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Os mais famosos compositores da linha do tempo

ONDAS MARTENOT

Última modificação : Segunda, 05 Janeiro 2015 17:53


 

Em 1928, em Paris, Maurice Martenot (1898-1980), um músico e pesquisador francês que estudou piano, flauta e composição no Conservatório de Paris, apresenta ao mundo musical um instrumento eletrônico por ele criado, e que ele chamou de "ondas musicais" (ondes musicales), mas que hoje se conhece como Ondas Martenot. Trata-se de um instrumento originalmente monofônico.

 

No protótipo, que não possuía teclado, as variações de altura acústica eram conseguidas pelo deslizamento vertical da mão, por um fio esticado e conectado ao instrumento. O teclado apareceu em 1930, seguido de novos aperfeiçoamentos em 1947 quando, atendendo a um pedido do poeta e pensador indiano Rabindranãth Tagore, Martenot criou um instrumento a 1/12 de tom, próprio para a execução de ragas hindus.

 

A apresentação inicial do instrumento se deu a 20 de abril de 1928, no Teatro Nacional da Ópera de Paris, quando o próprio Martenot apareceu como solista de seu instrumento (em cujo manuseio sua irmã Ginette se tornaria, logo depois, a primeira especialista), na execução de um Poema Sinfônico para Ondas Musicais e Orquestra, especialmente composto por Dimitrias Levidis (1885-1966), um compositor grego naturalizado francês e de formação greco-teuto-francesa, que teve algum sucesso em seu tempo.

 

As ondas martenot tem um timbre sombrio, com portamento similar ao do theremin, mas é tocado por meio de um anel de dedo preso a uma corda, que é puxada para cima e para baixo, ao longo de um teclado para determinar a nota. A mão esquerda opera os controles de volume e alguns exemplares do instrumento tem controle adicional sobre filtros e alto-falantes alternativos.

 

A quantidade de peças escritas para ondas martenot é relativamente abundante, nisso se tendo destacado nomes como Florent Schimitt (1870-1958), Honegger (1892-1955), Millhaud (1892-1974), Jolivet (1905-1974), Messiaen (1908-1992), Varèse (1883-1965), entre outros.

 

Modernamente, o instrumento possui sofisticados recursos técnico-acústicos que geram timbres decorrentes de mais de oitenta combinações, servidos por uma gama imensa de intensidades, que vão do "pouco audível" ao "ensurdecedor", com uma extensão de sete oitavas (de dó1 a si6) e com subdivisões que chegam a 1/50. Isso tudo explica o "fascínio acústico" que o instrumento ainda hoje exerce sobre o ouvinte.

 

Maurice Martenot (que em 1937 ganharia, com seu instrumento, o Grand Prix da Exposição de Paris) é autor de uma Méthode d´Ondes Musicales, que é tida como a primeira obra teórica sobre um instrumento musical eletrônico.

 

 

Vídeos:


http://youtu.be/Yy9UBjrUjwo (áudio em inglês)


http://youtu.be/O3H3cdFOvcc




 

 

 

Fonte:

Sobre os instrumentos sinfônicos e em torno deles, José Alexandre dos Santos Ribeiro, Editora Record