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Nacionalismo na Música, O

Última modificação : Segunda, 20 Abril 2015 17:22


 
 

NACIONALISMO

Termo aplicado ao movimento musical, de meados do século XIX, que defendia a incorporação de elementos nacionais característicos à música. A expressão da nacionalidade em música é mais antiga do que isso. Teóricos e compositores dos séculos XVII e XVIII, por exemplo, tinham bastante consciência dos aspectos de sua música que refletiam a nacionalidade, e no final do século XVIII, em especial na Grã-Bretanha, os compositores incorporavam melodias folclóricas (ou supostamente folclóricas) à sua música. Não obstante, o propósito do movimento nacionalista de meados do século XIX era uma tentativa mais consciente de afirmar a tradição nacional.

 

Manifestou-se na música de Chopin, que não foi o primeiro, mas foi o melhor compositor a incorporar ritmos de dança poloneses em obras musicais. A ópera de Glinka "Uma vida pelo czar" (1836) - hoje conhecida como "Ivan Susanin" - com seu teor nacionalista, bem como sua utilização da música folclórica, é considerada um marco importante no movimento, tal como as óperas de Mussorgsky e Borodin e muitas obras orquestrais do Grupo dos Cinco.

 

Na Boêmia, houve manifestações de nacionalismo já nos anos 1820, nas óperas de Skroup, mas foi somente com as obras de Sebor, Smetana e Dvorák que o nacionalismo tcheco causou forte impacto. Seu crescimento esteve ligado ao desejo dos tchecos de se libertarem do domínio austríaco. Outros países do leste europeu mostraram-se igualmente motivados e criaram obras nacionalistas, como a ópera polonesa "Halka" (1848), de Moniuszko e a "Hunyadi Lásló" (1844), de Erkel, apesar do nacionalismo húngaro só ter se inflamado com Kodály e Bartók.

 

O nacionalismo, apesar de menos motivado por acontecimentos políticos, também pode ser encontrado na Espanha - Albéniz, Granados -, no norte da Europa - Grieg, Sibelius - e na Inglaterra - Vaughan Williams, Holst. Seria enganoso, no entanto, não registrar o nacionalismo dos países que dominaram a tradição musical europeia: na Alemanha, de Schumann, Brahms (que usou a canção folclórica alemã) e Wagner; na Itália de Verdi (cujas óperas são afirmativamente italianas, não importa o tema) e até mesmo na França, onde Debussy mostrava-se ansioso por criar uma música nacional.

 

O nacionalismo assume formas um tanto diferentes nas Américas: na América do Sul, a ênfase foi dada ao uso de ritmos de dança de significado nacional, enquanto nos Estados Unidos o espírito nacional foi expressado com mais firmeza, através de formas caracteristicamente norte-americanas como o jazz e o musical (apesar de idiomas essencialmente norte-americanos também terem sido usados no contexto de formas musicais de base europeia.

 

 

NACIONALISMO NO BRASIL        

Pode-se definir a música nacionalista independente de qualquer linguagem musical: "a música se diz nacionalista, quando realmente contém elementos musicais característicos a um determinado povo ou nação. Desses elementos, os principais são: o ritmo, as características melódicas, o idioma, o folclore e outras manifestações populares ou patrióticas."

        

No Brasil, o movimento da Semana de Arte Moderna realizada em 1922, trouxe à tona um movimento artístico que também buscava um sentido nacionalista na sua arte. A preocupação das vanguardas europeias (influenciadoras diretas do movimento modernista em seu início) e a preocupação com o presente e a realidade, contribuíram para acentuar a mirada nacionalista dos artistas envolvidos na Semana de Arte Moderna.

        

A noção de nacionalismo em Mário de Andrade [um dos grandes expoentes do modernismo no Brasil] realiza uma clara evolução no sentido de maior abertura, escapando a regionalismos e bovarismos, ao exotismo ou a um estreito patriotismo, desvinculado mesmo de uma linha política. Sua procura, em meados da década de 20, visa descobrir o que seja entidade nacional ou mesmo a consciência nacional, que ele acredita "ser íntima, popular e unânime". Como artista, procura na música, no folclore, na literatura popular, na pintura e na língua manifestações dessa nacionalidade e pessoalmente confessa-se um homem do mundo, encarnação da dialética implantada pelo modernismo de 22: nacionalismo x universalismo

      

O que de fato ele acentua é o pragmatismo da função do intelectual, buscando, sobretudo valorizar o Homem e suas criações. Mário de Andrade desiludiu-se com as promessas de renovação política e social, como aconteceu em relação à revolução getulista. Não acreditava politicamente na noção de pátria, não acreditava que representantes governamentais pudessem exprimir as vontades do povo. Sendo assim, Mário de Andrade assume, um nacionalismo próprio, que pretendia ser universal, o que de fato acontecia no meio artístico.

        

No Brasil, o movimento nacionalista na música, além de Villa-Lobos teve grandes expoentes como: Alexandre Levi e Alberto Nepomuceno. Além da vasta contribuição no âmbito musical, Villa-Lobos manteve uma grande participação no que diz respeito ao ensino musical brasileiro. Desde a primeira concentração orfeônica (Exortação Cívica), realizada em Maio de 1931 da qual participaram cerca de 12.000 pessoas de diferentes e variados grupos sociais (escolares, acadêmicos, forças armadas, operários), que Villa-Lobos deu início a uma linha de trabalho que seria desenvolvida por ele, até o final da sua vida. Essas movimentações públicas de massas escolares, através do canto orfeônico, ao longo dos anos de governo de Getúlio Vargas, admitem uma relação semelhante aos países fascistas da Europa.

        

Em 12 de fevereiro de 1932, Villa-Lobos entregou ao Presidente Vargas um memorial, de onde foi retirado o seguinte trecho:      

"No intuito de prestar serviços ativos ao seu país, como um entusiasta patriota que tem a devida obrigação de pôr à disposição das autoridades administrativas todas as suas funções especializadas, préstimos, profissão, fé e atividade, comprovadas pelas suas demonstrações públicas de capacidade, quer em todo o Brasil, quer no estrangeiro, vem o signatário, por este intermédio, mostrar a Vossa Excelência o quadro horrível em que se encontra o meio artístico brasileiro, sob o ponto de vista da finalidade educativa que deveria ser e ter para os nossos patrícios, ao obstante sermos um povo possuidor, incontestavelmente, dos melhores dons da suprema arte."

      

Villa-Lobos manteve uma preocupação com o ensino do Canto Orfeônico, assumindo cargos importantes dentro do Governo de Getúlio Vargas, como a chefia da Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA). Realizou apresentações de canto orfeônico principalmente em datas nacionais, assumindo uma forte preocupação com o caráter nacionalista da música.

 

No entanto, o sentido nacionalista da música brasileira, ia de encontro com alguns compositores populares na época. Em 1937, enquanto propagava-se a fase trabalhista de Getúlio Vargas, em que a máxima "só o trabalho dignifica o homem" servia de exemplo para o bom cidadão, a censura do DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda – foi implacável com toda e qualquer manifestação que não fosse o idealizado pelo Estado. Não seria mais permitido que a música popular estimulasse temas, como por exemplo, da vadiagem e da vida boêmia, já que eram considerados antipatrióticos por não exaltar ao progresso da Pátria.

 

 

SEMANA DE ARTE MODERNA

A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, ocorreu em São Paulo entre os dias 11 a 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo. Em cada dia era trabalhado um aspecto cultural abrangendo a pintura, a escultura, a poesia, a literatura e a música. O evento marcou o início do Modernismo no Brasil e tornou-se referência cultural do século XX.

 

O governador do Estado de São Paulo da época, Washington Luís, apoiou o movimento, especialmente por meio de René Thiollier, que solicitou patrocínio para trazer artistas do Rio de Janeiro, como Plínio Salgado e Menotti Del Picchia, membros de seu partido, o Partido Republicano Paulista.

 

A Semana de Arte Moderna representou uma verdadeira renovação de linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora da ruptura com o passado, e até corporal, pois a arte passou então da vanguarda, para o modernismo. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos, como a poesia através da declamação, que antes era só escrita; a música por meio de concertos, que antes só havia cantores sem acompanhamento de orquestras sinfônicas; e a arte plástica exibida em telas, esculturas e maquetes de arquitetura, com desenhos arrojados e modernos. O adjetivo "novo" passou a ser marcado em todas estas manifestações que propunha algo no mínimo curioso e de interesse.

 

Participaram da Semana nomes consagrados do modernismo brasileiro, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Plínio Salgado, Anita Malfatti, Menotti Del Pichia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos,Tácito de Almeida, Di Cavalcanti entre outro. Na ocasião da Semana de Arte Moderna, Tarsila do Amaral, considerada um dos grandes pilares do modernismo brasileiro, encontrava-se em Paris e, por esse motivo, não participou do evento. Muitos dos idealizadores do evento eram quatrocentões.



 

 

 

Fontes:

. Dicionário Grove de Música, Edição Concisa, Jorge Zahar Editor

. grupovilla-lobosnacionalista.blogspot.com.br

. wikipedia.org