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Estúdio de Música Eletrônica | Studio Für Elektronische Musik

Última modificação : Sexta, 06 Novembro 2015 16:16



 

Praticamente ao mesmo tempo que Schaeffer iniciava a sua Música de Ruídos na França (ou seja, em 1948), no ano seguinte, na cidade alemã de Köln (Colônia), o compositor e musicólogo alemão Herbert Eimert (1887-1972), que começara como atonal-serialista e que desde 1927 trabalhava na Wetdeutscher Rundfunk (Rádio do Oeste da Alemanha, conhecida como WDR), começa as pesquisas que levariam à criação e direção do primeiro núcleo de estudos e produção do que se chama de Música Eletrônica do Mundo: o Studio Für Elektronische Musik (Estúdio de Música Eletrônica) de Colônia, no qual, logo depois, pontificaria a figura de Karlheinz Stockhausen (1928-2007), compositor alemão formado em Colônia que, após frequentar os cursos de Luigi Nono (1924-1990) e Karel Goeyvaerts (1923-1993) em Darmstadt, sobre os Modos de Valores e Intensidade, de Messiaen, vai para Paris (1952) a fim de aprofundar seus estudos com o próprio Messiaen.

 

Uma vez em Paris, Stockhausen articula-se com Schaeffer e o Club d´Essai e inicia uma pesquisa sobre a análise componencial dos formantes sonoros. Usando oscilógrafos e filtros sonoros, Stockhausen decupa e analisa os componentes de altura e timbre dos sons gravados. A partir dessas análises componenciais, ele começa a achar que juntando, inversamente ao trabalho de análise, os componentes dos sons, poderia produzir sons eletronicamente sintetizados e, com eles, fazer música acusticamente "pura".

 

Voltando para Colônia, Stockhausen passou a integrar o grupo de Eimert no Estúdio de Música Eletrônica da WDR, criando-se assim, em definitivo, o segundo grande estilo de Música Eletroacústica: a Música Eletrônica.

 

Contrariamente à Música Concreta, que se serve de gravações feitas com o auxílio de microfones, a Música Eletrônica usa exclusivamente sons de origem eletroacústica. O som é produzido por um gerador de frequências e gravado numa fita magnética. Só então se inicia a elaboração, com a manipulação de diversas fitas. A música assim criada faz penetrar em um mundo novo de sonoridades, até o presente desconhecidas. Ela não tem nada em comum com a música eletrônica da indústria de instrumentos manejáveis, com os quais se imita o mundo sonoro conhecido. O fato de se poder criar, nesse novo sistema, uma música que é impossível de ser obtida c convencional e a vanguarda do som instrumentos clássicos, constitui um dos verdadeiros critérios da Música Eletrônica. Poderia se dizer que a Música Eletrônica começa onde acaba a música instrumental.

 

Mas, em 1956, Stockhausen reúne Música Concreta, Música Eletrônica e instrumentação convencional, em sua obra Gesang der Jünglinge (Canto dos Adolescentes), o que faz dessa interessante e gestáltica elaboração musical algo que, entre outras coisas, mostra uma compatibilidade possível entre a Música historicamente convencional e a vanguarda do século XX. Porém, de qualquer forma, a soberana "hegemonia imperial" da orquestra sinfônica, como aparato indispensável para a execução de densas polifonias instrumentais, estava finalmente questionada, a partir do surgimento da Música Eletroacústica (Concreta e Eletrônica).

 

 

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Concerto de Ruídos | Concert de Bruits


 

Vídeo relacionado:


Gesang der Jünglinge, Stockhausen

https://youtu.be/Y1Psx24n3rM






 

Fontes:

Sobre os instrumentos sinfônicos e em torno deles, José Alexandre Santos Ribeiro, Editora Record