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Poema sinfônico

Última modificação : Sexta, 25 Julho 2014 18:17



 

Forma orquestral em que um poema ou programa fornece uma base narrativa ou ilustrativa. Suas origens podem ser observadas nas aberturas Egmont, Coriolano e Leonore nº 3, de Beethoven, com sua interpretação mais ou menos explícita de eventos dramáticos. As aberturas de concerto de Berlioz e Mendelssohn podem ser consideradas protótipos diretos do poema sinfônico lisztiano, o primeiro dos quais, Ce qu´on entend sur la montagne, baseia-se num poema de Victor Hugo. Liszt faria no total 12 dessas obras (1848-1858).

 

O poema sinfônico foi adotado na Boêmia e na Rússia como veículo para ideias nacionalistas. Em 1857 Smetana deu início a um grupo de poemas sinfônicos sobre temas literários, nitidamente influenciado por Liszt, mas seu Má vlast (Minha pátria) é sobre episódios e ideias da história tcheca. A ele sucedeu-se uma profusão de poemas sinfônicos de seus compatriotas mais jovens, incluindo Dvorák e Suk. Na Rússia, Kamarinskaya (1848), de Glinka, foi um protótipo para os poemas sinfônicos de Balakirev, Mussorgsky e Borodin sobre temas nacionais. Tchaikovsky, em contrapartida, preferiu material literário para seus Romeu e Julieta, Francesca da Rimini e Hamlet.

 

Franck havia escrito uma peça orquestral sobre Ce qu´on entend sur la montagne, de Vitor Hugo, antes de Liszt, mas o gênero despontou na França nos anos 1870, com o apoio da nova Société Nationale. Os exemplos de Saint-Saëns, incluindo La rouet d´Omphale e Danse macabre, foram seguidos pelos de d´Indy e Duparc, e em 1876 Franck voltou ao poema sinfônico com Les Eolides, acrescentando mais tarde Le chasseur maudit e Les Djinns. Entre os poemas sinfônicos franceses, L´apprenti-sorcier, de Dukas, é um exemplo brilhante do tipo narrativo.

 

Richard Strauss, que preferia a expressão "Tondichtung" ("poema sonoro"), contribuiu para o repertório com um conjunto ímpar de grandes obras, no início de sua carreira, incluindo Don Juan, Till Eulenspiegel, Also sprach Zarathustra e Don Quixote. Nestes, valeu-se de seu virtuosismo na orquestração, do seu domínio da harmonia cromática e diatônica, de sua espantosa habilidade na transformação de temas e seu entrelaçamento em elaborado contraponto.

 

Sibelius foi talvez o último compositor a dar uma contribuição significativa para o repertório do poema sinfônico. O declínio do gênero no século XX pode ser atribuído à rejeição das ideias românticas, e também à sua substituição por noções de abstração e independência da música.



 

 

 

Fonte:

Dicionário Grove de Música, Edição Concisa Zahar