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Bateria da escola de samba, uma orquestra de percussão

Última modificação : Terça, 09 Fevereiro 2016 12:10



Um dos setores mais importantes das escolas de samba que precisa de muito ensaio para funcionar é a bateria, o conjunto de percussão que é o verdadeiro coração da escola. A bateria de uma escola de samba funciona como uma orquestra sinfônica e, em geral, é composta por mais de trezentos músicos. Como toda orquestra, as baterias de escolas de samba também possuem o seu maestro, que no caso é o diretor de bateria, também chamado mestre de bateria.

 

É uma espécie de orquestra com instrumentos de percussão, que devem acompanhar o canto e conduzir o ritmo (seção rítmica) do desfile. Quanto mais rápido e em ritmo mais forte a bateria toca, mais rápido os integrantes costumam desfilar, havendo portanto uma associação vital entre este quesito e o quesito evolução.

 

A seção rítmica, também chamada popularmente de "cozinha", designa um grupo de instrumentos musicais, comumente, dois ou três instrumentos, mais especialmente responsáveis pelo pulso rítmico da parte musical a ser executada como também o acompanhamento das partes musicais. O termo também é referência aos instrumentos que pertencem a este grupo (seção).

 

Costumam fazer parte de uma bateria de escola de samba os seguintes instrumentos: surdo de primeira, surdo de segunda, surdo de terceira, caixa de guerra, repique, chocalho, tamborim, cuíca, agogô, reco-reco, pandeiro, e prato. Cada instrumento tem a sua função no todo.

 

 

Surdos

A primeira categoria é a dos surdos, que se dividem em surdo de primeira, surdo de segunda e surdo de terceira. Os surdos são tambores grandes de sons graves que possuem a função de marcar o tempo no samba. Em geral, existem de 25 a 35 surdos numa bateria de escola de samba. O que os diferencia em três categorias é o tamanho, fator que define se o surdo é mais grave ou mais agudo.

 

Surdo de primeira

Com um aro de cerca de 75 cm de diâmetro, é o maior e mais grave dos três. É tocado no tempo fraco da marcação rítmica – no tempo dois. É ele que dá o andamento principal ao samba, servindo como base. Os puxadores do samba se guiam por ele para não acelerar ou desacelerar o canto. Em geral, há um surdo de primeira junto aos puxadores, como guia. Tem uma afinação mais forte e mais aguda do que a dos surdos de resposta - surdos de segunda.

 

Surdo de segunda

É a resposta ao surdo de primeira. Serve como sustentação para o samba no momento em que o surdo de primeira está 'parado', fazendo um contraponto. Um pouco mais agudo, possui um aro com cerca de 55 cm de diâmetro e é tocado no tempo forte do ritmo – no tempo um. O fato de o som mais grave ser tocado no segundo tempo, e não no primeiro, é uma característica típica do samba.

 

Surdo de terceira

Com 40 cm de diâmetro, é o mais agudo dos três. Aparece entre os outros dois (um pouco antes do surdo de segunda). Ele executa um ritmo mais complexo, realizando síncopes * que preenchem a marcação regular dos outros dois surdos. A batida varia de escola para escola, pois cada uma utiliza um tempo de corte.

 

(*) Síncope ou síncopa - elemento rítmico que consiste no deslocamento da acentuação da parte forte do tempo para a parte fraca do tempo.

 

 

Caixa de guerra

Outro instrumento importantíssimo da bateria na escola de samba, é uma espécie de tambor com uma membrana superior e outra inferior, fixadas e tensionadas em aros metálicos. É o que dá o som característico ao samba pois marca o andamento. Só com o som da caixa já se pode identificar uma escola de samba. É sempre tocado com duas baquetas, e tem duas cordas sobre o 'couro' que dão uma afinação diferente. Marca o andamento mas permite floreios, o que não ocorre nos surdos. A forma como se toca uma caixa varia também de escola para escola: algumas utilizam o instrumento embaixo, na altura da cintura, tocando normalmente com as duas mãos; outras põem a caixa 'em cima', utilizando uma mão como apoio e a outra livre. O tarol é uma caixa de guerra mais fina.

 

 

Repique

O repique, também conhecido como repinique, é um pequeno tambor com membranas em ambos os lados, tocado com uma baqueta e uma mão livre. É bastante utilizado nas paradinhas e nas viradas do samba, como sinal para o retorno dos outros instrumentos.

Antigamente, utilizava-se predominantemente o repique nas paradinhas. Hoje, já admite-se o uso de chocalhos, tamborins e outros, enquanto o resto da bateria silencia.

 

 

Chocalho

O chocalho é um instrumento diferente dos chocalhos que geralmente recebem este nome – aqueles recipientes ocos com pequenos objetos em seu interior. O chocalho da escola de samba é feito com chapinhas (chamadas também de soalhas) que são perfuradas por fileiras de hastes. Agitadas, essas soalhas produzem o som. Há chocalhos com duas, três, quatro, cinco e até seis fileiras. Não há uma grande diferença no som dos chocalhos devido ao número de fileiras, mas uma maior quantidade de fileiras produz um som mais forte. Esse instrumento aparece mais nos refrões, e fica passagens inteiras do samba sem ser tocado. O chocalho ajuda a caixa a dar o balanço do samba, mas é mais leve.

 

 

Tamborim

Instrumento com uma membrana esticada sobre uma armação, sem caixa de ressonância. Possui 15 cm de diâmetro e 5 cm de altura. Para tocá-lo, é preciso segurá-lo com uma mão e percuti-lo com uma baqueta. É um dos instrumentos mais importantes na bateria já que faz todo o desenho do samba. Enquanto os surdos e a caixa fazem uma marcação contínua, o tamborim faz diferentes bossas no samba. Sua baqueta pode ter ponta única ou múltipla, produzindo sons diferentes. Por sua importância dentro da bateria, o naipe de tamborins costuma ter diretores específicos.

 

 

Cuíca

A cuíca é um instrumento semelhante a um tambor, mas com uma haste de madeira presa internamente no centro da membrana de couro. Seu som é obtido com a fricção desta haste com um pedaço de tecido molhado e com a pressão do dedo na parte externa do instrumento. Os sons da cuíca são muito característicos e se assemelham a roncos, grunhidos e guinchos. A extensão total da cuíca pode chegar a duas oitavas, mas a obtenção dessas notas sempre depende da habilidade do instrumentista. Seu andamento depende da marcação dos surdos, que são seguidos pela cuíca. As cornetas e outros apetrechos que aparecem em algumas cuícas são meramente decorativas.

 

 

Agogô

O agogô é formado por duas, três ou quatro campânulas de ferro de tamanhos diferentes, conectadas entre si. Seu som é obtido através da percussão de uma baqueta nas bocas de ferro das campânulas. É o instrumento que tem um dos sons mais agudos da bateria. A bateria do Império Serrano é famosa por privilegiar seu naipe de agogôs, o que acabou por se tornar uma das maiores marcas da escola.

 

 

Reco-reco

O reco-reco é uma caixa de metal com duas ou três molas de aço esticadas sobre o tampo. Sobre elas é friccionada uma baqueta de metal, como num processo de raspagem. Formado por uma haste e um pedaço de madeira (ou metal), seu som é produzido pelo atrito entre essas partes. Algumas baterias já não têm mais reco-recos entre seus ritmistas, mas muitas ainda mantêm esse instrumento.

 

 

Pandeiro

O pandeiro, outro instrumento símbolo do samba, pode ser descrito como uma membrana esticada sobre um aro. Para tocá-lo, é preciso segurá-lo com uma mão e percuti-lo com os dedos ou a palma da outra mão. Fixadas ao redor do aro podem existir soalhas duplas de metal, elemento que incrementa o som do instrumento. Dá um ritmo característico ao samba, mas muitas escolas de samba não utilizam mais o pandeiro em sua formação, pois seu som não é suficientemente audível no conjunto dos instrumentos. É usado como 'alegoria' por muitos ritmistas, que o tocam para as mulatas sambarem e fazerem coreografias.

 

 

Prato

O último instrumento é um par de pratos de metal que são percutidos um contra o outro produzindo um som bem forte. Outro instrumento utilizado basicamente como 'alegoria' pelos ritmistas. Em geral, as escolas têm uma ou duas pessoas com o prato, à frente da bateria, sambando e fazendo malabarismos com os pratos.

 

 

Pode-se dizer que os surdos, em seus três tipos, representam os sons graves da bateria da escola de samba. A caixa de guerra e o repique são responsáveis pelos sons médios. Por sua vez, o chocalho, o tamborim, a cuíca, o agogô, o reco-reco, o pandeiro e o prato representam os sons agudos.


 

 

 

FONTES:

. Estação Musical - Espaço de Música e Artes - Texto de Guilherme Bartz

. Wikipedia.org

. Acervo pessoal de pesquisas.