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Os mais famosos compositores da linha do tempo

Ópera

Última modificação : Quarta, 15 Maio 2013 15:10


Conceituação. A ópera define-se como uma obra teatral posta em música. Acima do acompanhamento orquestral, o canto dos personagens assume papel preponderante. O libreto, o texto dos cantos, costuma ser de importância secundária; mas nunca cessaram os esforços de dar à ópera uma base mais firme de ação dramática.

 

Origem. Ao final do séc. XVI, em Florença, surge a ópera como tentativa de humanistas: tendo fracassado todas as tentativas de imitar a tragédia grega antiga, descobriu-se que as peças de Sófocles e Eurípedes eram acompanhadas, nas representações, por música. Esperando revivificar, pelo acompanhamento musical, a tragédia antiga, os humanistas criaram - sem percebê-lo – um gênero inteiramente novo: a ópera ou, como se dizia em italiano, o melodrama.

 

Os florentinos. Foi um grupo de poetas e músicos em Florença, a Cammerata Fiorentina, que realizou o projeto de reviver a tragédia grega que acreditavam ser inteiramente cantada. As principais obras do novo gênero são Dafne (1597) e Euridice (1600), compostas pelo maestro Jacopo Peri (1561-1633).

 

Giulio Caccini (1550-1618) também compõe uma Eurídice (1600), sobre o mesmo texto. Enquanto Peri utiliza quase só o recitativo, isto é, a declamação ‘salmodiante’ das palavras, Caccini já escreve árias. Mas essas obras todas são rudimentares, musicalmente e dramaticamente.

 

A primeira ópera veneziana. Nas obras do grande Claudio Monteverdi (1567-1643), criador do estilo veneziano de ópera, a ária transforma-se em centro das situações dramáticas. O recitativo é muito elaborado; serve para caracterizar os personagens. O acompanhamento é confiado a uma orquestra na qual predominam os instrumentos de cordas. O Orfeo (1607) de Monteverdi pode ser considerado como a primeira ópera autêntica; e foi um sucesso enorme. Os solistas manifestam seus sentimentos numa forma musical verdadeiramente dramática. A partir de Monteverdi estão definidos os elementos constitutivos da ópera.

 

Ópera romana. Em Roma elaborou-se um estilo operístico, algo diferente, entre 1620 e 1660. Os temas são mitológicos, ou então tirados da história antiga. Citam-se os nomes de Domenico Mazzochi (1592-1665) e Giacinto Cornachioli (1600? -1653). Mas nenhuma das suas obras sobreviveu, graças à oposição da igreja contra os espetáculos profanos.

 

A evolução em Veneza. A obra veneziana depois de Monteverdi caracteriza-se, sobretudo, por qualidades extramusicais: a grande pompa das encenações, com as quais começa a luxuosa cenografia barroca. A matéria musical, embora sem a dramaticidade de Monteverdi, já tem nível bastante alto. Os mais conhecidos operistas dessa época são Pier Francesco Cavalli (1602-1676) e Marc’ Antonio Cesti (1623-1669). O primeiro adotou um estilo austero que, comparado ao de Monteverdi, parece quase arcaico. Cesti se preocupa mais com a beleza melódica das árias da qual distingue o tom seco e dramático dos recitativos.

 

A ópera francesa. Na França, a ópera foi importada pelo italiano Jean Baptiste Lully (1632-1687): além de introduzir as formas tipicamente francesas de dança, desenvolveu muito o acompanhamento instrumental. À orquestra de Monteverdi, Lully acrescenta instrumentos de sopro, estruturando um novo tipo de orquestra, usando-se para executar, antes da representação, peças instrumentais, as ouvertures françaises (aberturas francesas). Essa forma inventada por Lully será da maior importância para o desenvolvimento dos gêneros abertura e sinfonia. As óperas de Lully são, em geral, bastante frias; parecem transposições, para a música, da tragédia clássica francesa.

 

Rival de Lully, Marc’ Antoine Charpentier (1634-1704) é digno de nota por mais alta qualidade musical; segue a tradição italiana de Monteverdi.

 

Lully exerceu influência na Inglaterra, onde a ópera do séc. XVII tem um grande representante em Henry Purcell (1658-1695). Acessível também às influências da ópera de Monteverdi, escreveu, em gera,l música de cena para as peças teatrais; a música apenas interrompe a ação dramática. Mas Dido and Aeneas (1689) é uma verdadeira ópera.

 

Ópera napolitana. Um novo estilo de ópera vai nascer em Nápoles na segunda metade do séc. XVII com Alessandro Scarlatti (1659-1725). A ação dramática, sempre convencional, é interrompida, nos momentos culminantes, por peças vocais brilhantes, as árias, em que reside o principal valor musical desse tipo de ópera; é abundante a ornamentação melódica, anunciando o Rococó. Alessandro Scarlatti, o maior representante desse estilo, superou as concepções orquestrais de Lully pelo largo emprego de instrumentos de sopro. Criou a abertura italiana, diferente da francesa. Principalmente, é obra sua a ária de forma elaborada; elementos importantes são os ornamentos vocais em que se exibe o virtuosismo do cantor.

 

Ao lado de Alessandro Scarlatti, a ópera bufa, gênero cômico, foi criada por Giovanni Battista Pergolese (1710-1736). Sua Serva padrona (1733; A Criada patroa) é de vivacidade tipicamente napolitana; mas o sucesso internacional dessa obra (e do próprio gênero) só começou em Paris, onde a pequena e graciosa ópera foi representada em 1752.

 

Século XVIII. O estilo de Alessandro Scarlatti domina a ópera. Baldassare Galupi (1706-1783) e Giovanni Paesiello (1740-1816), ou Paisiello, são os operistas mais conhecidos. A maioria dos libretos italianos é de autoria de Pietro Metastasio (1698-1782), cujos versos melodiosos facilitam a exibição virtuosística das grandes cantoras e, sobretudo, dos castrati (castrados), como o famoso Carlo Farinelli (1705-1782). O último representante do estilo rococó é Domenico Cimarosa (1749-1801), o autor de Il Matrimonio segreto (1792; O Casamento secreto), tão admirado por Stendhal.

 

Talvez o mais conhecido dos operistas italianos da ópera seja Johann Adolf Hasse (1699-1783), alemão de nascimento; mas sua música é totalmente italianizada. Os contemporâneos também apreciavam muito as óperas de Giuseppe Sarti (1729-1802). A ópera italiana do séc.XVIII, gênero essencialmente aristocrático, dominou toda a Europa: Veneza e S. Petersburgo, Paris e Viena, Munique e Estocolmo, Madrid e Londres. Em Londres é Haendel (1685-1759) o principal representante da ópera de estilo barroco. Em suas óperas teatrais reúne a melodia italiana e as formas majestosas próprias da música inglesa. Suas óperas caracterizam-se pela grandiosidade e expressão dramática; também confere Haendel aos recitativos acompanhados, uma magnífica amplitude. O séc. XX tem assistido a uma espécie de renascença das óperas do mestre.

 

Na França, Jean Philippe Rameau (1683-1764) ousou entrar em competição com os italianos. É um compositor sólido, mas seco e frio. Contudo, seus recitativos dramáticos são admiráveis, assim como as danças; no gênero do ballet-opéra, como Lês Indes galantes (1735), a música teatral de Rameau sobrevive.

 

O sucesso de Pergolese em Paris foi determinante para a evolução da opéra comique francesa, cujo mestre principal é André Grétry (1742-1813). Entre seus numerosos sucessores destaca-se o francês Adrien Boildieu (1775-1834), compositor leve, mas agradável. Ao mesmo tempo floresceu na Alemanha o Singspiel, uma ópera modesta com diálogos falados, mais ingênuos que a ópera cômica francesa e mais popular. O nome mais conhecido é o de Johann Adam Hiller (1728-1804).

 

Gluck e a reforma da ópera. São vários os compositores do séc. XVIII que desejavam ou empreenderam uma reforma da ópera: restabelecimento da pureza musical, desvirtuada pelo excesso de valorização do canto virtuosístico, mas estereotipado; abolição dos enredos rotineiros por uma ação dramática coerente; enquadramento das árias nessa ação; e, enfim, o desejo de conferir um sentido mais humano ao gênero. São exigências do estilo neo-clássico da época, já tingido pelo sentimentalismo pré-romântico. Essas exigências são as dos precursores e competidores de Gluck: Niccolo Jommelli (1714-1774), compositor sério que na instrumentação é influenciado pela escola dos sinfonistas de Mannheim, e Tommaso Traëtta (1727-1779), antecipando diretamente o estilo de Gluck sem, mais tarde, imitá-lo. Uma ou outra dessas óperas, como a Antigone (1772) de Traëtta, já ressurgiu em nosso tempo, assim como várias óperas de Piccini e Spontini.

 

O próprio Christoph Willibald Gluck (1714-1787) empreendeu a primeira reforma radical da ópera: subordinando a música ao texto, consegue criar personagens bem caracterizados e uma ação verdadeiramente dramática. Elimina a pompa barroca, não faz concessões ao virtuosismo do bel canto italiano. As vozes, a orquestra, tudo deve atender a um só objetivo, que é o da expressão dramática. Esses princípios foram realizados, primeiro, em Orfeo ed Eurídice (1762); e 1762 é uma data marcante da história da música.

 

Mozart. Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) não se enquadra em ‘escola’ alguma. Suas óperas sofrem influências de Gluck e de vários compositores italianos, mas são, no entanto, obras altamente pessoais, inconfundivelmente “mozartianas”. Soube assimilar as mais diversas tendências, reunindo harmoniosamente o estilo do Classicismo vienense e os traços característicos da melodia italiana. Embora já apresentando certos sintomas do Romantismo, Mozart permanece fiel às concepções derivadas da ópera italiana do séc. XVIII. Pela arte da caracterização musical dos personagens já foi chamado “o Shakespeare da ópera”; e Don Giovanni (1787) é algo como “a ópera das óperas”. Sua última obra teatral, Die Zauberflöte (1791; A Flauta mágica), é, quanto à forma, um Singspiel alemão, mas de significação transcendental. Posteriormente só uma única obra pode ser comparada a esta, também um Singspiel de cunho sinfônico: Fidelio (1805) de Beethoven.

 

A ópera romântica alemã. As obras de Carl Maria Von Weber (1786-1826) marcam uma data importante na história da ópera. Romântico, Weber explora uma arte especificamente alemã de tendências nacionalistas, através do emprego de elementos folclóricos, lendas e superstições da Alemanha. Der Freischültz (1821; O Franco atirador) é obra intensamente popular e obteve um sucesso que não diminuiu até hoje. Românticos também foram o grande escritor e músico E.T.A. Hoffmann (1776-1822), Louis Spohr (1784-1859) e o weberiano Heinrich Marschner (1795-1861), que chegou a exercer alguma influência em Wagner. É mais baixo o nível musical da ópera cômica romântica, representada por Albert Lortzing; mas Otto Nicolai (1810-1849) conseguiu transformar para o gosto alemão o estilo buffo da ópera italiana. Sentimentalismo pseudo-romântico garantiu o sucesso de Friedrich Von Flotow, compositor alemão quase totalmente afrancesado.

 

Ópera romântica italiana. Gioacchino Antonio Rossini (1792-1868) é o primeiro e principal representante da nova ópera italiana, mais ou menos romântica. Suas obras estão cheias de melodias brilhantes e aparentemente fáceis, gravando-se na memória do ouvinte; não é desprezível sua arte da instrumentação. A música rossiniana foi perfeitamente adaptada à sociedade da época da Restauração. Pela verve cômica e histriônica, Il Barbiere di Siviglia (1816; O Barbeiro de Sevilha) é uma obra-prima. Os contemporâneos também idolatraram as óperas trágicas de Rossini, das quais só Guillaume Tell (1829) se salvou para posteridade.

 

Ao lado de Rossini costuma-se citar Vincenzo Bellini (1801-1835), de forte invenção melódica, mas sem harmonia alguma; a música de Bellini é tão somente melodiosa. Norma (1831) é sua ópera mais famosa; mas seu maior título de glória é a influência que suas melodias exerceram sobre Chopin.

 

Gaetano Donizetti (1797-1848), o autor de mais de setenta óperas, é inferior aos outros dois. Foi espécie de sub-Rossini da sociedade parisiense. No entanto, ainda é impressionante a força dramática de sua Lucia di Lammermoor (1835); e suas óperas cômicas também sobrevivem.

 

O nacionalismo na ópera. O sucesso internacional de Weber inspirou tendências nacionalistas em toda a Europa oriental, na Hungria, na Polônia, entre os tchecos e na Rússia. Na Hungria, o criador da ópera nacional é Ferencz Erkel (1810-1893), cujas obras aproveitam elementos folclóricos. Na Polônia, em estilo semelhante ao de Weber, destaca-se Stanislaw Moniuszko (1819-1872). Entre os tchecos é Bedrich Smetana (1824-1884) a maior figura. A Rússia é a que fornece os principais operistas nacionalistas. O “Weber russo” foi Mikhail Glinka (1804-1875). De um nacionalismo mais radical é Aleksandr Borodin (1834-1887), em Kniaz Igor (representado só em 1890; Príncipe Igor). O maior dos nacionalistas eslavos, no entanto, é Modest Mussorgski (1839-1881), autor do Boris Godunov (1874). Mais tarde surge Nikolai Rimski-Korsakov (1844-1908), de nacionalismo espetacular, embora sua música esteja repleta de elementos orientais. Meio ocidentalista e meio eclético foi Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893), que aproveitou o estilo da ópera romântica italiana; suas óperas talvez sejam a parte mais valiosa de sua obra, mas justamente aquela que menos fascinou numerosos tchaikovskianos do Ocidente.

 

“Grande ópera” francesa. O estilo que surgiu na França por volta de 1830 adapta-se perfeitamente ao gosto da burguesia vitoriosa da Revolução. Precursores desse estilo são o Rossini de Guillaume Tell e Daniel Francis Espirit Auber (1782-1871, com La Muette de Portici (1830; A Muda de Portici); deste só sobrevivem algumas espirituosas óperas cômicas.

 

A grande ópera francesa caracteriza-se pela grande pompa cênica, pela longa duração (4 a 5 atos) e pelos malabarismos vocais do canto; o nível musical não é dos mais altos, mas realçado por artes até então inéditas da instrumentação. O objetivo supremo desses operistas é o efeito cênico. Como criador do gênero pode ser considerado Giacomo Meverbeer (1791-1864), cujas óperas são obras ecléticas, misturando o estilo melódico italiano, o da ópera literária francesa e do romantismo alemão de Weber; o objetivo principal sempre é o forte efeito teatral.

 

Hector Berlioz (1803-1869) só pode ser condicionalmente mencionado ao lado dos autores da ‘grande ópera’. Sendo a mais importante figura do alto romantismo francês, sua cantata cênica Damnation de Faust (1846; Danação de Fausto) é mais autenticamente romântica que qualquer obra de seus rivais mais bem sucedidos; e a sua ópera La Troyens (1859; Os Troianos) é obra deliberadamente clássica, virgiliana.

 

A ópera parisiense. A ‘grande ópera’ não chegou a dominar completamente os palcos parisienses; uma segunda geração de operistas cultivou um romantismo mais sincero. Charles Gounod (1818-1893) é de maior autenticidade musical, e no entanto grande inventor de melodias; Faust (1859) mantém-se até hoje nos palcos. Inferior a Gounod e bem ao gosto da burguesia da época foi Ambroise Thomas (1811-1896), o autor de Mignon (1868).

 

Um lugar à parte pertence à Carmen (1875), de Georges Bizet (1838-1875), obra-prima de grande originalidade e de notável verve rítmica. Carmen talvez tenha sido o maior sucesso de ópera em todos os tempos. O último representante da ópera tipicamente parisiense foi Jules Massenet (1842-1912), o autor de Manon (1884).

 

Richard Wagner. A obra de Richard Wagner (1813-1883) é essencialmente romântica, numa época em que o romantismo já parecia pertencer ao passado. Mas é justamente o passado germânico que sua arte glorifica. Retomando a tarefa de Gluck, realiza uma reforma radical do teatro lírico. Suas obras não são ou não querem ser óperas, mas dramas musicais: ária, recitativo, diálogo, coros desaparecem; as cenas do texto são “integralmente postas em música” (“durchkomponiert”). A orquestra assume a mesma importância dos cantores, é altamente sinfônica. No fundo, trata-se mesmo de sinfonias, ilustradas no palco por uma ação dramática, cujo conteúdo é uma mensagem radicalmente romântica.

 

Tristan und Isold (1859), é a primeira grande obra da música moderna, ao passo que Die Meistersinger Von Nümberg (1867; Os Mestres cantores de Nuremberg) evocam pela última vez o mundo da polifonia.

 

A ópera de Verdi. Ao lado de Wagner só Giuseppe Verdi (1813-1901) conseguiu manter-se, e vitoriosamente, nos palcos das casas de ópera. Numa primeira fase foi Verdi um seguidor de Rossini e Donizetti, embora seu patriotismo italiano e o mais forte elemento romântico de sua música lhe definissem a personalidade diferente. O sucesso internacional veio com Rigoletto (1851) e La Traviata (1853), fixando para os contemporâneos e para a posteridade a imagem de uma riqueza inesgotável de melodias dramáticas, tipicamente italianas; Verdi talvez seja o operista mais popular de todos os tempos. Mas não descansando sobre esses lauréis, Verdi evolui, na velhice, para a arte madura de Otello (1887) e Falstaff (1893); a orquestra deixa de ser um mero instrumento de acompanhamento de árias e duetos, para se tornar a base do acontecimento musical no palco. Nesse caminho, poucos conseguiram acompanhá-lo: talvez só Amilcare Ponchielli (1834-1886) e, sobre tudo, Arrigo Boito. Mas foi, em toda parte, grande o número dos compositores no estilo da segunda fase de Verdi, inclusive o brasileiro Carlos Gomes (1836-1896); sua melodia é italiana, ou antes italianizada; mas não lhe faltam traços bem nacionais.

 

Verismo. Em certas obras de Verdi encontram-se, ao lado do estilo romântico, elementos fortemente realistas: ousou escolher, como personagem principal, um corcunda (Rigoletto) ou uma meretriz (La Traviata), coisas nunca antes vistas e ouvidas na ópera. Sob a influência de Carmen e com a colaboração da literatura naturalista italiana, que se chamava verista, um realismo espetacular entrou na ópera como Pietro Mascagni (1836-1944) e Ruggiero Leoncavallo (1858-1919), cujas obras em um ato, Cavalleria rusticana (1890) e I Pagliacci (1892; Os Palhaços), respectivamente, obtiveram sucesso internacional que perdura até hoje. Sua música é fortemente dramática, mas também bastante vulgar, ao gosto do grande público. Veristas também foram Umberto Giordano (1867-1948), e, na França, Gustave Charpentier (1860-1956), em cuja Louise (1900) um enredo naturalista à maneira de Zola é tratado com lirismo à maneira de Massenet.

 

Representante de um lirismo mais fino foi Giaccomo Puccini (1858-1924), dotado de grande sensibilidade musical, que não desprezou a lição de Wagner. O valor musical de suas obras foi prejudicado pelo excessivo sentimentalismo e sensacionalismo; mas justamente esses defeitos garantiram-lhe o sucesso permanente, que só não inclui as últimas óperas de Puccini, as melhores.

 

Os wagnerianos. Na Alemanha, Hans Pfitzner (1869-1949) procurou liberar-se do wagnerianismo, voltando ao primeiro romantismo de Weber e combatendo qualquer tendência modernista. Mas Richard Strauss (1864-1949) foi espécie de um Wagner atualizado: primeiro, decadentista, em Salome (1905) e Elektra (1909); depois, empregou o brilho inédito de sua orquestração para transfigurar o ambiente mozartiano de Der Rosenkavalier (1911; O Cavaleiro da rosa). Enfim, cultivou espécie de ópera neobarroca.

 

O impressionismo. Contra o wagnerianismo, que dominou na época a França, revoltou-se Claude Debussy (1862-1918), cuja ópera Pelléas et Mélisande (1902) é um anti “Tristão”. O texto é simplesmente declamado, o ritmo é deliberadamente monótono, a orquestra cria uma atmosfera misteriosa, como de sonho. Impressionista como Debussy também é Paul Dukas (1865-1935), autor de uma das melhores óperas francesas, Ariane et Barbe-bleu (1907; Ariana e Barba-Azul). Na Alemanha, Franz Schreker recebeu a influência de Debussy; mas os temas de suas óperas são os do  teatro expressionista alemão. Do impressionismo também partiu Ferruccio Busoni (1866-1924); sua arte complexa, sem teatralidade e altamente intelectualizada, manifesta-se em obras pouco acessíveis ao grande público.

 

Influenciado pelo impressionismo francês é o tcheco Lecs Janácek (1854-1928). Suas óperas, como Jenufa (1904), se opõe ao romantismo de Smetana, sua declamação musical adapta-se perfeitamente ao ritmo da língua tcheca, seus temas são populares, mas não folclóricos. Folclorista é Jaromir Weinberger, que obteve sucesso internacional.

 

Os russos modernos. Sergei Prokofiev (1891-1953) foi, na Rússia, o último dos compositores da época do impressionismo; mas tornou-se, depois, neoclássico e até eclético, sem perder nada do seu nacionalismo eslavo, que também define a arte de Dimitri Shostakovitch (1906-1975), na sua ópera Lady Macbeth mzenskogo ujezda (1934; Lady MacBeth do distrito de Mzensk).

 

Ópera contemporânea. As inovações radicais da música moderna, depois de Stravinski e Schöenberg parecem pouco favoráveis à arte operística, que passa hoje, em amplos círculos, por gênero obsoleto. No entanto, todos os grandes compositores da nossa época escreveram óperas, cujo traço característico comum é a adaptação da música ao estilo literário do libreto; já se falou em ‘literalização da ópera’.

 

Ópera neoclássica. A tendência literária também caracteriza as óperas francesas de estilo neoclássico, dos compositores do grupo dos Six. Cultivando uma música funcional, de cunho anti-romântico, limitaram-se pelo menos inicialmente, a uma simplificação extrema, rejeitando as complexidades do impressionismo. Pertencem a esse grupo Francis Poulenc (1899-1963), Darius Milhaud (1892-1974) e Honegger (1892-1955). Dialogues des carmelites (1956; Diálogos das carmelitas), de Poulenc, é uma obra de cunho religioso, assim como as grandes óperas de Honegger, que talvez sejam melhor chamadas ‘oratórios cênicos’. Milhaud evolui para um estilo de ópera neo-barroca, que emprega todos os recursos teatrais, inclusive, em Christoph Colomb (1930), efeitos cinematográficos.

 

Norte-americanos. Nos E.U.A., George Gershwin (1898-1937) fez uma tentativa bem sucedida de introduzir o jazz na música operística: Porgy and Bess (1935) foi um grande sucesso.  Giancarlo Menotti (1911) deve o êxito mais aos libretos - como o de The Consul (1950) – do que à sua musica eclética.

 

A escola de Viena. As óperas em estilo dodecafônico talvez sejam as mais literárias de todas. As de Arnold Schöenberg (1874-1951) são os exemplos mais característicos do expressionismo musical. E Alban Berg (1885-1935) transformou Wozzeck (1921), o drama do pré-expressionista Georg Büchner, em ópera de sucesso não somente grande, mas também profundo: é a única criação operística da música moderna, até hoje, que conquistou um lugar permanente no repertório. Entre os adeptos da música serial é necessário citar, ainda, Ernst Krenek (1900) e Luigi Dallapiccola (1904-1975). Dodecafonista não ortodoxo foi o alemão Bernt Aloys Zimmermann (1918-1970), autor de ópera Die Soldaten (1960; Os soldados), que é considerada obra-prima de estilo novo.

  

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional