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Os mais famosos compositores da linha do tempo

INSTRUMENTOS DE BRINQUEDO

Última modificação : Sexta, 15 Abril 2016 15:46



 

É sem dúvida universal a tendência a se criarem brinquedos infantis (quer artesanais, quer industriais) que imitem instrumentos musicais: em idade de berço é natural que a criança brinque com pequenos chocalhos, ou que tenha pequenos e atrativos móbiles coloridos que, quando movimentados pelas mãos ou pés da criança, ou pelo próprio ar ambiente, produzam sons de guizos suaves e quase tonais. Depois, vem os pequenos tambores, as pianolas de oito ou dez teclas, as siringes de plástico, as ocarinas de cerâmica, as flautinhas e cornetins de madeira, metal ou plástico, as miniaturas (às vezes afináveis) de cavaquinhos, as gaitinhas, os apitos, os reco-recos de madeira, os pequenos atabaques, agogôs ou bongôs e até caixinhas de música.

 

Todos esses mágicos artefatos infantis, que não há criança que com eles não se fascine, são claramente sintomáticos de como os sons da Música podem (e devem) estar naturalmente incorporados aos primeiros hábitos e vivências infantis de todo o mundo.

 

Pois bem, na História da Música há pelo menos dois exemplos famosos - não obstante serem de épocas artístico-musicais e de motivações ético-estéticas bem diferentes - da utilização de instrumentos de brinquedo em obras musicais.

 

O primeiro deles é a Sinfonia dos Brinquedos (Toy Symphony), composição que combina os instrumentos da orquestra sinfônica com brinquedos sonoros. De autoria desconhecida, foi primeiramente atribuída a Joseph Haydn (1732-1809) e posteriormente a Leopold Mozart (1719-1787). Um terceiro nome, o austríaco Edmund Angerer (1740-1794), é apontado por estudiosos como possível autor dessa obra. Usando, como base instrumental, dois violinos e um contrabaixo, o compositor integra o instrumental sinfônico da obra com uma corneta infantil (em sol), um apito que imita o grito da codorna (em fá), outra espécie de apito que imita o canto do cuco (em sol e em mi), mais outro, que simula o som da coruja, um tambor (tonalizado em sol), um chocalho e um triângulo.

 

A obra tem uma linha melódica e estrutura harmônica bem simples, mas de cativante comunicatividade, que conota claramente o singelo e poético universo infantil, em peça claramente contextualizada na época em que foi composta.

 

O outro compositor que utilizou instrumentos de brinquedo em uma obra musical, é o sempre polêmico John Cage (1912-1992), o radical aluno de Schoenberg e arauto precursor de algumas das mais desabridas bandeiras da vanguarda musical da segunda metade do século XX. Cage compôs em 1948 uma peça que, embora não sendo sinfônica, merece ser citada, não só pelo insólito de sua concepção, mas também pela repercussão que teve em sua época. Trata-se de uma Suite for Toy Piano (Suíte para piano de brinquedo). Usando uma pianola de brinquedo, e com apenas nove teclas brancas (ou seja, diatônicas), com extensão situada entre o mi e o fá em torno do dó central, Cage estrutura uma pequena suíte solística em quatro breves partes, por trás da qual fica clara uma intenção visivelmente irônica contra os "malabarismos" pianísticos da grande Música Romântica (contra a qual o pré-minimalismo de Webern (1883-1945) já se insurgira tão radicalmente).

 

São, portanto, muito poucas as semelhanças ou pontos de contato que unem a Sinfonia dos Brinquedos e a Suite for Toy Piano mas, de qualquer forma, trata-se, em ambos os casos, de exemplos expressivos da utilização de instrumentos de brinquedo na Música de Concerto.

 

 

Vídeos:


Sinfonia dos Brinquedos


Suite for Toy Piano






 

 

Fontes:

. Sobre os instrumentos sinfônicos e em torno deles, José Alexandre dos Santos Ribeiro, Editora Record

. IMSLP/Petrucci Music Library