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Música Grega, A

Última modificação : Sexta, 13 Fevereiro 2015 17:54



A música grega era monofônica (constituída por uma única linha melódica, sem outras vozes, nem acompanhamento) e consistia na sua maior parte de melodias simples, sem harmonias ou combinações de melodias, e sem acompanhamento instrumental. 


Conservam-se apenas poucos documentos musicais gregos, mas existem muitos trabalhos teóricos que serviam de base para a música medieval e assim, indiretamente, para a música contemporânea. Segundo os gregos, a música era de origem divina e sua mitologia é rica em lendas sobre o início dessa arte. Música e ginástica eram as matérias principais da educação grega, compreendendo o termo “música” o que hoje chamamos de música instrumental, canto, bailado e oratória. Dada a grande importância da música para a vida cultural dos gregos, seus maiores pensadores dedicaram-lhe estudos especiais. Pitágoras, Timóteo, Aristoxeno, Aristóteles e Platão escreveram e lecionaram sobre os mais diversos assuntos da música.

 

O grande teórico da música grega antiga foi Pitágoras, considerado o fundador de nosso conhecimento de harmonia musical - a relação física entre as diferentes frequências sonoras (notas) e o efeito de suas combinações. Também foi ele o sistematizador da associação de cada modo com determinado estado de alma, imbuindo-os de uma ética especial. 

 

Por exemplo, o modo dórico era considerado capaz de induzir um estado (ethos) pacífico e positivo, ao passo que o modo frígio era considerado subjetivo e passional, uma sensibilidade hoje em grande parte perdida, mas que pode ser vagamente comparada ao efeito das modernas escalas maior, convencionalmente usada para produzir uma impressão animada e alegre, e menor, usada para descrever estados melancólicos ou introspectivos. 

 

Também a ele se deve a análise da música sob a ótica de uma matemática transcendental, relacionando-a à constituição íntima do universo, concebido como uma estrutura criada e sustentada através de relações numéricas perfeitas que produziam a chamada música das esferas, a qual, entretanto, só poderia ser inteligível através do pensamento superior. Daí a ligação da música com a filosofia e a consequente codificação de uma série de regras éticas para composição e execução musical, a fim de que a música humana ecoasse a ordem perfeita do cosmo.

 

A música grega era baseada no Tetracorde, que forma metade da oitava moderna e que correspondia à afinação da Lira. O tetracorde corresponde à nossa quarta justa; seus graus externos chamavam-se “fixos”, os internos “móveis”. Havia 3 espécies de tetracorde: o Diatônico, com intervalos de tons e semitons; o Cromático em que um intervalo correspondia ao nosso semi tom; o Enarmônico com um intervalo que correspondia mais ou menos a um quarto de tom moderno. Os gregos contavam seus acordes e escalas, começando com o grau mais alto, para baixo, e não da tônica mais baixa para cima, como nós costumamos fazer.

 

Para a denominação dos modos foram usados nomes de cidades ou províncias gregas: os modos primários tiveram os nomes de “dórico”, “frígio” e “lídio”. Cada modo primário tinha seus modos secundários, significando o prefixo “hyper” os modos que se encontravam acima dos respectivos modos primários, e o prefixo “hypo” os que se encontravam abaixo. Visto que cada grau dentro da oitava tinha dois quartos de tons enarmônicos, a escala grega tinha 21 sons.

 

O instrumento nacional dos gregos era a Lira, da qual existiam vários modelos. Na sua forma mais antiga, chama-se chelys, que mais tarde foi substituída pela kithara ou phorminx, instrumento maior e mais poderoso, provavelmente importado da Ásia Menor ou do Egito. O magadis era uma espécie de harpa com 20 cordas. Tipos menores do mesmo instrumento, o pectis e o barbitos, tocavam também quartos de tons. O aulos, instrumento de sopro, corresponde ao oboé moderno. Já existia também o órgão, chamado hydraulos, acionado por energia hidráulica.  



Vídeo:


Música grega antiga


 

Fonte: Dicionário Enciclopédico da Música e Músicos – Robert Fux