dois cantores, um contratenor e uma soprano coloratura.

 

Desfrutou de aposentadoria, dono de enorme riqueza recebendo, em sua propriedade em Bolonha, o Padre Martini, Chistoph W.Gluck e Mozart e foi muito influente na difusão do estilo musical floreado.

 

Na época dos castrati, a estrela era o cantor; a música, portanto, deveria estar a serviço dele. E o filme toca nesse assunto quando Haendel descarrega em Farinelli todo seu ódio. De ambas as partes, era uma relação alimentada por admiração e raiva.

 

Como não há gravações, ninguém sabe dizer ao certo como era a voz de Farinelli e de seus contemporâneos.

 

Outro castrato mezzo-soprano famoso foi Gaetano Cafarelli (1710-1783), também aluno de Porpora e compositor para o qual Händel escreveu a famosa ária "Ombra mai fù" de Xerxes (o "Largo"). Sua voz era encantadora, inferior apenas à de Farinelli, mas sua arrogância o tornou impopular.

 

Há apenas alguns registros do último castrato, Alessandro Moreschi (1858-1922), que serviu na Capela Sistina e, entre 1902 e 1904, gravou dez discos.

 

Vídeo 

 

 

 

Fontes:

projetomusical.com.br - acesso em 15/09/2013 às 11h51

wikipedia.org - acesso em 15/09/2013 às 12h