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Os mais famosos compositores da linha do tempo

VILLA-LOBOS, HEITOR (1887-1959) - OBRAS

Última modificação : Terça, 05 Março 2019 15:57




BRASILEIRO – ESCOLA NACIONAL LATINA – c.1.000 OBRAS 


Obras. A marca de autêntico nacionalismo de Villa-Lobos aparece no Noneto (1923), para instrumento e coro, intitulado Impressões rápidas de todo o Brasil, que traduz o lado folclorista do mestre. Como ponto máximo do seu nacionalismo temos os Choros – num total de 14 peças, escritos entre 1928 e 1929. Todo o processo criador de Villa-Lobos se sintetiza nessa obra. Os mais famosos são o 5º, para piano solo, e o 10º, para orquestra e coro, que inclui o Rasga Coração, tema popular.

 

A suíte Prole do Bêbe, para piano (1918-1926) logo levou o nome de Villa-Lobos a figurar nos programas dos grandes pianistas, entre eles Arthur Rubinstein. Ao célebre virtuose está dedicado o Rudepoema (1926), uma obra-prima mais tarde orquestrada pelo autor. Também são obras-primas as Cirandas (1926) e as peças do Ciclo Brasileiro (1935), reveladores de uma escrita pianística extremamente original. O mesmo ocorre nas obras para orquestra, inclusive os concertos, dentre os quais o 5º é o mais executado. As mais importantes realizações pianísticas de Villa-lobos são datadas de sua primeira fase.

  

Em 1930, apesar de já famoso em toda a Europa, com obras apresentadas por grandes regentes, Villa-Lobos decidiu voltar para o Brasil. Começou então a fase de viva preocupação com o desenvolvimento artístico do país. Em São Paulo, obtém apoio governamental para a realização de caravanas musicais pelo interior do estado. Depois, no Rio de Janeiro, promove gigantescas concentrações orfeônicas em estádios esportivos. No seu afã pedagógico, o mestre tinha escolhido o canto coral como meio de formar musicalmente a juventude. Para essa finalidade, compõe o Guia Prático (1932), “monumental antologia folclórica”, que também publica em versão para piano. O esforço educacional de Villa-Lobos culmina quando consegue a oficialização da música nas escolas. 


Ao mesmo tempo em que “ensinava o Brasil a cantar”, prosseguia sua atividade como compositor. É nessa época que dá início as nove Bachianas Brasileiras, cuja origem remonta àquelas peregrinações pelo interior do país, quando constatou a semelhança de modulações e contracantos do nosso folclore musical com a música de Johann Sebastian Bach. Misturando esse material primitivo com formas pré-clássicas, o resultado é uma síntese muito original, onde a técnica e o espírito do Kantor de Leipzig aparecem envolvidos em cadências brasileiríssimas. Ao vincular o Brasil a J.S.Bach, Villa-Lobos caracterizou-se como um dos maiores músicos do nosso tempo. No mundo inteiro as Bachianas são as mais conhecidas de suas obras. Tornou-se popular, principalmente, a 5ª, para soprano e conjunto de violoncelos (1938). Bachianas e Choros são obras únicas, sem qualquer esquema formal, mas constituem a espinha dorsal da produção de Villa-Lobos.

 

Nem por isso, as que se podem enquadrar no âmbito da “forma” são menos importantes. Assim as 12 sinfonias, destacando-se a 6ª, escrita sobre a linha cartográfica das montanhas do Brasil (1944), e a 10ª, com coro, denominada Sumé Pater Patrium (1952, Sumé, pai dos pais). Assim, também os 17 quartetos para cordas, os concertos para piano e orquestra, os concertos para violoncelo e orquestra – Villa-Lobos também era virtuose no violoncelo -, os trios, os quintetos. E ainda óperas – como Malazarte (1921), balés - como o Uirapuru (1917), suítes – como o fantástico Descobrimento do Brasil, composta para ser trilha sonora de um filme.

 

Enfim, uma “floresta tropical de obras”, onde o emaranhado da construção não impede a visão do gênio. Desde o retorno da Europa, a genialidade de Villa-Lobos foi-se incorporando ao patrimônio artístico-cultural do Brasil. As resistências contra a sua obra terminaram afogadas na onda de louvores e honrarias. Suas obras passaram a ter lugar nos catálogos internacionais de discos, com destaque especial para as Serestas (1925). Essas peças vocais têm como textos versos de poetas brasileiros, inclusive de Manuel Bandeira. Apesar da linha melódica guardar reminiscências da ópera italiana, os lieder de Villa-Lobos tem estrutura tipicamente folclórica. A produção do compositor continuou fluindo dessa dupla vertente: influência estrangeira e folclore nacional. Louvável tem sido o esforço do Museu Villa-Lobos em manter acesa a memória do mestre. Mas permanece a discrepância entre a medida de uma genialidade celebrada e o número restrito de execuções das obras do compositor no nosso país.

 


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Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional