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Modos gregos

Última modificação : Sexta, 14 Novembro 2014 18:21


 

Na Grécia antiga, as diversas organizações sonoras (ou formas de organizar os sons) diferiam de região para região, consoante as tradições culturais e estéticas de cada uma delas. Assim, cada uma das regiões da antiga Grécia deu origem a um modo (organização dos sons naturais) muito próprio, e que adaptou a denominação de cada região respectiva. Desta forma, aparece-nos o modo dórico (Dória), o modo frígio (da região da Frígia), o modo lídio (da Lídia), o modo jônio (da região da Jônia) e o modo eólio (da Eólia). Também aparece um outro - que é uma mistura dos modos lídio e dórico — denominado modo mixolídio.

 

Historicamente, os modos eram usados especialmente na música litúrgica da Idade Média, sendo que poderíamos também classificá-los como modos "litúrgicos" ou "eclesiásticos". Existem historiadores que preferem ainda nomeá-los como "modos gregorianos", por terem sido organizados, também, pelo papa Gregório I, quando este se preocupou em organizar a música na liturgia de sua época.

 

No final da Idade Média a maioria dos músicos foi dando notória preferência aos modos jônio e eólio que posteriormente ficaram populares como Escala maior e Escala menor. Os demais modos ficaram restritos a poucos casos, mas ainda são observados em diversos gêneros musicais. O sétimo modo, o lócrio foi criado pelos teóricos da música para completar o ciclo, mas é de raríssima utilização e pouca aplicabilidade prática.

 

De fato, o modo lócrio existe como padrão intervalar, mas não como modo efetivamente, visto que a ausência da quinta justa impede que haja sensação de repouso na tríade sobre a nota fundamental. Por outro lado, tanto a música erudita quanto a música popular do século XX (marcadamente o jazz) acolheram o uso da quarta aumentada (ou quinta diminuta), pois a tensão proporcionada pela dissonância pode ser aproveitada com finalidades expressivas.

 

É importante observar que embora a quinta diminuta e a quarta aumentada sejam a mesma nota, desempenham função completamente distinta no acorde. A quinta diminuta faz parte da tríade ou tétrade, ou seja, da estrutura básica do acorde, enquanto a quarta aumentada desempenha a função de tensão do acorde. A quarta aumentada vem da escala lídia, ou lídia com sétima menor, enquanto a quinta diminuta vem da escala lócria ou de uma escala alterada. Por não fazer parte da estrutura do acorde, os músicos preferem chamar a quarta aumentada de décima primeira aumentada, ou, simplesmente, #11, deixando bem claro se tratar de uma tensão. Já a quinta diminuta recebe esta denominação e costuma ser grafada como b5).

 

Os modos baseiam-se atualmente na escala temperada ocidental, mas inicialmente eram as únicas possibilidades para a execução de determinados sons. Desde a antiga Grécia os modos já se utilizavam caracterizando a espécie de música que seria executada. Os modos, bem definidos então, eram aplicáveis de acordo com a situação, por exemplo: se a música remetia ao culto de um determinado deus deveria ser em determinado modo, e assim para cada evento que envolvesse música.

 

Com o temperamento da escala e a estipulação de uma afinação padrão, os modos perderam gradativamente a sua importância, visto que a escala cromática englobava a todos e harmonicamente foi possível classificá-los dentro dos conceitos "maior e menor".

 

O uso de frequências determinadas possibilitou o desenvolvimento das melodias na música juntamente com a harmonia e, com isto, na atualidade, os modos facilitam a compreensão do campo harmônico e sua caracterização, mas não possuem mais funções individuais. Devido ao uso do temperamento igual na música moderna não mais estabelecemos diferença entre bemol e sustenido na escala cromática, há, então, ainda mais restrição para o emprego de modos na música, senão como elemento teórico.

 

Os modos podem ser entendidos com a extensão da escala natural de Dó maior.

 

Modos:

. dó - ré - mi - fá - sol - lá - si: Jônio

. ré - mi - fá - sol - lá - si - dó: Dórico

. mi - fá - sol - lá - si - dó - ré: Frígio

. fá - sol - lá - si - dó - ré - mi: Lídio

. sol - lá - si - dó - ré - mi - fá: Mixolídio

. lá - si - dó - ré - mi - fá - sol: Eólio

. si - dó - ré - mi - fá - sol - lá: Lócrio.

 

Atualmente, classificamos os modos como maiores e menores, de acordo com o primeiro acorde que formarão em seu campo harmônico:

 

Modos maiores:

. Jônio

. Lídio

. Mixolídio

 

Modos Menores:

. Dórico

. Frígio

. Eólio

. Lócrio (este podendo ser também classificado como semi-diminuto).

 

 

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Fonte consultada:

wikipedia.org