ConcertinoPortal de pesquisa da música clássica

Os mais famosos compositores da linha do tempo

Tango

Última modificação : Sexta, 01 Abril 2016 14:59


 

 

Etimologia. Segundo a opinião mais aceita, "tango" é um vocábulo onomatopaico de origem negra. O nome vem da denominação tan-gó, que os negros davam por onomatopeia a um dos seus tambores, e que veio a ser usada na nomenclatura de vários instrumentos- tantã, bracatã, entre outros.

 

Origens. O tango nasceu em Buenos Aires, nos anos 1880, como música de dança tipicamente popular. Seus antecessores foram o candombe, do qual herdou o ritmo, a milonga, que lhe inspirou a coreografia, e a habanera, cuja linha melódica assimilou. Era, a princípio, uma criação dos bairros pobres dos subúrbios. Ao aparecerem as primeiras composições "assinadas", o tango entra no período de sua história conhecido como Guardia Vieja. As orquestras componham-se inicialmente de bandolim, bandurra e violões; com a incorporação do acordeon, a que seguiram a flauta e o bandoneon, o tango assume sua expressão definitiva. Dos subúrbios chegou ao centro, teve seu lugar de destaque nos salões familiares e a partir daí foi ganhando fama internacional.

 

No tocante à coreografia, o tango herdou certas características de outras danças de casais enlaçados, como as corridas e quebradas da habanera. Mas aproximou mais o casal e acrescentou uma grande variedade de novas figuras, como o passeio, o corte, a meia-lua, o oito, o volteio, a tesoura, a roda, a marcha, o cruzado, a resvalada, a parada, a meia-volta, o passo atrás. Além dessas, os dançarinos mais experientes se compraziam em combiná-las para demonstrar sua criatividade.

 

Ao sair dos ambientes populares, dos peringundines e prostíbulos, onde imperava nas suas origens arrabaleras, perdeu-se algo da lendária mestria dos bailarinos. Admitido nos salões familiares, o tango abdicou de seus caprichos coreográficos mais extravagantes para se adaptar ao novo ambiente. Ocorria, por exemplo, nesses salões a proibição de "bailar con cortes", para evitar posturas sugestivas de uma intimidade considerada indecente.

 

Os tradicionalistas incriminam a predominância da letra, a partir da década de 1920, como responsável pela adulteração do caráter original do tango. A voz do cantor, segundo esse critério, introduziu uma alteração de ritmo que já não comportava o mesmo modo de dançar.

 

Muitos nomes se tornaram famosos como autores, executores e intérpretes do tango. Entre eles, cabe citar: Angel Gregorio Villoldo (1864-1919), autor do clássico El Choclo, primeiro letrista do tango e também autor teatral; Alfredo Gobbi (1877-1938), pioneiro do lançamento do tango na Europa, e seu filho do mesmo nome (1912-1965); Enrique Saborido (1885-1941), famoso pelo seu tango de 1905, La Morocha; Eduardo Arolas (1892-1924), maestro, compositor e bandoneonista; Agustin Bardi (1884-1941), compositor, guitarrista e pianista; Francisco Canaro (1888-1964), violinista, compositor e diretor da que foi talvez a mais afamada orquestra de tangos de todos os tempos; Juan de Dios Filiberto (1885-1964), considerado o maior expoente do tango-canção, autor de Caminito, Clavel del aire, entre outras obras; Gerardo Matos Rodriguez (1897-1948), autor do tango mais executado e conhecido de todos os tempos, La Cumparsita; Enrique Santos Discépolo (1901-1951), o mais célebre letrista do tango.

 

Enrique Santos Discépolo, músico, ator e teatrólogo argentino, nasceu em Buenos Aires em 27 de março de 1901 e morreu na mesma cidade em 26 de dezembro de 1951. Iniciou sua carreira no teatro, como ator e autor de várias peças. Começou a compor tangos em 1925, mas popularizou-se sobretudo como letrista. Eis algumas das mais conhecidas criações de Discépolo: Que vachacé (1926), Esta noche me emborracho (1928), El dia que me quieras (1929), Yira yira (1930), Confesión (1931), Alma del bandoneón e Cambalache (1935), Tormenta (1939), Cafetín de Buenos Aires (1948). Suas letras caracterizam-se por um humor amargo e céptico, característicamente portenho. Discépolo dedicou-se também ao cinema, como ator, compositor e diretor.

 

A voz humana, que de início não tinha grande destaque no tango, ganhou importância a partir da segunda década do século XX. O primeiro cantor profissional de tango (também compositor) foi Arturo de Nava (1867-1932). Outros se seguiram, como Ignacio Corsini e Agustín Magaldi; entre as mulheres, Rosita Quiroga, Azucena Maizani e Libertad Lamarque. O maior de todos, entretanto, foi Carlos Gardel, cuja interpretação inimitável lhe valeu projeção internacional e um verdadeiro culto por parte do povo argentino, manifestado com intensa emoção ainda na passagem do quinquagésimo aniversário de sua morte, em 1985.

 

Carlos Gardel, cantor argentino, nasceu em Toulouse, França, em 11 de dezembro de 1890 e morreu em um desastre de avião em Medelha, Colômbia, em 24 de junho de 1935. Chegou a Buenos Aires com três anos. Dos 14 aos 20 anos viveu em Montevidéu. De volta a Buenos Aires, cantou em cafés e outros locais de entretenimento, e em pouco tempo se tornou conhecido e admirado, começando a apresentar-se em teatros e a gravar discos. Em 1923, já consagrado como grande intérprete do tango, viajou pela primeira vez ao exterior, apresentando-se em Madrid. Em 1928 e 1929 obteve extraordinário sucesso em Paris. A partir de então, até sua morte, só esporadicamente cantou na Argentina. Participou de vários filmes, o primeiro deles em 1917, Flor de durazno, seguindo-se, entre outros, Luces de Buenos Aires (1931), La casa es seria (1932, filmado na França), El dia que me quieras (1935, filmado em Nova York). Foi também compositor. Convertido em mito nacional, a lembrança de Gardel se manteve viva ao longo dos anos.

 

Embora o tango continuasse a ser ouvido e cultuado na Argentina conforme a feição que lhe foi dada por Gardel, começou também a tornar-se objeto de tentativas de renovação. Entre os representantes da tendência nesse sentido figuram Mariano Mores e Anibal Troilo, da Guardia Nueva, e, sobretudo, Astor Piazzolla, que rompeu decididamente com os moldes clássicos do tango, dando-lhe tratamentos harmônicos e rítmicos modernos.

 

Astor Piazzola, músico argentino, nascido em Buenos Aires, em 1920, iniciou-se participando da orquestra de Anibal Troilo, como bandeonista e arranjador. Obteve o prêmio Fabián Sevitsky por sua composição Buenos Aires. Compôs também Sonata, Tango-ballet, Tango em fá, Epopeya argentina (para coro e orquestra) e música para cinema e teatro. Tornou-se líder do movimento renovador do tango. Criou algumas composições famosas: Balada para un loco, Balada para mi muerte, Chiquilin de Bachin, Años de soledad, Libertango, Adios nonino, Fuga 9, Buenos Aires hora cero, Luz y sombra, Otoño porteño, Verano porteño, entre outras. Juntamente com Horacio Ferrer compôs a opereta Maria de Buenos Aires.

 

O chamado tango brasileiro, que nada tem a ver com o argentino, deve-se a uma fusão entre a habanera, a polca e o lundu, da qual teria derivado também o maxixe. Foi Ernesto Nazareth quem deu maior realce ao tango brasileiro imprimindo-lhe sua marca pessoal.

 

 

 

 

FONTE BIBLIOGRÁFICA:

Enciclopedia Mirador Internacional | Encyclopaedia Britannica do Brasil