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SINTETIZADOR

Última modificação : Segunda, 29 Dezembro 2014 17:47


 

Nenhum instrumento teve um impacto tão dramático na música contemporânea do que o sintetizador. Seu desenvolvimento criou um novo mundo de infinitas possibilidades sonoras e prenunciou formas de música completamente novas.

 

 

História

O nascimento do sintetizador data de meados dos anos 1940, quando o físico canadense, compositor e construtor de instrumentos Hugh le Caine (1914-1977) construiu o electronic sackbut, instrumento considerado como o primeiro verdadeiro sintetizador. Inicialmente era analógico e modelava internamente as ondas sonoras que produzia, através do uso de voltagens continuamente variáveis.

 

Nos anos 1950, a RCA (Radio Corporation of America) construiu o enorme Mark II Music, usando eletrônica de válvulas e sistema de programação por cartão perfurado - como em um piano mecânico. Esse "monstro desajeitado" necessitava de horas de regulagem e programação antes de estar pronto para produzir qualquer som musical.

 

Outra criação da época incluiu a nova técnica do "Oramics", de Daphne Oram (1925-2003), que usava desenhos em filmes de 35 mm para produzir som, um sistema que foi empregado na oficina radiofônica da BBC por muitos anos.

 

Embora o inventor americano Donald Buchla (1937) tivesse criado um sintetizador disponível comercialmente, a maioria dos instrumentos dos anos 1950 e início dos anos 1960 era, devido a seu enorme tamanho e complexidade, confinada a instituições acadêmicas e estúdios. A explosão de interesse pelo sintetizador foi responsabilidade de um homem, cujo nome tornou-se sinônimo do instrumento - Dr. Robert A.Moog (1934-2005).

 

 

O MOOG

Moog sempre foi interessado em música eletrônica, tendo construído theremins com seu pai durante os anos 1950. Inspirado pelo compositor instrumental Herbert Deutsch, Moog projetou o circuito para seu primeiro sintetizador quando era doutorando em engenharia física pela Universidade de Cornell, onde era aluno de Peter Mauzey, um engenheiro da RCA que trabalhou no sintetizador Mark II Music.

 

Moog apresentou seu primeiro sintetizador na convenção da AES (Audio Engineering Society), em 1964. Como a máquina da RCA, o sintetizador de Moog tinha um flexível desenho modular, no qual o instrumento abrangia diferentes seções ou módulos, com diferentes funções, que podiam se conectar entre si em diversas combinações.

 

O nome de Moog tornou-se mais conhecido quando seu sintetizador foi apresentado para o público através do álbum de 1967, Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Ltd., dos Monkees, tocado por Micky Dolenz. No ano seguinte, Walter (depois Wendy) Carlos lançou o álbum seminal Switched on Bach, que vendeu um milhão de cópias e venceu o Grammy de melhor álbum.

 

O sintetizador Moog e outros que se lhe seguiram (como o Buchla ou o Synket) eram conjuntos de módulos separados, que trabalhavam interligados através de cabos apropriados. Com grande capacidade de diversificação e controle automático de alturas, intensidades, timbres, reverberações e modulações sonoras, esses sintetizadores analógicos e monofônicos eram usados em estúdios de Música Eletrônica com grande avanço e produtividade, em relação ao que até então se conseguira fazer, nas anteriores décadas de 1940 e 1950.

 

 

O MINIMOOG

Em 1970, Robert Moog produziu outro instrumento revolucionário: o minimoog. Ao contrário dos sintetizadores anteriores, o minimoog abandonou o desenho modular em favor de uma estrutura em que toda eletrônica estivesse contida em uma unidade simples de teclado.

 

 

SINTETIZADORES POLIFÔNICOS

Até meados de 1970, a maioria dos sintetizadores era monofônica. Algumas poucas exceções, incluindo o Sonic Six, de Moog, e o ARP Odyssey, eram duofônicos (podiam tocar suas notas ao mesmo tempo). Instrumentos realmente polifônicos, aptos a tocar acordes, apareceram em 1975 na forma do polymoog, com o clássico Yamaha CS-80 e o Oberheim Four-Voice, sendo lançados no ano seguinte.

 

O advento de microprocessadores de circuitos integrados permitiu aos fabricantes levar as vantagens do controle e memória digitais para o sintetizador. Em 1977, a Sequential Circuits apresentou o Prophet 5, um sintetizador polifônico totalmente programável, com armazenamento digital de memória de todas as configurações.

 

 

O SINTETIZADOR DIGITAL

O primeiro sintetizador digital lançado no mercado foi o Synclavier, que era dotado de 16 osciladores com controle digital e um teclado cromático e polifônico de cinco oitavas, divisível em duas seções, além de possuir enorme profusão de controles de timbres e pedais auxiliares.

 

O Prophet 5 abriu o caminho para os sintetizadores digitais e, em 1983, a Yamaha apresentou ao mundo a síntese FM, na forma dos sintetizadores DX7. Este também apresentava outro desenvolvimento, visto pela primeira vez em 1982 no Prophet 600 da Sequential Circuits, o MIDI (Musical Instrument Digital Interface).

 

 

MIDI

MIDI é um protocolo padrão de comunicação da indústria que permite instrumentos musicais eletrônicos (e computadores) a conectarem-se uns aos outros para trocar dados musicais - como valor de notas ou informações de troca de programa. Antes do MIDI, diferentes fabricantes adotavam os seus próprios padrões. Assim, por exemplo, era quase impossível um instrumento Yamaha se comunicar com um aparelho Korg. Em 1981, Dave Smith, da Sequential Circuits, propôs a ideia de uma interface padrão em um artigo à AES e a especificação MIDI 1.0 foi publicada em 1983. A adoção quase universal do MIDI tornou-o uma tecnologia chave, fundamental em situação de palco e estúdio, com aplicações além de puramente musicais, como controle de luzes.

 

 

DIFERENTES TIPOS DE SÍNTESE

Embora a maioria dos sintetizadores tenha muitos princípios fundamentais em comum, existem, de fato, várias diferentes formas de técnicas de síntese. Estas incluem:

 

. Aditiva: na qual sons senoidais puros são combinados para criar diferentes timbres, de acordo com os princípios descobertos pelo matemático francês Joseph Fourier.

 

. Subtrativa: na qual ondas sonoras ricas em harmônicos, como dentes de serra ou quadradas produzidas por um VCO (oscilador de voltagem controlada), passam através de filtros que podem retirar ou acentuar certos harmônicos. Muitos sintetizadores analógicos empregam técnicas subtrativas.



Vídeo

 

 



 

 

 

Fontes:

Manual ilustrado dos instrumentos musicais, Rebecca Berkley...[et al.], organizador geral: Lucien Jenkins, Irmãos Vitale, 2009

Sobre os instrumentos sinfônicos e em torno deles, José Alexandre dos Santos Ribeiro, Editora Record