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Os mais famosos compositores da linha do tempo

GRIEG, EDWARD HAGERUP (1843-1907)

Última modificação : Quarta, 29 Maio 2013 16:00


 

NORUEGA - ESCOLA NACIONALISTA ESCANDINAVA - C.80 OBRAS

 

Grieg é, sem dúvida, o maior compositor da Noruega, sendo responsável, ao lado de Sibelius e Nielsen, por colocar a Escandinávia no mapa musical. Sua exploração da música folclórica norueguesa e colaborações com escritores conterrâneos ajudaram-no a desenvolver um estilo abertamente nacionalista em espírito.

 

 

Vida. Compositor norueguês, Edward Hagerup Grieg nasceu em Bergen, a 15 de junho de 1843, e morreu na mesma cidade, a 04 de setembro de 1907. Cursou o Conservatório de Leipzig, onde se aperfeiçoou em piano e composição. Ali conheceu a obra de Schumann, cujo estilo o influenciou fortemente. Concluído o curso (1862), regressa à terra natal. Mas como não conseguisse uma situação vantajosa, resolve transferir-se para a Dinamarca.

 

Já tendo escrito algumas peças para piano e vários Lieder, Grieg os submete à apreciação de Niels Gade, então a maior figura da música dinamarquesa. Embora muito estimulado pelo mestre, o jovem compositor em pouco tempo se opõe à sua orientação . Não lhe interessava o mendelssohnianismo que norteava a conduta criadora de Gade. Grieg passa a combatê-lo. Resolveu continuar a obra do prematuramente desaparecido Richard Nordraak (1842-1866), o "proclamador da independência musical da Noruega".

 

Munido dos ideias nordraakianos, Grieg reivindica uma música norueguesa inteiramente abeberada nas fontes folclóricas da nação, ainda que isso provocasse estranheza nas plateias

da Europa. Ligava-se, assim, ao nacionalismo romântico propugnado por escritores como Björnson, no qual até Ibsen se engajara quando jovem. O objetivo maior é libertar a Noruega dos seculares laços culturais que a prendiam à Dinamarca.

 

Na prática, o ambicioso programa reivindicatório de Grieg foi executado com muito menos rigor. Jamais se livrou da influência de Schumann e dentro dela é que vai realizar seus propósitos nacionalistas. Já de volta à Christiania (então nome de Oslo), escreve as Lyriske Stykker (Peças líricas) para piano - talvez sua melhor obra, embora bem mais alemã que escandinava. Desse período data também o Concerto em lá menor para piano e orquestra, Op.16 (1868), que se tornou popular no mundo inteiro. Mereceu grandes elogios de Liszt, que o tocou em Roma (1870).

 

Projeção. Como pianista, regente e compositor, Grieg empreende várias tournées em diversos países, obtendo extraordinário sucesso. O encanto de suas melodias, sempre em frases curtas, apoiadas numa base harmônica que apesar do colorido nórdico não agride o sentido tonal, chegou a fascinar auditórios. Na França, chamaram-no até de "Chopin do norte" e de "Mozart da Escandinávia", o que, sem dúvida, foi um grande exagero. Porém, mesmo um crítico intolerante como Debussy e que, pessoalmente, não simpatizava com Grieg, reconheceu-lhe o valor musical.

 

O êxito e a fama não mais se separavam do compositor norueguês. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade de Cambridge (1895). A saúde, minada pela tuberculose, o faz alternar as viagens com períodos de repouso num bucólico retiro na costa norueguesa. E não cessa de compor. Em 1876 estreia a música de cena para Peer Gynt, de Ibsen, da qual extrai duas suítes sinfônicas, de absoluto sucesso mundial. Compõe mais um caderno das Lyriske Stykker e seu único quarteto (1877). Este, mais o concerto, mais uma sonata para piano, uma para cello e piano, além de três para violino e piano, limitam toda sua produção no âmbito da sonata-forma. Grieg deu preferência a construções pequenas e aos Lieder. Confirmando a influência de Schumann, muitos deles tem texto em alemão. E o vigor poético dessas melodias basta para arrefecer as críticas que intensamente tem apontado o compositor norueguês como um criador sem importância.

 

 

 

Fonte: Enciclopédia Mirador Internacional