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Os mais famosos compositores da linha do tempo

Fuga - Era clássica

Última modificação : Quarta, 18 Dezembro 2013 18:23


 

Durante a Era Clássica, a fuga deixou de ser a maneira natural, ou principal, de composição. Não obstante, os três maiores compositores do período, Haydn, Mozart e Beethoven viveram ocasiões de suas vidas em que "redescobriram" a forma fugal e a utilizaram com frequência em sua obra.

 

As mais famosas fugas de Haydn se encontram em seus Quartetos em Sol, Op. 20, de 1772, três dos quais terminam em forma de fuga. Mais tarde, Haydn repetiu esta prática apenas uma única vez na sua carreira como compositor de quartetos, no finale do Quarteto Op. 50, n.º 4 (1787). Entretanto, alguns dos exemplos mais antigos do uso do contraponto por Haydn estão em três de suas sinfonias: as de n.º 3, n.º 13 e n.º 40, que datam de 1762-1763. Cada uma dessas sinfonias possui um final plenamente desenvolvido em forma de fuga. Sua única outra sinfonia composta com um final semelhante, foi a de n.º 70, de 1779. Suas fugas mais antigas,  revelam a influência do Gradus ad Parnassum, de Joseph Fux, que Haydn estudou detalhadamente. O segundo período fugal da carreira de Haydn, ocorreu depois que ele conheceu os oratórios de Händel, durante suas visitas a Londres (1791-1793, 1794-1795). Haydn estudou a fundo as técnicas de Händel e as incorporou a seus próprios oratórios da fase madura: A Criação e As Estações e em várias de suas últimas sinfonias, incluindo as de n.º 88, n.º 95, e n.º 101. O uso do contraponto por Haydn, nessa fase final de sua carreira, limitou-se primariamente ao uso de seções de fugato ao invés de formas fugais plenamente desenvolvidas.

 

Quando jovem, Mozart estudou contraponto com o Padre Martini em Bologna. Entretanto, o maior incentivador de Mozart para a escrita fugal, foi o barão Gottfried van Swieten, por volta de 1782. Van Swieten, durante o período que serviu como diplomata em Berlim, teve a oportunidade de colecionar tantos manuscritos de Bach e Händel quanto lhe foi possível e convidou Mozart a estudar sua coleção. Também o encorajou a transcrever várias dessas obras para outras combinações de instrumentos. Mozart, evidentemente, ficou fascinado com esses trabalhos e escreveu um conjunto de transcrições para trio de cordas das fugas do Cravo bem Temperado de Bach, introduzindo-as com prelúdios de sua própria autoria. Em seguida, Mozart começou a escrever suas próprias fugas no estilo barroco. Entre essas se incluem: a fuga do Quarteto de cordas, K. 405 (1782) e uma Fuga em Dó menor, K. 426, para dois pianos (1783). Mais tarde, Mozart incorporou a escrita fugal ao final de sua Sinfonia n.º 41 e de sua ópera A Flauta Mágica. As partes do Requiem que ele completou também contém várias fugas (mais especificamente o Kyrie e as três fugas no Domine Jesus; ele também deixou um esboço de fuga para um Amém que deveria vir no final do Sequentia).

 

Beethoven estava familiarizado desde a infância com a escrita fugal, já que um aspecto importante de seu treinamento como tecladista foi tocar O Cravo Bem Temperado. No início de sua carreira em Viena, ele atraiu a atenção devido sua interpretação dessas fugas. As primeiras sonatas de Beethoven contêm seções fugais e a escrita fugal pode ser encontrada no segundo e quarto movimentos da Sinfonia n.º 3, Eróica (1805). Apesar disso, as fugas só tiveram um papel importante na música de Beethoven no seu último período. A seção de desenvolvimento do último movimento de sua Sonata Op. 101 (1816) e as fugas pesadas e dissonantes do final de sua Sonata Hammerklavier (1818) e do Quarteto de cordas n.º 13, Op. 130 (1825), esta última tendo sido publicada separadamente como A Grande Fuga, Op. 133. A última sonata para piano de Beethoven, a Op. 111 (1822) tem uma textura fugal desenvolvida através de seu primeiro movimento, escrito na forma sonata. Fugas também são encontradas na Missa Solene e na Nona Sinfonia.

 

Uma característica comum aos compositores clássicos é que eles, usualmente, não escreveram fugas como peças isoladas, mas como parte integrante de um trabalho maior, frequentemente inseridas na seção do desenvolvimento de uma forma sonata ou como final de uma obra, conferindo-lhe uma resolução puramente homofônica. Esse, por exemplo, é o padrão encontrado na fuga final do coral Os Céus Relatam de A criação (1798), de Haydn, e a seção fugal final da Sonata para piano Op. 110, de Beethoven.




 

Fonte: Wikipedia.org