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Crianças-prodígio na música | Reflexões sobre um músico clássico

Última modificação : Sábado, 27 Agosto 2016 15:40


 

 

Como pode uma criança que mal sabe ir ao banheiro sozinha entrar completamente formada no que parece ser uma atividade altamente adulta? É um grande mistério. Fazer música requer uma variedade de habilidades e mecanismos emocionais que você não consegue imaginar em uma criancinha. Ainda assim, isso acontece com uma frequência surpreendente. Vamos ver o que a música exige e por que os músicos mais famosos do mundo conseguem começar quando ainda são pouco mais que bebês.

 

 

Em primeiro lugar, a música é uma atividade muito física.

Seja qual for o instrumento que você estiver tocando, você conta mais do que nunca com seus dedos, com a capacidade de manipulá-los todos ao mesmo tempo e em uma alta velocidade, quase sem pensar. Depois vêm os braços, às vezes o corpo inteiro. Quem toca instrumentos de sopro precisa de uma respiração estável e uma forte embocadura – termo técnico que significa a combinação dos músculos faciais e labiais utilizados para tocar os instrumentos. É raro crianças-prodígio tocarem instrumentos de sopro, pois o desenvolvimento físico delas ainda não está completo. Elas conseguem fazer os movimentos dos dedos, mas não soprar com força.

 

 

Em segundo lugar está a habilidade de ler a música…

…embora os prodígios normalmente comecem imitando o que ouvem, ou tocando de ouvido, como dizemos. Ler música é como aprender a ler em um novo idioma. É muito metódico e interessa particularmente a matemáticos, por causa da precisão na articulação de ritmos complexos e das diversas notas encontradas em um piano comum. Ajuda se o músico conseguir ler a música tão fluentemente quanto uma história em um livro, tocando a música enquanto segue a partitura. Na música, isso se chama leitura de notas. Para músicos sérios, a leitura é importante porque permite que você toque uma enorme quantidade de literatura musical, podendo encontrar peças particularmente atraentes para você.

 

 

Em terceiro lugar está a prática.

Ainda que você seja muito bom na leitura das notas, e algumas pessoas são realmente boas – Franz Liszt, o famoso pianista e compositor do século XIX, conseguia ler qualquer partitura de música clássica -, sempre haverá passagens com dificuldade técnica que precisarão de prática constante. A prática requer uma imensa disciplina, e sabe-se que os profissionais praticam até 8 horas por dia – ou seja, um dia normal de trabalho para eles! Felizmente, nossa criança-prodígio logo de início acha as coisas tão fáceis que treinar, ainda que importante, não se torna um fardo. O interessante é que esses prodígios tendem a entrar em crise na adolescência ou um pouco depois, quando precisam suplementar os dons naturais com prática disciplinada. O famoso violinista Yehudi Menuhin, um dos prodígios mais conhecidos do século XX, passou por uma crise assim. Algumas pessoas dizem que ele nunca tocou tão bem novamente como quando era criança, embora tenha continuado a dominar o cenário musical ocidental até sua morte, aos 83 anos.

 

 

Em quarto lugar vem a memória.

Você precisa da partitura para aprender uma peça, mas na hora que a toca, ela já é descartada. Isso posto, alguns poucos músicos famosos usam a música particularmente quando é uma peça recém composta, quando em geral é complicada e difícil de se lembrar. A partitura deve desaparecer, pois é fisicamente impossível se concentrar na execução se você estiver olhando continuamente para a folha – as notas devem fazer parte de você. A memória prega peças, pois todo mundo faz de uma forma diferente. Alguns se lembram por associação física, lembrando-se de como os dedos e o corpo se moveram e reagiram durante a prática. Alguns conseguem lembrar e ouvir o som da música na cabeça, simplesmente reproduzindo-o ao instrumento. Outros têm uma memória fotográfica e conseguem visualizar as páginas da música uma a uma. A maioria de nós tenta esses truques e se esforça. Os melhores músicos têm permanentemente na memória centenas de horas de músicas.

 

 

Em quinta posição está a performance no palco.

Trata-se da habilidade de aparecer na frente de centenas de pessoas e, calmamente, tocar-lhes uma música. Algumas pessoas não têm dificuldade com isso, como por exemplo aquelas pessoas extrovertidas que mal podem esperar para exibir a experiência musical para uma audiência cativa. O grande pianista do século XX e criança-prodígio Artur Rubinstein era um desses. Mesmo quando estava em público, Rubinstein avaliava a performance de seus amigos admiradores durante os intervalos em uma voz alta o suficiente para todos ouvirem. Outros sofrem terríveis crises nervosas conhecidas como medo de palco, sendo incapazes de acreditar que irão se sair bem ou que irão se lembrar das notas que deveriam tocar, e em casos extremos, até mesmo da peça que apresentariam. Vladimir Horowitz era introvertido e por duas vezes deixou os palcos por diversos anos por causa da falta de segurança. O grande intérprete de Bach, Glenn Gould, abandonou os palcos para sempre aos 30 e poucos anos e só tocou novamente em um estúdio de gravação.

 

 

Em sexto lugar, e mais importante de longe, vem a musicalidade.

Trata-se da capacidade inata de expressar amor, desespero, humor, raiva e diversas outras emoções humanas simplesmente ao tocar uma música. A musicalidade é saber que a música é um simples reflexo de nossa existência como seres humanos. A música vai além das notas tocadas nos instrumentos; ela captura o espírito de nossas vidas, transmitindo as agonias, os êxtases e às vezes até as banalidades de nossa existência a qualquer pessoa disposta a ouvir. Se não fosse assim, você não encontraria músicos.

 

 

Então como a criança-prodígio consegue, tão nova e sem ter quase nenhuma experiência de vida? Esse é um daqueles grandes mistérios com apenas uma resposta possível. A de que todos nós temos as emoções humanas básicas programadas em nossos corpos e almas desde o exato momento da concepção. E alguns sortudos, os prodígios, descobrem que a música lhes permite liberar e comunicar essas emoções sem pensar e sem nenhuma instrução inicial.

 

 

 

 

Fonte original do artigo:

SEED, em:

http://www.planetseed.com/pt-br/relatedarticle/seis-principais-caracteristicas-de-uma-crianca-prodigio

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