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Os mais famosos compositores da linha do tempo

RAVEL, JOSEPH-MAURICE (1875-1937)

Última modificação : Quarta, 05 Fevereiro 2014 18:04


FRANCÊS – ESCOLA NACIONAL FRANCESA – 88 OBRAS


Na trilha de Debussy, Ravel criou um estilo francês original que rompia com o conservadorismo romântico. Um misto de refinamento sóbrio e exotismo luxuriante, sua obra caracteriza-se por uma elaboração requintada. Stravinsky descreveu-o como "o mais preciso relojoeiro suíço". Tal marca por vezes ofuscou o caráter comovente de suas melodias e os subterrâneos tempestuosos de sua música.

  

Vida. Compositor francês, Joseph-Maurice Ravel nasceu em Ciboure, perto de Saint-Jean-de-Luz, Baixos Pirineus, a 7 de março de 1875, e morreu em Paris a 28 de dezembro de 1937. Entrou, em 1889, no Conservatório de Paris e era ainda estudante quando escreveu suas primeiras composições. Estas criavam para o jovem compositor a fama de revolucionário perigoso, sendo-lhe negada por três vezes a atribuição do Prix de Rome. Sua vida se resumiu, depois, em um trabalho interrompido apenas pela sua participação na primeira guerra mundial. Em 1920 recusou a Légion d`Honneur. Um acidente em 1932 provocou em Ravel um trauma de que jamais se recuperou. A memória foi afetada e também a coordenação dos movimentos. Seus amigos organizaram viagens à Espanha e ao Marrocos, a fim de distraí-lo. Operado em 1937, morreu ainda inconsciente.

 

Caracterização. A vida de Maurice Ravel foi neutra, sem acontecimentos, a não ser as reações provocadas por sua obra, reações que foram contraditórias, pois Ravel foi julgado “revolucionário” nos círculos tradicionalistas do Conservatório e “conservador” pelos círculos vanguardistas da década de 1920. Ravel contribuiu mais para a extensão e abertura do que para a destruição do sistema tonal clássico. Foi inovador em suas harmonias estranhas e clássico pelo firme contorno de suas linhas melódicas. É nesse ponto que diverge de Debussy, com quem foi, por equívoco, sempre comparado. Enquanto Debussy foi músico impressionista, pela dissolução da linha melódica (tal como os pintores impressionistas dissolveram o traço em proveito da luminosidade), Ravel foi antiimpressionista na construção da melodia.

 

Não obstante, há uma atmosfera comum a Debussy, Ravel e outros músicos da época: certo “esoterismo” da linguagem musical, pela procura de novas harmonias, e um certo preciosismo temático, inspirado pelo simbolismo, além da atração pelo Oriente e pela Espanha. A influência entre os dois compositores foi recíproca. Ravel, longe de ser um epígono, foi personalidade totalmente original. Sua música é revelação dessa personalidade, reticente e reservada, ao mesmo tempo irônica e sentimental. Apesar de ter sido inovador em todos os gêneros musicais e na própria estrutura musical, não é um acaso a grande admiração de Ravel pela música pré-classicista francesa e pelos mestres do classicismo vienense: ele próprio foi algo como “o último clássico”, antes de Stravinsky e a escola de Schöenberg realizarem a  grande subversão da música.

 

Música para orquestra, balé e ópera. Entre as primeiras apresentações públicas das obras de Ravel está a abertura de Shéhérazade, uma ópera não realizada. Ravel foi um mestre da orquestração, na descendência direta de Rimski-Korsakov, mas pouco do que fez foi produzido originalmente para a orquestra.

 

Orquestrou obras para piano, suas e de outros compositores. É famosa a sua transcrição para a orquestra dos Quadros de uma exposição, de Mussorgsky, que pode ser considerada como obra original, raveliana. Escrito para a orquestra é o célebre Boléro (1927), que se desgastou pela execução repetida. Mas originalíssima pela sua estrutura rítmica e pela concepção melódica, que o próprio Ravel definiu como “um estudo em crescendo, com o tema obstinadamente repetido”. Ravel também orquestrou sua obra pianística Pavane pour une infante défunte, de que se falará a seguir.

 

Famosos são os dois concertos para orquestra, o Concerto para piano e orquestra em Ré maior (1931) também conhecido como Concerto para a mão esquerda, e o Concerto para piano e orquestra em Sol maior (1932). Ravel tinha uma concepção clássica do concerto, como obra racional, mas não é possível ignorar a dramaticidade inerente ao Concerto para a mão esquerda, escrito para o pianista Wittgenstein, que tinha, na primeira guerra mundial, perdido o braço direito.

 

Muito se discutiu a estrutura rítmica da música de Ravel, herdeira dos ritmos de dança dos clássicos franceses (Lully, Couperin, Rameau). Na sua obra mais extensa, o balé Daphnis et Chloé (1909-1912), reconhece-se tal sensualidade rítmica, enquanto o poema coreográfico La Valse (1919-1920) é de marcação propositalmente lenta.

 

Música de câmara. Nesse setor Ravel se revela em sua intimidade, em sua secreta tensão; mas também como músico que, sem assumir qualquer radical idade estrutural, numa elaboração arquitetônica clássica, explora sensualmente as sonoridades raras.

 

Música para piano. O primeiro êxito de Ravel foi uma peça pianística, Pavane pour une infante défunte (1899; Pavana para uma infanta morta), depois severamente julgada pelo autor, mas que persiste, em seu ritmo elegíaco, como uma de suas produções mais memoráveis. Ravel evolui, no piano, do impressionismo ainda sensível em Miroirs (1905; Espelhos) para os ritmos mais ásperos de Gaspard de La nuit (1908) em que persistem, no entanto, arabescos cromáticos fantasiosos. Mestre do piano na linha de artifício caprichoso de Liszt explorou a espirituosidade em Valses noble et sentimentales (1911), mas tendeu depois para o despojamento de Le Tombeau de Couperin (1917; O túmulo de Couperin) Seu estilo pianístico explorou uma aguda definição e acabamento formal, de feição neoclássica.

 

Música Vocal. Grande mestre da orquestra e do piano, Ravel deixou obra vocal restrita, mas de grande singularidade. Sua escolha de textos era, às vezes, surpreendente, e o compositor seguia estritamente o ritmo da própria linguagem verbal. Além de ciclos eruditos, deixou várias transcrições de melodias populares.

 

 


Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional