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Orquestração do Cérebro, A

Última modificação : Segunda, 15 Junho 2015 16:51



O cérebro nunca recebeu o devido crédito pelas criações artísticas. Aplicado à pintura ou à música, o adjetivo “cerebral” tem inclusive conotações negativas. Implica frieza ou cálculo – como se o mesmo órgão não fosse responsável por processar as emoções. O cérebro é engrenagem, computador, razão, mas não arte. Há, também, quem julgue que tratar as esculturas de Michelangelo ou as sinfonias de Beethoven como produtos de um emaranhado de células nervosas tira delas a transcendência. Devido à antiquíssima divisão da experiência humana entre o físico e o imaterial, foi e continua sendo mais comum associar a arte a abstrações como as musas e o espírito do que ao trabalho de nossa massa encefálica. 


Diversos estudos recentes demonstram como o cérebro é esculpido pela música. Por exemplo, o corpo caloso, a grande comissura que liga os dois hemisférios cerebrais, tende a ser maior nos músicos profissionais; pessoas que sabem tocar um instrumento têm uma área mais extensa do córtex cerebral ativada pela audição de música. Descobertas desse tipo levaram alguns a sugerir que expor crianças pequenas à música clássica lhes daria uma vantagem intelectual, mas essa idéia não é corroborada pela neurociência. As mudanças são muito específicas, e talvez se dêem à custa de outras funções cerebrais. 


Outro enigma desvendado é a razão fisiológica dos prazeres causados pela música, isto é, a “orquestração cerebral”. Primeiro o córtex auditivo entra em ação para analisar os componentes do som. Depois vêm regiões frontais, relacionadas ao processamento da estrutura e das expectativas musicais. Finalmente, chegamos a um sistema de áreas envolvidas na excitação e no prazer, na transmissão de opióides e na produção de dopamina, culminando na ativação do núcleo accumbens. Os aspectos agradáveis e estimulantes da audição musical parecem ser resultado do aumento de dopamina no núcleo accumbens e da contribuição do cerebelo na regulação das emoções. A música é uma forma de melhorar o ânimo das pessoas, e agora acreditamos saber porquê.

 

 

NÚCLEO ACCUMBENS:   É onde ocorre, principalmente, a liberação do neurotransmissor dopanima. Está relacionado com a busca do prazer, desempenhando importante papel na regulação da emoção e da motivação

 

Fonte: Revista Veja 26/09/2007