ConcertinoPortal de pesquisa da música clássica

Os mais famosos compositores da linha do tempo

SINFONIA FANTÁSTICA, OP. 14

Última modificação : Quinta, 17 Novembro 2016 14:56


 

HECTOR BERLIOZ (1803-1869)

FRANCÊS – ERA ROMÂNTICA – 124 OBRAS

 

Symphonie fantastique, H 48

 

Número de catálogo: Œuvre 14 ; H 48

Tonalidade: dó menor - Dó Maior

Ano da composição: 1830

Primeira apresentação: 05 de dezembro de 1830

Primeira publicação: 1845

Dedicatória: Nicolau I da Rússia

Estilo: Romântico

 

5 Movimentos:

1. Rêveries – Passions. Largo – Allegro agitato e appassionato assai – Religiosamente

2. Un bal. Valse. Allegro non troppo

3. Scène aux champs. Adagio

4. Marche au supplice. Allegretto non troppo

5. Songe d’une nuit de sabbat. Larghetto – Allegro

 

 

Com o subtítulo Episódio da vida de um artista, esta sinfonia teria sido elaborada após o compositor ter assistido, em dezembro de 1827, a uma representação de Hamlet, de Shakespeare. O que encantou o compositor não foi a peça propriamente dita, mas sim a atriz Harriet Smithson, por quem Berlioz ficou perdido de amores. Dias depois retornou ao teatro para assistir outra representação de Shakespeare, Romeu e Julieta, com a mesma atriz. Impressionado escreveu a um amigo: “Lá pelo terceiro ato eu respirava com dificuldade – como se uma mão de ferro apertasse meu coração – Eu sabia que estava perdido”.

 

Suas tentativas de abordar a atriz foram, de início, frustradas. Cerca de três anos depois pensou em utilizar esta paixão como pano de fundo para uma sinfonia programática, sendo ele próprio o jovem músico e Smithson a amada inatingível.

 

A obra sofreu diversas influências: as literárias incluíam textos como Fausto, de Goethe e Confissões de um comedor de ópio, de De Quincey. Entre as musicais pode-se notar a presença das sinfonias de Beethoven, por quem Berlioz tinha grande admiração. Acredita-se que foi a partir da Sexta Sinfonia de Beethoven, a Pastoral, que Berlioz teve a ideia de dar títulos e descrições aos cinco movimentos de sua sinfonia.

 

O programa da Sinfonia Fantástica entregue ao público na estreia em Paris, 1830, conta a saga de um jovem artista apaixonado através de uma série de fatos reais e imaginários, ligados por um artifício criado por Berlioz, conhecido como “ideia fixa” (idée fixe), um motivo musical associado com a figura da amada, que vai sendo retrabalhado obsessivamente no decorrer da sinfonia, aparecendo com os mais diversos caracteres como ternura, raiva e de forma grotesca.

 

Cada movimento traz uma explicação:
1 - Devaneios e Paixões: no primeiro movimento o artista descobre-se apaixonado. Pensa na amada, vê a amada em todos os cantos, não pode viver sem ela e transforma-a em uma ideia fixa. Essa ideia fixa é expressa em música na forma de um tema, tocado pelas clarinetas, que representa sua amada.

 

Obs: Esse procedimento é de fundamental importância na história da música: associar um personagem a um determinado tema musical e usar esse tema cada vez que a personagem aparece será a base dos Poemas Sinfônicos de Liszt e dos Leitmotiv de Wagner. Simplificando um pouco a história, é como a música-tema de uma determinada personagem nas novelas.

2 - Um baile: durante um baile da alta roda parisiense, o compositor vê - ou pensa que vê - sua amada entre os casais que rodopiam. Esse movimento, em ritmo de valsa, faz um uso bastante interessante da harpa.

3 - Cena nos campos: para esquecer a mulher amada, o artista vai para o campo. Todavia, não consegue recuperar sua serenidade. A imagem de sua paixão, na forma da "ideia fixa" volta a atormentá-lo.

4 - Marcha rumo ao cadafalso: o artista fuma ópio e sonha que matou a amada, sendo condenado à morte. Esse movimento termina com sua decapitação.

 

5 - Sabá das Feiticeiras: a mulher que ele amava transformou-se, depois de morta, em uma bruxa. Tem início um Sabá infernal, no qual Berlioz coloca à prova todos os recursos da orquestra moderna. Rápida e estrondosa conclusão.

 

A Sinfonia Fantástica foi executada pela primeira vez em 05 de dezembro de 1830 com a Orquestra formada por membros do Conservatório de Paris, tendo como regente François-Antoine Habeneck. Sofreu inúmeras revisões pelo autor até ser publicada em 1845. O seu roteiro explicativo, que segundo o autor "é indispensável o entendimento do plano dramático da obra" também sofreu revisões ao longo do tempo.

 

Henrietta Constance "Harriet" Smithson (Ennis, 18/03/1800 - Paris, 03/03/1854) foi uma atriz irlandesa que atuava em Paris, em peças de Shakespeare. Tornou-se conhecida não por seu talento como atriz, mas por ter sido a grande paixão do compositor Hector Berlioz, a fonte inspiradora para a obra Sinfonia Fantástica e sua primeira esposa.

 

 

Vídeo





 

 

FONTES BIBLIOGRÁGICAS:

IMSLP/Petrucci Music Library

repertoriosinfonico.blogspot.com.br

Notas Musicais Informativo eletrônico da OSMC

Artigo de Lenita W. M. Nogueira, em

http://osmc.com.br/informativo/026/noticia_4.html

wikipedia.org

 

Páginas acessadas em 20/04/2015

Adaptações dos textos: Elza Costa