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Os mais famosos compositores da linha do tempo

CUNHA, BRASÍLIO ITIBERÊ (1846-1913)

Última modificação : Quarta, 11 Março 2015 17:33


 

BRASIL - ESCOLAS NACIONAIS

 

(Paranaguá, 18 de agosto de 1846 – Berlim, 11 de agosto de 1913), foi um compositor, bacharel em direito e diplomata brasileiro, irmão do poeta e crítico literário e musical João Itiberê da Cunha e tio do, também, compositor Brasílio Itiberê da Cunha Luz.

 

Brasílio Itiberê da Cunha nasceu em Paranaguá, em 18 de agosto de 1846 em uma família musical: se destacaram pai, tio, irmãos, sobrinho. Estudou violino, mas foi ao piano, cujas primeiras lições lhe ministrou a irmã Maria Lourença, que Brasílio Itiberê se tornou conhecido como virtuoso e compositor. Aos 20 anos, já pianista renomado, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo onde teve, como colegas, futuros ilustres e influentes personalidades como Rui Barbosa, Rodrigues Alves, Afonso Pena e Castro Alves.

 

Já Bacharel em Direito, viajou para o Rio de Janeiro, onde procurou divulgar sua obra. Em um de seus concertos, realizado na Quinta da Boa Vista, contou com a presença do Imperador D. Pedro II que, encantado com o artista e dentro de uma prática do que se tornaria comum na corte brasileira, ofereceu-lhe um custeio para completar seus estudos na Europa. Esta ajuda, entretanto, devido à formação acadêmica de Brasílio Itiberê, ao contrário daquela da maioria dos músicos brasileiros, acabou se traduzindo em um cargo oficial no corpo diplomático, a convite da Princesa Isabel em 1870.

 

Na sua trajetória política, morou em diversos países da Europa e América do Sul: Prússia, Itália, Bélgica, Bolívia, Peru, Paraguai e Portugal. No Paraguai, teve destacada atuação no processo de reestabelecimento da paz após a guerra contra a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai).

 

Mas foi nos períodos de residência nos países europeus que pode continuar seus estudos musicais e se aproximar de reconhecidos compositores e instrumentistas. Sua posição como adido cultural brasileiro facilitou seu trânsito no meio musical, sendo que o período em Roma, entre 1873 e 1882, foi dos mais intensos. Em um evento, na mesma noite, reuniu três dos mais renomados pianistas: Giovanni Sgambati, Franz Liszt e Anton Rubinstein, o último para o qual teria escrito um Estudo de Concerto. Relatos espúrios contam da troca de gentilezas entre Brasílio Itiberê e Liszt que teriam lido, cada um, uma obra do outro: nosso compositor teria tocado as "Soirées à Venise" de Liszt, e este, a "Sertaneja", de Itiberê.

 

Considerado um dos precursores do nacionalismo, foi um dos primeiros a inspirar-se em motivos populares e a imprimir à sua obra características nitidamente brasileiras.

Compôs música de câmara e coral, além de peças para piano. Sua rapsódia "A Sertaneja" o popularizou, especialmente pela canção tradicional "Balaio, meu bem, Balaio", tema musical folclórico de sua cidade de natal.

 

Brasílio Itiberê deixou cerca de 60 obras, a maioria das quais pouco conhecida e, muitas, ainda desaparecidas. Trinta estão guardadas na Biblioteca Casa da Memória da Fundação Cultural de Curitiba (algumas poucas podem também ser encontradas na Biblioteca Nacional no Rio de janeiro). No catálogo que preparou, Mercedes Reis Pequeno descreve 21 peças para piano solo com número de Opus (o que sugere a existência de pelo menos outras 20 desaparecidas de um total de 41); 11 peças para piano solo sem número de Opus (onde faltam mais 2 mencionadas em jornais); 3 arranjos para violino e piano; 5 obras vocais (3 religiosas, uma de Natal e outra profana) para instrumentações diversas com piano e cordas. Embora entre as obras do compositor predominem os títulos convencionais do repertório erudito de salão do século XIX, algumas merecem um estudo cuidadoso para se verificar até onde se estende seu viés nacionalista além de A Sertaneja: Danse americaine, Ballade des tropiques, A Serrana, Súplica do escravo.

 

De fato, A Sertaneja, obra de juventude de Brasílio Itiberê (publicada quando este tinha 23 anos) e que se tornou a mais conhecida do compositor, apontava para a emergência de um nacionalismo na música erudita brasileira devido à inclusão, no seu tema central, de fragmentos do Balaio, meu bem, balaio. Este tema folclórico, popular não apenas no Paraná, mas em outros estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Sergipe está ligado à tradição de dança do fandango português ou, mesmo, do bambaquerê (dança de bambá) de origem africana.

 

Brasílio Itiberê faleceu em 11 de agosto de 1913 em Berlim, pouco antes de sua transferência como diplomata para os Estados Unidos. Entretanto, havia deixado claro para a família seu desejo de retornar ao país natal. Duas semanas depois, seu corpo embalsamado chegou a Paranaguá e seguiu no dia seguinte para Curitiba, onde foi sepultado. Mais tarde, como o governo do Paraná não ergueu um prometido monumento ao compositor, sua família decidiu levar suas cinzas para o túmulo da esposa no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.




 

Fontes consultadas:

. Dicionário Grove de Música, Edição concisa Zahar

. revistas.ufg.br - página consultada em 08/07/2014

Artigo "A Sertaneja de Brasílio Itiberê: nacional ou estrangeira, amadorística ou sofisticada?"