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Timbres vocais e sua forma de atuação

Última modificação : Quarta, 04 Janeiro 2017 14:41


 

É importante saber que na ópera não existe apenas a cantora ou o cantor, e que há inúmeras diferenças entre timbres vocais e sua forma de atuação. Da mesma forma que cotidianamente distinguimos a voz das pessoas por ela ser alta ou baixa, clara ou escura, aguda ou grave, na ópera se faz uma classificação conforme as características da voz.

 

Primeiramente, dividimos a voz simplesmente por altura - na terminologia musical indica a frequência das vibrações, ou seja, o agudo ou o grave. As quatro vozes principais do coro - ou naipes - são:

. femininas: soprano (agudo) e contralto (grave)

. masculinas, tenor (agudo) e baixo (grave).

Quando essas quatro vozes cantam juntas, temos um verdadeiro quarteto vocal.

 

Entre esses tipos vocais, existem ainda alturas médias, que não são especialmente agudas nem graves, como o mezzo-soprano nas mulheres e o barítono nos homens, de forma que, ao todo, podemos falar em seis vozes.

 

Se considerarmos apenas a extensão vocal, a divisão se apresenta dessa forma. No entanto, isso não basta para que uma ópera se torne vigorosa, com seus inúmeros papéis. Paralelamente às características vocais, existem as chamadas qualificações vocais. Na medida do possível, cada cantor é colocado no papel que combina com todo o seu aspecto físico. Ao longo de sua formação, identifica-se o tipo do cantor.

 

Por soprano, por exemplo, entendemos a voz clara, muito ágil, com forte tonalidade juvenil - a soubrette, predominantemente para papéis de mulheres alegre e cheias de vida, como Blonde, de "O rapto do serralho", ou a pequena Ännchen, de "O franco atirador". Frequentemente a soubrette é interpretada por criadas ou empregadas de jovens aristocratas que também cantam como soprano, mas de forma mais suave, expressiva e lenta. Esta última categoria chama-se soprano lírico. Um exemplo famoso é o da personagem Pamina, de "A flauta mágica".

 

Entre as vozes soprano há as que conseguem cantar árias que exigem extremo virtuosismo e atingem notas bastante agudas; são as chamadas sopranos coloratura. O papel mais famoso e provavelmente também mais difícil é o da Rainha da Noite, de "A flauta mágica". Os ornamentos do canto, que ocorrem em árias (especialmente no final de cada parte) e consistem em todos os tipos de gorjeios, escalas e saltos, são definidos como coloratura.

 

Há também a voz soprano dramático e do soprano muito dramático, presente, por exemplo, nas peças longas e exigentes de Wagner, motivo pelo qual é chamada de soprano wagneriano. É uma voz mais pesada, com registros pronunciadamente graves e capaz de se impor em uma grande orquestra. É o caso de Senta, de "O navio fantasma". No entanto, essas são apenas as mais importantes entre as muitas graduações do soprano.

 

As vozes contralto, tenor e baixo são igualmente subdivididas. O tenor lírico corresponde ao soprano lírico. Na maioria das vezes, os dois formam o casal de amantes da ópera, como por exemplo, Tamino e Pamina, de "A flauta mágica". O soprano soubrette corresponde ao tenor ligeiro, cantor de repertórios alegres da ópera buffa, ou ópera cômica. Por isso o parceiro de Blonde é Pedrillo em "O rapto do serralho".

 

Já o tenor heróico aparece principalmente nas óperas de Wagner, como "Lohengrin", e corresponde ao soprano wagneriano. Também cabe lembrar o tenor dramático, muito presente nas óperas italianas. O tenor heróico ou wagneriano seria uma tipologia do dramático. Costuma-se falar em qualificação heróica para os repertórios mais pesados (por exemplo, nas óperas de Wagner) também no que se refere às vozes de barítono e baixo.

 

Entre as vozes graves diferenciam-se, por exemplo, o barítono lírico, como Papageno, de "A flauta mágica", e o baixo barítono, como a personagem Escamillo, da ópera "Carmen". Entre os baixos, há o baixo buffo ou ligeiro, como Leporello, de "Don Giovanni", e o baixo profundo, como Felipe II, de "Don Carlo".

 

Como espectadores, só precisamos saber que existem seis diferentes tipos vocais e um grande número de tipos físicos que são utilizados para interpretar os diferentes papéis de uma ópera: agudos e graves, lírico-vibrantes e alegre-cômicos.

 

 

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Fonte:

Guia de óperas para jovens, Arnold Werner-Jensen (2013)