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Os mais famosos compositores da linha do tempo

RACHMANINOFF, SERGEI VASILIEVICH (1873-1943)

Última modificação : Quarta, 12 Fevereiro 2014 15:52


RUSSO – ESCOLA NACIONALISTA RUSSA – 96 OBRAS

 

Maestro renomado e pianista fora de série cujas inúmeras gravações mostram técnica incisiva, abordagem sem malabarismos e excepcional clareza. Rachmaninoff foi também o último grande compositor da consagrada tradição russa. Grande parte de sua obra foi composta antes de 1917, quando deixou a Rússia para nunca mais voltar.

 

Sergei Vasilievich Rachmaninoff nasceu em 01 de Abril de 1873 e morreu em 28 de Março de 1943. Compositor, pianista e maestro russo, um dos últimos grandes expoentes do estilo Romântico na música clássica européia. “Sergei Rachmaninoff” foi como o próprio compositor grafou seu nome quando viveu no ocidente durante a última metade de sua vida. Entretanto, transliterações alternativas de seu nome incluem Sergey ou Serge, e Rachmaninov, Rachmaninow, Rakhmaninov ou Rakhmaninoff.

 

Rachmaninoff é tido como um dos pianistas mais influentes do século XX. Seus trejeitos técnicos e rítmicos são lendários e suas mãos largas eram capazes de cobrir um intervalo de uma 13ª no teclado (um palmo esticado de cerca de 30 centímetros). Especula-se se ele era ou não portador da Síndrome de Marfan, já que pode-se dizer que o tamanho de suas mãos correspondia à sua estatura, algo entre 1,91 e 1,98m. Ele também possuía a habilidade de executar composições complexas à primeira audição. Sua reputação como compositor, por outro lado, tem gerado controvérsia desde sua morte.

 

Não apenas os trabalhos de Rachmaninoff tornaram-se parte do repertório padrão, mas sua popularidade, tanto entre músicos quanto entre ouvintes vem, no mínimo, crescendo durante a segunda metade do século XX, com algumas de suas sinfonias e trabalhos orquestrais, canções e músicas de coral sendo conhecidas como obras-primas ao lado dos trabalhos para piano mais populares.

 

A maioria de suas peças é carregada de melancolia, um estilo romântico tardio lembrando Tchaikovsky, embora apareçam fortes influências de Chopin e Liszt. Inspirações posteriores incluem a música de Balakirev, Mussorgsky e Medtner.

 

Juventude

Rachmaninoff nasceu em Semynovo, perto de Novgorod, no noroeste da Rússia em uma nobre família descendente dos tártaros, que esteve a serviço dos tzares russos desde o século XVI. Seus pais foram pianistas amadores e ele teve suas primeiras lições de piano com sua mãe; entretanto, seus pais não notaram nenhum talento extraordinário no jovem. Por causa de problemas financeiros, a família se mudou para São Petersburgo, onde Rachmaninoff estudou no Conservatório da cidade antes de ir para Moscou. Lá, estudou piano com Nikolai Zverev e Alexander Siloti, que era seu primo e ex-aluno de Liszt. Estudou harmonia com Anton Arensky, e contraponto com Sergei Taneyev.

 

Passos Iniciais

Ainda jovem começou a mostrar grande habilidade em suas composições.

A Sinfonia Nº. 1 Op. 13 (1896) estreou em 27 de março de 1897 junto com uma longa série de “Concertos Sinfônicos Russos”, mas foi deixado de lado pela crítica. Num comentário pitoresco de César Cui, a série foi comparada à descrição das dez pragas do Egito e sugeriram que seria admirada pelos “inatos” de um conservatório de música no inferno. Note-se, César Cui é o único membro do grupo nacionalista de compositores russos, conhecido como o Grupo dos Cinco, cuja música é raramente executada hoje em dia. A recepção desastrosa, combinada com a preocupação da objeção da Igreja Ortodoxa contra o casamento com sua prima, Natalia Satina, contribuiu para um colapso mental seguido de um período em depressão.

 

Ele escreveu poucas obras nos anos seguintes, até começar um curso de terapia auto sugestiva com o psicólogo Nikolai Dahl, um músico amador. Rachmaninoff rapidamente recuperou sua auto confiança. Um importante resultado dessas sessões foi a composição do Concerto para Piano Nº. 2 Op. 18 (1900-01), que foi dedicado ao Dr. Dahl. A peça foi muito bem recebida em sua estréia, na qual o próprio Rachmaninoff foi o solista.

 

Emigração para os EUA

Rachmaninoff fez suas primeiras apresentações nos Estados Unidos como pianista em 1909, um evento para o qual ele compôs o Concerto para Piano Nº. 3 Op. 30 (1909). Estas apresentações bem-sucedidas fizeram dele uma figura popular na América.

 

Após a Revolução Russa de 1917, que significou o fim da velha Rússia, Rachmaninoff, junto com sua esposa e duas filhas, deixou San Petersburgo e foi para Estocolmo. Rachmaninoff então se estabeleceu na Dinamarca e passou um ano fazendo concertos pela Escandinávia. Ele saiu de Oslo (então Kristiania) para Nova Iorque em 01 de Novembro de 1918, início do período americano da vida do compositor. Após a partida de Rachmaninoff, sua música foi banida na União Soviética por muitos anos.

 

O declínio nas composições de Rachmaninoff foi dramático. Entre 1892 e 1917, ele escreveu trinta e nove composições com números de opus. Entre 1918 e sua morte em 1943, enquanto vivia nos Estados Unidos, ele completou apenas seis.

 

Em 1931, junto com outros exilados russos, ele ajudou a fundar uma escola de música em Paris que posteriormente ganharia seu nome, o Conservatoire Rachmaninoff. Rapsódia Sobre um Tema de Paganini, um de seus trabalhos mais conhecidos hoje em dia, foi escrito na Suíça em 1934. Ele voltou a compor na Sinfonia Nº. 3, Op. 44 (1935-36) e nas Danças Sinfônicas, Op. 45 (1940), seu último trabalho completo. Eugene Ormandy e Philadelphia Orchestra estrearam as Danças Sinfônicas em 1941 na Academy of Music. Rachmaninoff caiu doente durante uma turnê de concertos em 1942, e foi diagnosticado com um melanoma maligno.

 

Rachmaninoff e sua esposa tornaram-se cidadãos americanos em 01 de Fevereiro de 1943. Seu último recital, em 17 de fevereiro de 1943 no Alumni Gymnasium da Universidade de Tennessee, em Knoxville, profeticamente executando a Sonata Nº. 2 em si bemol menor de Chopin, que contém a famosa marcha fúnebre. Uma estátua comemorativa do último concerto de Rachmaninoff está no Parque de World’s Fair, em Knoxville.

 

Rachmaninoff morreu em 28 de Março de 1943, em Bervely Hills, na Califórnia, e foi enterrado em 01 de Junho no Cemitério de Kensico, em Valhalla. Nas horas finais de sua vida, ele insistia que podia ouvir música tocando em algum lugar por perto. Após ser repetidamente assegurado de que não era o caso, ele declarou: “Então a música está na minha cabeça”.

 

Estilo de composição

O estilo de Rachmaninoff é fundamentalmente russo: sua música mostra a influência do ídolo de sua juventude, Tchaikovsky; entretanto, sua linguagem harmônica se expandiu além de Tchaikovsky. Os motivos usados por Rachmaninoff freqüentemente incluem o Dies Irae, muitas vezes apenas fragmentos da primeira frase.

 

Também especialmente importante é o uso do som de sinos. Os Sinos, no Concerto para Piano Nº. 2 e no Prelúdio em si menor.

 

Em movimentos scherzo ele muitas vezes utilizou uma forma modificada de rondó, geralmente abrindo com uma idéia rítmica leve e em seguida inserindo uma “brisa fresca” na forma de uma bela melodia romântica, para então terminar a peça de uma forma similar a um scherzo.

 

Rachmaninoff tinha um grande domínio sobre a escrita de contraponto e fuga. Uma característica bastante presente é também o contraponto cromático.

 

Seus últimos trabalhos, como o Concerto para Piano Nº. 4, Op. 40 (1926) e a Variations on a Theme of Corelli, Op. 42 (1931), foram compostos com um estilo mais detalhista, fazendo deles os menos populares, apesar da originalidade musical. Nessas últimas composições, Rachmaninoff demonstrou um maior senso de desenvolvimento comprimido e motívico em seus trabalhos à custa das melodias.


 

 

Fonte: Wikipedia