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Os mais famosos compositores da linha do tempo

PIANO PREPARADO

Última modificação : Sexta, 05 Junho 2015 16:59



 

A partir da década de 1930, a inquietação criativa do maior nome da vanguarda musical norte-americana, que é o compositor John Cage (1912-1992), leva-o a pesquisar experimentalmente sobre a busca de timbres novos para sua música: afinal, não nos esqueçamos de que a maior postulação estética das vanguardas foi o questionamento e, por fim, a desconstrução das linguagens artísticas, mas também dos códigos que embasavam as linguagens, alterando, assim, não apenas a sistemática dos sinais, mas também os próprios sinais.

 

Foi assim que Cage chegou ao que chamou de prepared piano (piano preparado). Consistia a "preparação" no uso de diferentes "objetos heteróclitos". Tais objetos eram pequenas cunhas de metal, madeira, borracha, algodão, cortiça, feltro, fios de chumbo, entre outros, que Cage fixara entre as cordas do piano que, ao ser acionado, emitia (de permeio com sons convencionais, gerados pelas cordas que não tivessem sido "preparadas"), sonoridades inesperadas e de grande diversidade de timbres e intensidades, a partir da alternância de efeitos de abafamento, aumento de harmônicos audíveis, metalizações, percussões secas, etc.

 

Com isso, o piano emitia sons que o aproximavam do órgão, ou do cravo, ou de tambores, ou de clavicórdios, além de criar as mais inusitadas e, por vezes, instigantes sugestões sonoras.

 

A primeira peça em que Cage usou o piano preparado foi Bacchanale (1938), seguida de outras, como And The Earth Shall Bear Again (1942), In The Name of The Holocaust (1942), Tossed as it is Untroubled (1943), Totem Ancestor (1943), The Periculous Night (1944), Prelude for Meditation (1944), Roof of an Unfocus (1944), Three Dances (para dois pianos preparados - 1945), Sonates and Interludes (1948), e um Concerto para piano preparado e orquestra de câmara (1951).

 

Além de Cage, outros compositores contemporâneos tem usado o piano preparado, como é o caso de Lou Harrison (1917-2003), que foi aluno de Cage (e também de Schoenberg), e Christian Wolff (1934), outro norte-americano que também era ligado a Cage.

 

 

Vídeos:


http://youtu.be/myXAUEuECqQ (audio em inglês)

 

http://youtu.be/43Z4yljYY_c


http://youtu.be/3Wqnaf-ZpfM


 

 

 

 

Fonte:

Sobre os Instrumentos Sinfônicos e em torno deles, José Alexandre dos Santos Ribeiro - Editora Record