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ANDRADE, MÁRIO DE (1893-1945)

Última modificação : Domingo, 11 Outubro 2015 13:16



 

Vida. Poeta, ficcionista e ensaísta brasileiro, Mário Raul de Moraes Andrade nasceu a 09 de outubro de 1893 na cidade de São Paulo, onde morreu a 25 de fevereiro de 1945. Fez os estudos iniciais em sua cidade natal. Diplomou-se no Conservatório Dramático Musical de São Paulo, onde viria a ser catedrático de história da música e estética.

 

Crítico de arte em diversos jornais e revistas, com intensa atividade no magistério, foi responsável pela criação do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, onde, como seu primeiro diretor, promoveu cursos de etnografia e folclore. Dirigiu ainda o Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal, Rio de Janeiro, regendo a cátedra de história e filosofia da arte. Orientou os primeiros trabalhos do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, do qual foi um dos criadores.

 

Projeção. Estreia em 1917, sob o pseudônimo de Mário Sobral, com Há uma gota de sangue em cada poema, obra de poesia parnasiano-simbolista. Em 1922 lidera, juntamente com Oswald de Andrade, a Semana de Arte Moderna, e publica Paulicéia desvairada... (1922) que introduz na poesia brasileira temas modernistas. Projeta-se então no cenário intelectual do país, tornando-se, dessa época até 1945, o guia espiritual das vanguardas literárias.

 

Definindo o Modernismo como direito permanente à pesquisa estética, Mário de Andrade aplica esse princípio a toda sua obra poética na qual cada novo livro apresenta uma nova direção. Caracterizando sua poesia como um tudo, registra-se o conflito entre a impregnação surrealista, responsável por um certo hermetismo, e o anseio de ser compreendido, do qual resulta, por vezes, uma clareza excessiva, próxima do prosaico. Essa tensão atinge o auge em O Carro da miséria (1946). O último livro Lira paulistana (1946), destaca-se no conjunto de sua produção poética pela contensão e síntese.

 

Sua ficção caracteriza-se igualmente pelo pragmatismo, pela necessidade de mensagem, quase sempre polêmica, destruindo preconceitos e mitos da cultura brasileira. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (1928), sua obra mais famosa, conjuga elementos comuns à epopeia, à rapsódia, ao lirismo, à história, à mitologia e ao folclore, e traça o perfil do "herói de nossa gente", "herói sem nenhum caráter", produto do entrecruzamento étnico e cultural. Seu conhecimento linguístico leva-o a dinamizar as reservas idiomáticas e dialetais de diversas regiões do país e a estilizar a linguagem oral, revitalizando assim a língua literária brasileira. Notáveis também são os contos de Mário de Andrade.

 

Sua obra de ensaísta, também marcada pela preocupação nacionalista, abrange os vários setores da criação artística. Ensaio sobre música brasileira (1928) pode ser considerado uma das primeiras obras que deram aos estudos de folclore musical uma orientação verdadeiramente científica. Compôs ainda letra e música de diversas canções e modinhas de cunho popular e analisou figuras e tendências das artes plásticas e da literatura.

 

Doutrinador do Modernismo, formulou sua teoria sobre a influência do subconsciente no ensaio A escrava que não é Isaura (1925). Sua concepção estética evoluiu de uma preocupação com os fatores psicológicos da obra para uma consideração maior pela obra em si mesma, como trabalho de artesanato. A influência de Mário de Andrade sobre todas as atividades culturais no Brasil foi e continua imensa.

 

Outras obras. Poesia: Losango cáqui ou Afetos militares de mistura com os porquês de eu saber alemão (1926); Clã do jaboti (1927); Remate de males (1930); Poesias (1941). Contos: Primeiro andar (1926); Belazarte (contos) (1934); Contos novos (1947). Romance: Amar, verbo intransitivo; Idílio (1923-1924) (1927). Crônica: Os filhos da Candinha (1943). Ensaios: O Aleijadinho e Álvares de Azevedo (1935); Namoros com a medicina (1939); O Baile das quatro artes (1943); Aspectos da literatura brasileira (1943); Padre Jesuíno do Monte Carmelo (1945); O Espalhador de passarinho (1946). Estudos musicológicos: Modinhas imperiais, ramilhete de 15 preciosas modinhas de salão brasileiras, do tempo do império, para canto e piano, seguidas por um delicado lundu para pianoforte (1930); Música, doce música (1933); Música do Brasil (1941); Danças dramáticas do Brasil (1941); Pequena história da música (1942). Epistolografia: Cartas de Mário de Andrade a Manuel Bandeira (1958); 71 i.e. Setenta e uma cartas de Mário de Andrade (c.1962).

 

 

 

Fonte:

Enciclopédia Mirador Internacional